A sua liderança é R.E.A.L.?

A sua liderança é R.E.A.L.?

A sigla R.E.A.L. reúne as características que qualquer líder de topo deve ter, aponta um estudo levado a cabo pela americana Dale Carnegie Training (a reler).

O americano Thomas White, cofundador e CEO da C-Suite Nerwork, que constitui uma rede mundial de líderes de topo, contacta diariamente com responsáveis de multinacionais – profissionais que têm conselhos, histórias e dicas para partilhar. O executivo dá, no Huffington Post, um vislumbre de uma dessas conversas, que teve com Joe Hart, presidente e CEO da Dale Carnegie Training (organização cujo fundador foi pioneiro do movimento de desempenho humano há mais de 100 anos e que continuou a crescer ao longo do tempo através de pesquisa e da inovação); a lista de clientes desta companhia americana – que tem acima de 3.000 formadores e consultores, e 300 escritórios em mais de 90 países – inclui mais de 400 empresas da Fortune Global 500, dezenas de milhares de organizações de pequena e média dimensão e mais de 8 milhões de pessoas. A Dale Carnegie Training faz ainda investigação em termos de liderança. E uma das questões que se propôs analisar, e responder, foi: quais são as características que fazem um grande líder? Inicialmente realizou um estudo sobre o assunto, em 2015, nos EUA e no Brasil. Mas ficou tão intrigada com o que se deparou que ampliou a investigação a 13 países. Entre as perguntas-chave encontravam-se: quais são as características que motivam alguém a querer dar o seu melhor e o que desmotiva as pessoas. E a partir desta pesquisa passou a utilizar a sigla R.E.A.L.: de confiança (reliable), empatia, aspiracional e aprendizagem (learning) para definir os traços que deve ter um líder de topo (ou C-Suite em inglês).

O que torna um líder de confiança?
Esta característica diz respeito a alguém que é internamente confiável, que é autêntico. As pessoas costumam ter intuição, e conseguem ver quando alguém é consistente com aquilo que é interiormente. É um líder internamente fiável. Mas, a par de se ser de confiança, os colaboradores querem sentir um nível de integridade – o líder faz aquilo que diz que vai fazer, ou diz uma coisa e depois faz outra? 
Este traço é absolutamente basilar para os outros três. Não importa se é compreensivo/tem empatia, se é aspiracional, ou se é um líder ativo – se não for confiável, não mantém a confiança que quer construir com as pessoas. Se não tem a confiança por parte de quem trabalha consigo ou com quem interage, então as outras características pura e simplesmente não importam.

O que significa ter empatia enquanto líder?
Ter empatia significa querer chegar realmente aos outros e ser focado nas pessoas. O que significa demonstrar o desejo de ouvir, que se preocupa, que reconhece a importância dos outros, e que os respeita ao ouvir o que têm para dizer. Foi o escritor, filósofo e poeta americano Ralph Waldo Emerson quem disse: “nas minhas caminhadas, cada homem que encontro é de alguma forma meu superior, e assim aprendo”. Uma pessoa com empatia está a tentar aprender com, a tentar ouvir e a tentar prestar atenção às pessoas à sua volta.
Ao longo das décadas houve uma transformação na forma como a liderança tem sido vista. No passado, talvez se esperasse que o líder tivesse todas as respostas, que mostrasse fortes qualidades de liderança. Hoje, especialmente quando olhamos para os Millennials, vemos que querem contribuir para a descoberta das respostas. Querem ter significado no trabalho que desempenham. Querem saber que o que estão a fazer é valioso e que são valorizados enquanto indivíduos. Quando alguém chega e diz “isto é o que vamos fazer e vai fazer assim”, faz de imediato com que uma elevada percentagem de pessoas se sinta desmotivada

O que precisa de fazer o líder para ser uma inspiração?
Os líderes tendem a concentrar-se no bottom line. A parte financeira é importante e fundamental para o sucesso de qualquer negócio. No entanto, ao concentrar-se apenas nesta parte, sem um quadro mais amplo, não está a fazer o suficiente para se ligar a muitas pessoas. Quando o líder entende que os colaboradores querem ter significado naquilo que fazem, atingir as metas financeiras pode não ser suficiente. Um líder não só precisa de ser focado nos detalhes como também no motivo por que fazemos e porque o que estamos a fazer é importante.
A parte financeira e ter metas é crucial, mas, ao mesmo tempo, ter algo mais amplo e em que podemos ter uma ligação, faz-nos sentir que “faço parte de algo maior e importante, e por isso sinto-me bem”.

Quão crítico é para o líder estar em aprendizagem?
É para lá de crítico. Estar sempre a aprender tem uma ligação com a empatia, no sentido em que quem aprende diz “não tenho todas as respostas”. Reconhece que os erros vão acontecer e que aprende com eles. Não gosta necessariamente do processo mas aceita-o, e não hesita em admitir se tiver cometido um erro, para em seguida lidar com o mesmo e seguir em frente. Trata-se de tomar medidas. Trata-se de acumular experiência e bom senso.

Tendo em conta estas características, quão R.E.A.L. é a sua liderança?

30-05-2016 


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