Equaciona uma carreira internacional? Tem de ter 4 competências-tipo

Equaciona uma carreira internacional? Tem de ter 4 competências-tipo

Quais as competências imprescindíveis para “chegar lá” – para ser um líder global? Andrew Likierman, reitor na London Business School, fornece quatro dicas que apreendeu bem cedo na carreira.

Para muitas pessoas nos seus 20 e 30 anos, ou Millennials, a progressão profissional é mais importante que qualquer qualidade do empregador. Isto porque, quanto mais importante for a função, mais oportunidades têm de fazer a diferença na comunidade. Esta é uma das principais conclusões do inquérito anual “Global Shapers Community”, do Fórum Económico Mundial, que contou com a participação de mais de 1.000 Millennials de 125 países.

Mas, e se tivéssemos de analisar as competências necessárias para chegar lá? Por outras palavras: se quisesse aprender mais competências, quais devem ser e como pode adquiri-las? Andrew Likierman, reitor da London Business School, fornece algumas respostas com base na experiência pessoal, numa conversa publicada no site Poets & Quants, em que elucida como, no início da carreira, quatro opções o ajudaram construir a trajetória profissional. 

Andrew Likierman refere que “aproveitei quatro aspetos dos meus 20 anos que me ajudaram bastante ao longo da vida”. E que são: escolher um percurso académico flexível; aprender a lidar com as crises económicas – que inevitavelmente nos atingem em algum momento; expor-se a outras culturas; desenvolver competências de comunicação. Hoje, na casa dos 70 anos, afirma que estas quatro vertentes lhe permitiram movimentar-se “entre o Governo, o setor privado e a vida académica com facilidade”. Afirmação algo modesta: foi, entre outros cargos, diretor não-executivo do Banco de Inglaterra e do Barclays, bem como administrador não executivo do Tesouro do Reino Unido, entre outros cargos, já para não falar na longa e ilustre carreira académica.

Como podem então os jovens (Millennials) que queiram progredir na carreira ganhar essas competências na atualidade? Seguem-se as dicas de Andrew Likierman: 

1.ª Fazer escolhas que confiram flexibilidade
“Em primeiro lugar, certifique-se de que faz escolhas que lhe dão flexibilidade. Na faculdade estudei política, filosofia e economia, e, com a flexibilidade em mente, estava determinado em conseguir uma qualificação adicional: contabilidade. Hoje recomendaria que façam um MBA, mas naquela altura (início dos anos 1970), contabilidade era a opção estabelecida para se ter flexibilidade. O que permanece atual é a formação superior aumentar as opções. E a prova disso é as pessoas com um MBA fazerem tantas coisas diferentes.”

2.ª Estar ciente de que nem sempre tudo corre bem
“Em segundo lugar, esteja ciente de que as coisas nem sempre correm pelo melhor. Quando comecei a minha carreira houve uma crise económica: um dos maiores choques petrolíferos que abalaram a economia. As minhas economias foram afetadas. Eu estava realmente exposto, e foi um choque. Mas foi uma boa aprendizagem. Todos precisam de passar por uma crise financeira, de preferência no início, para aprenderem que os ciclos são muito importantes – existiram nos últimos 250 anos e não vão acabar.”

3.ª Expor-se ao máximo a outras culturas
“Em terceiro lugar, exponha-se o mais que puder a outras culturas. Tal vai ajudá-lo a movimentar-se entre diferentes setores e países, dado que terá uma mentalidade mais aberta. Quando era mais novo dirigi uma fábrica têxtil na Alemanha, o que foi uma experiência fantástica. Lá aprendi como as pessoas de diferentes culturas pensam de forma distinta, e que, ao lidar com pessoas, não pode simplesmente fazer “copy-paste” de como considera que o trabalho e as relações no trabalho devem funcionar, o que foi muito interessante.”

4.ª Compreender a importância da comunicação
“Finalmente, compreenda a importância da comunicação. Pode ter ideias brilhantes mas não vai conseguir fazer nada delas se não conseguir comunicá-las da melhor forma. No início da minha carreira como contabilista vi que algumas pessoas que eram realmente boas, melhores que eu, não progrediam por não conseguirem comunicar bem. É uma daquelas coisas que ainda hoje valorizo: que a escola é um ambiente de aprendizagem seguro para aprender tais aspetos. É muito melhor fazer uma apresentação confusa nesta altura do que mais tarde, e à frente de um cliente crucial.”

02-01-2017


Portal da Liderança

Nota: Artigo adaptado de um texto produzido por Peter Vanham, Global Leadership Fellow, para o Fórum Económico Mundial.