Quer ser um profissional mais criativo? Comece pelos pontos fracos

Quer ser um profissional mais criativo? Comece pelos pontos fracos

Convém, de vez em quando, fazermos um check up às nossas capacidades enquanto líderes. É encarar a coisa como um acompanhamento regular do estado geral de saúde das nossas competências, crucial para a manutenção do bem-estar da organização.

Na qualidade de responsável máximo/CEO, pode sentir-se tentado a estar presente em cada reunião, a dar o seu contributo em cada redesenhar de produto ou serviço, sem deixar que os funcionários o vejam vacilar uma única vez. Mas ninguém pode fazer tudo (ou tem capacidade para fazer tudo). Assim, no sentido de evoluir e ser um líder melhor, de vez em quando tem de parar para ver bem de perto as suas competências de liderança – pense no processo como um check up.

Por vezes estamos tão focados na avaliação de todos os outros que nos esquecemos de parar e olhar para o espelho. Há uma abundância de exemplos na História de pessoas cuja falta de autoconsciência representou a sua queda. Se só de pensar nisso fica nervoso, não precisa: basta olhar para Richard Branson, que admite as suas fraquezas sem qualquer problema e reconhece as suas falhas (enquanto dirige mais de 400 empresas de sucesso). Só quando conseguirmos ver-nos bem/analisar pode levar as suas funções e a sua empresa para o próximo nível. 

1.º: Anotar os pontos fracos
A primeira etapa para resolver qualquer problema passa por o identificar. O coach de estratégia Dan Sullivan diz isto há décadas. Nem sempre é fácil ser auto consciente, mas vale a pena tentar chegar lá: as equipas cujos elementos têm pouca autoconsciência tomam piores decisões, têm fracas capacidades de gestão de conflito e têm problemas de comunicação.
Imagine que percebeu que precisa de ajuda para fazer crescer um negócio. Sente-se e desenhe uma linha de alto a baixo numa folha de papel: de um lado liste aquilo que adora fazer (branding, ideias de fundo..., por exemplo), e do outro liste as coisas com as quais se debate (como os detalhes e as operações do dia a dia). Assim estará a fazer uma avaliação honesta de onde precisa de apoio. E pode, por exemplo, contratar um chefe de operações – alguém que possa compensar os pontos fracos para ajudar a concentrar-se nos seus pontos fortes. 

2.º: Criar uma cultura de franqueza
Pedir feedback enquanto faz o check up à sua liderança não vai funcionar se estiver rodeado de yes-men. Um estudo realizado em 19 países revela que são muitos os profissionais que têm como objetivo agradar – apenas metade dos funcionários já desafiou o chefe ao dizer o que realmente pensam/dar a sua opinião.
Criar uma cultura em que as pessoas se sentem confortáveis ​​por partilharem feedback começa por haver confiança – um conceito explorado por Patrick Lencioni em “Os Cinco Desafios de uma Equipa”. Mas a confiança não é algo que o líder anuncia que faz parte da cultura da empresa – precisa de ser conquistada e praticada.
Uma das formas de o fazer na organização é com sessões regulares de “Falar como um Líder” – em que os participantes fazem uma apresentação e os colegas os avaliam com um elogio e indicam um aspeto que convém melhorar. É simples, mas é uma grande prática para dar e receber feedback cuidado e construtivo, e para aprender a confiar nos pares (e a ter a confiança deles).
Outra forma importante de criar uma “cultura de franqueza” é liderar pelo exemplo: seja recetivo e honesto enquanto líder, e verá que a sua equipa vai sentir-se mais confortável em ser franca e honesta.

3.º: Não deixar o feedback cair em saco roto
Uma coisa é pedir feedback. Outra é ouvir realmente e agir após o receber. Um dos princípios fundamentais do clássico de liderança “De Bom a Excelente”, de Jim Collins, observa que um grande líder é alguém que aceita que, “para ser o melhor de mim, tenho de servir a minha empresa”. Tony Hsieh, CEO da americana Zappos (retalhista online) é o exemplo perfeito do tipo de humildade radical, autoavaliação e melhoria constantes para o bem da empresa (não é por acaso que um dos valores fundamentais da Zappos é “sê humilde”).
Assim que saiba o que é preciso corrigir, atue. Não faça parte das estatísticas – uma pesquisa constata que 81% executivos e líderes empresariais trabalharam com superiores hierárquicos que pura e simplesmente não sabiam ouvir. Quer se trate de contratar alguém para complementar os seus pontos fracos ou mesmo receber dicas de um responsável na empresa que conduz melhor as reuniões, ter o feedback em consideração vai fazer com que, enquanto líder, seja mais forte – bem como o seu negócio. Pergunte, oiça, atue, repita: este processo simples é o segredo do sucesso de muitos dos líderes que nos inspiram e motivam.

29-11-2017

Fonte: Inc.com