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Carlos Oliveira: A digitalização do ensino e o futuro dos países que falam português

Carlos Oliveira: A digitalização do ensino e o futuro dos países que falam português
  
A médio prazo, a competitividade dos países de língua oficial portuguesa e a qualidade de vida dos seus cidadãos vai depender grandemente do que fizerem a partir de agora na adaptação do ensino ao meio digital, da correção das estratégias individuais e coletivas que adotarem a este respeito, e da determinação e sentido de urgência que colocarem na sua implementação.

CMO-PL

A Educação no Digital Vai Ter Um Impacto Superior ao Esperado


À medida que o acesso à internet se vai alargando a todos os cantos do mundo e que os custos de acesso se vão esbatendo, nomeadamente pela via móvel, o acesso à informação e ao conhecimento digital presentes na internet ficam ao alcance de todos, pobres e ricos, de forma cada vez mais igualitária.

A importância relativa da informação e do conhecimento na competitividade e na qualidade de vida vai assim continuar a aumentar no futuro. Deste modo, crescentemente, dois fatores vão ser cada vez mais relevantes para determinar o desenvolvimento de um país e das pessoas individualmente: i) o nível e o custo de acesso à internet e ii), a utilização efetiva da mesma, dependente dos níveis de educação tradicional e digital da população ou do indivíduo, e da inserção das TIC nas atividades económicas, sociais e na administração pública.

Um grande número dos estudos sobre o impacto das tecnologias de informação e comunicação no futuro, identifica o setor da educação como sendo aquele que terá mais transformações, entre todos. Novos modelos de ensino emergirão aos quais os países e os indivíduos terão de se adaptar. Assim, não há opções neutras. Não fazer nada é ficar para trás.

Nesta sociedade global da informação e do conhecimento, é pois claro que a educação em geral e o ensino adaptado ao meio digital vão determinar cada vez mais a competitividade e a qualidade de vida dos cidadãos. Deste modo, os países que corretamente e em tempo útil compreenderem que têm de adaptar o seu sistema de ensino a este novo paradigma, serão os que melhor estarão daqui a uns anos. A definição e as implementações de estratégias estruturadas, abrangentes e de longo prazo, para adaptação a este novo paradigma é chave, visto que ações pontuais e de marketing apenas irão gerar entusiasmos vazios de efeito real e de curto prazo e frustrações no longo prazo.

A Armadilha do Efeito Porta-Aviões

A adaptação do sistema de ensino ao novo paradigma é um processo complexo e que envolve alguma tentativa e erro, devendo este evoluir por etapas, uma vez que está repleto de interdependências e que requer a utilização de vastos recursos.

Embora haja alguns ganhos de curto prazo, o grande impacto das ações que agora se implementarem só se fará sentir daqui a uma ou duas décadas. Assim sendo, os governos poderão hesitar e optar por esperar que as coisas evoluam por si. Esta opção constitui um grande perigo, pois como em qualquer processo social de ciclo longo, quando os decisores acordarem para a necessidade de atuar de forma estruturada já será tarde para “inverter a rota do porta-aviões” (que demora muito a mudar de direção). A gestação normal de um filho não se faz em menos de 9 meses, as florestas que proporcionaram as madeiras longas necessárias para a construção dos navios da era dos descobrimentos levaram várias décadas a crescer. Do mesmo modo, a construção dos ecossistemas económico-sociais a nível nacional, necessários para evoluir o ensino para um novo paradigma suportado pelo digital, demora muitos anos a maturar e a desenvolver. Quem se atrasar, só irá ver num futuro já tardio que deveria ter começado mais cedo.

A Necessidade de Estadistas de Visão Longa

Uma das regras competitivas da internet é o fator escala. Vários estudos apontam para o eventual surgimento de grandes provedores mundiais de ofertas educativas, bem como de ofertas especializadas em modelos de negócio tendencialmente dominantes a nível global.

Por este motivo, todos os países que têm o português como língua oficial beneficiariam grandemente se conseguissem definir estratégias e projetos comuns de educação através do digital e da internet. Será uma daquelas situações em que se juntam ou ficarão todos muito prejudicados. Mas para isso, é necessário ter estadistas informados, com visão de futuro e com coragem para liderar e fazer as coisas acontecerem com benefício de todos os envolvidos.


Carlos Miguel Valleré Oliveira é CEO da Leadership Business Consulting, empresa internacional de consultoria de gestão presente em 8 países, África do Sul, Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos da América, Espanha, Moçambique e Portugal. Assina quinzenalmente a rubrica "Ponto de Vista" no Portal da Liderança sobre os temas da liderança-gestão, economia-sociedade e inovação-empreendedorismo. Mais informações aqui.

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