Workjacking – como agir quando se apropriam do nosso trabalho

Workjacking – como agir quando se apropriam do nosso trabalho


Acabam de ficar com os louros do seu trabalho? Mantenha a compostura e lembre-se: o objetivo é não só recuperar o crédito de um conceito desenvolvido por si, como também obter o tipo de apoio que conduz à ação, ou seja, à sua implementação.      

Anett Grant

É segunda-feira de manhã, e entra na reunião semanal com aquela ideia na manga e que esteve todo o fim de semana em pulgas para partilhar. Chegou a sua vez. Apresenta-a finalmente e… o silêncio é audível. Os seus colegas acenam de forma educada com a cabeça, mas prosseguem para o próximo tópico. O que o faz passar os minutos seguintes num silêncio abatido. Até que um dos presentes pega na sua ideia, reformula-a e expõe de outra forma. De repente, torna-se no foco do debate, e o seu colega no centro das atenções. Acaba de ser vítima de workjacking, um dos crimes mais comuns na interação e comunicação nas empresas. Como se comporta a partir daqui? Mantém-se imóvel a ferver num silêncio furioso? Ou opta por falar? Seguem-se três passos que pode dar no sentido de avançar com tato e impacto.

1. Manter a calma. Quando um colega se apropria da sua ideia/trabalho, é natural que fique alterado. Como pode alguém ter tal comportamento? É frustrante ver outra pessoa ficar com o crédito por algo que é da nossa autoria. Pior: se os outros começam a assumir o protagonismo nas nossas ideias podemos estar a perder papéis de liderança que ajudam a impulsionar a carreira. Pelo que a primeira reação pode ser explodir com: “Acabei de dizer exatamente isso há uns minutos! Será que ninguém me ouve?”. Respire fundo antes de abrir a boca. Pode ter toda a razão, mas não ajuda entrar em confronto. O objetivo é influenciar os membros da sua equipa e não aliená-los. Além de que a pessoa que se apropriou da sua ideia pode tê-lo feito de forma inconsciente – há que dar o benefício da dúvida. E há que manter o autocontrolo.

 

2. Reconhecer a contribuição do colega. Agora a prioridade é certificar-se de que não fica para trás. Entre de imediato no debate, reconhecendo o que o “workjacker” acaba de dizer e refira porque concorda com ele. Pode fazer uma breve referência a como apresentou a ideia momentos antes, mas certifique-se de que não parece passivo-agressivo. O seu tom de voz e discurso devem ser de colaboração e otimistas.

Eis um exemplo de como pode ocorrer workjacking a partir da ideia apresentada por si, em que diz: “Penso que devemos parar de apostar nos anúncios impressos e concentrarmo-nos no digital”. Há algumas reações mistas e, em seguida, a sua equipa desvia-se para outro tópico. Então, de repente, um colega diz: “Os anúncios impressos são muito caros. Vamos poupar dinheiro e ficar apenas no digital”. E todos estão de acordo. Logo que possível, volte à carga com algo como: “Concordo plenamente! Como referi há pouco, apostar no digital é uma ótima opção, tendo em conta os dados do último trimestre. Tenho até algumas ideias de como podemos alavancar os nossos canais online de forma mais eficaz”.
E pronto: acaba de recuperar a sua ideia e segue com a reunião sem sobressaltos. Melhor ainda: ganha terreno para executar o seu conceito, em vez de permitir que outros o façam.

3. Explanar o conceito inicial. Por fim, precisa de defender a sua ideia e elaborar mais sobre a mesma. Mostre até que ponto aprofundou o conceito acrescentando informação e análise. Por exemplo: “Tenho algumas ideias de como podemos impulsionar os nossos canais digitais de forma um pouco mais eficaz. Com o dinheiro que vamos poupar ao cortar nos anúncios impressos, vamos ser capazes de aumentar de modo significativo o nosso alcance nas redes sociais”.

Certifique-se de que articula os seus argumentos com precisão e pertinência. Torne a sua ideia apelativa ao mencionar dados relevantes que suportam a sua explanação. Ao adicionar mais dimensão, a sua ideia torna-se mais que isso – começa a emergir como uma estratégia viável. E, pelo meio, pode levar as pessoas a esquecerem-se do workjacking. Lembre-se: o objetivo não é apenas restabelecer a propriedade sobre a sua ideia, mas ganhar apoio para que esta seja conduzida à ação.

Goste-se ou não, ter alguém a apropriar-se das nossas ideias é uma ocorrência bastante comum. Podemos ser apanhados de surpresa, mas ao permanecermos calmos, não confrontando o “workjacker” e explanando o conceito, recuperamos os louros, o controlo e apoio para o que queremos realizar – tudo sem perder a face.

22-05-2017

Fonte: FastCompany 


Portal da Liderança  


AnettGrantAnett Grant, presidente da empresa americana de coaching Executive Speaking, faz coaching junto de executivos de topo há mais de três décadas. Os seus clientes incluem 61 das 100 maiores empresas multinacionais, como a PepsiCo, a General Electric, 3M, Bank of America, Hewlett-Packard ou Dow Chemical.