Reage às críticas como um profissional de topo?

Reage às críticas como um profissional de topo?

Experimente completar a frase “Quando sou criticado sinto-me ……………”.

Hank Weisinger

Se é como a maioria das pessoas, usa palavras como “magoado, irritado, na defensiva, dececionado, constrangido, rebaixado, um falhanço, nada bem, ressentido”, ou outras com o mesmo significado. Aliás, quem de nós, ao chegar a casa, liga a um amigo ou diz ao parceiro: “Olha, tive um grande dia: fui criticado”? No entanto, uma quantidade significativa de dados indica que a capacidade de aceitar críticas de forma produtiva é um sinal de elevado desempenho, e uma marca dos CEO, executivos e gestores eficazes. Mas os profissionais de topo não nascem com esta aptidão, antes pelo contrário, parecem seguir quatro passos – que servem de manual de instruções para aceitar a crítica de forma construtiva.

Aumentar a recetividade
Como podemos usar a crítica em nosso favor se nem sequer estamos para a ouvir? Há que alinhar a definição de crítica ao pensar que “é informação que pode ajudar-me a crescer”. Pode até apontar a declaração num cartão para se lembrar que lhe convém ouvir como as outras pessoas o veem e apercebem o seu trabalho. Quanto mais interiorizar esta ideia menos provável é reagir às críticas na defensiva, com raiva ou mágoa.

Valorizar as críticas
Sermos recetivos à crítica dá-nos a oportunidade de avaliar o que está a ser dito e de decidir se é do nosso interesse agir. Os profissionais com um elevado desempenho utilizam vários critérios para os ajudar a decidir:
- Quão importante é a informação para a minha vida/trabalho?
- A fonte/origem da crítica é credível?
- As outras pessoas concordam com a crítica?
- Qual o esforço necessário para responder de forma produtiva?
- Quais são os benefícios para mim?

Quando analisar se as críticas que recebe são válidas, pode, por exemplo, considerar mais pertinente uma observação à sua capacidade de fazer apresentações se vier de um colega ou chefe, do que se for o seu assistente a fazê-la. E pode ser precisa muita energia para resolver uma crítica em particular, no entanto está predisposto a lidar com a mesma por os benefícios serem salutares; já se for precisa uma grande quantidade de energia e os benefícios forem poucos, pode decidir que não vale a pena o esforço.

Ao avaliar a crítica com estes parâmetros está a abrandar/atrasar a sua resposta, minimizando a hipótese de descartar a observação de modo impulsivo quando esta pode até ser muito útil.

Reconhecer a avaliação
Uma colega critica a forma como conduz uma reunião. Em vez de ficar na retranca, responda que vai “pensar no assunto”. E só depois de avaliar os comentários decide se precisa de fazer alterações. Discordar da crítica não é o mesmo que ficar na defensiva. Se não disser à sua colega que teve a observação em consideração, ela vai sentir que não ligou nenhuma ao que lhe disse. Os executivos de topo mostram respeito e apreço aos seus críticos ao dizerem-lhes como avaliaram a crítica feita – querem que saibam que não estão de pé atrás, antes percebem a situação de forma diferente. Tal origina muitas vezes uma produtiva troca de pontos de vista, e, no caso dos profissionais de alto desempenho, conduz a novas perspetivas que os levam a concordar com as críticas. Ou os críticos podem até mudar de ponto de vista e perceberem que as suas observações não eram válidas. Seja como for, a comunicação melhora e ajuda a integrar na relação o processo de fazer e receber críticas.

Passar à ação
E se a crítica for válida – não é melhor agir sobre a mesma? Se for o caso, os executivos com elevado desempenho distinguem-se ao tomar medidas para se certificarem que fazem as alterações/melhorias exigidas pelas críticas.
Se for necessário melhorar a forma como decorre uma reunião, os profissionais de topo desenvolvem um plano nesse sentido. Ou se, por exemplo, a crítica ao seu relatório de marketing for razoável, faz os ajustes, começando do zero se for necessário.
Ou seja, os líderes fazem mais do que dizer que vão mudar ou melhorar – passam à ação. E até recorrem à ajuda dos críticos, pedindo-lhes que digam quando perceberem que há uma mudança/melhoria ou perguntando como podem resolver a questão da melhor forma. Como diz a superestrela e empresária americana Jane Fonda, “a crítica é bem-vinda, é assim que cresço!”.

16-06-2017

Fonte: CEO.com


Hank WeisingerHank Weisinger, especializado em aconselhamento clínico e psicologia organizacional, é considerado uma autoridade na aplicação da inteligência emocional. É autor de vários livros de sucesso, incluindo os bestsellers do New York Times, “Nobody's Perfect” e “Performing Under Pressure: The Science of Doing Your Best When It Matters Most”. Consultor, tem realizado workshops para dezenas de empresas Fortune 500 e entidades governamentais, e ensinou em várias escolas de negócios americanas (como Wharton, UCLA, Cornell, NYU ou Columbia). Apareceu em mais de 500 programas de televisão e de rádio, incluindo o “The Today Show”, “Good Morning America”, “Oprah”, ou os canais ESPN e NPR.