Porque deve estar atento a São Tomé e Príncipe e ponderar o investimento. 10 razões para o fazer

Porque deve estar atento a São Tomé e Príncipe e ponderar o investimento. 10 razões para o fazer

  
“São Tomé e Príncipe celebra em julho próximo 40 anos de independência. Apesar do muito feito pelos são-tomenses, quase tudo está por fazer”, disse Afonso Varela, Ministro da Presidência e Assuntos Parlamentares do país, na palestra que proferiu sobre “São Tomé e Príncipe: Futuro e Oportunidades” (1). 

Se, para alguns, São Tomé e Príncipe é ainda um nome distante, que com esforço se liga a África e a praias paradisíacas e selvagens, outros veem hoje nestas ilhas um arquipélago de oportunidades.

Não acredita? Já ouviu falar na Here Be Dragons (HBD)? Sabia que esta gere o investimento do multimilionário sul-africano Mark Shuttleworth que um dia sonhou criar um empreendimento de ecoturismo no Príncipe e potenciar o desenvolvimento da ilha? E que é formada por uma equipa de portugueses e são-tomenses e liderada por um português? Pois é, o sonho aconteceu e hoje é o maior empregador do Príncipe e o segundo maior do país. Têm hoje o Bom Bom Resort no Príncipe, o Omali Lodge em São Tomé e preparam-se para arrancar com mais um empreendimento turístico no Príncipe, desta vez com a recuperação da Rossa Sundy, emblemática na história mundial.

Afonso Varela, na sua intervenção, apontou aquelas que são as grandes oportunidades de investimento no país, os projetos que têm em curso e a visão que pretendem alcançar “no espaço de uma única geração”, como frisou.

E porque a lotação esgotou e nem todos conseguiram marcar presença, deixamos-lhe 10 razões apontadas por Afonso Varela porque deve estar atento a São Tomé e Príncipe e ponderar seriamente investir no território.

  • Estabilidade política

Muitos são os países africanos que não podem dizer o mesmo. São Tomé e Príncipe vive sem guerra e com um governo legítimo eleito com maioria absoluta. Para além disso, qualquer investidor pretende acautelar o direito de propriedade“ e São Tomé e Príncipe faz isso”, diz Afonso Varela. “São Tomé e Príncipe aderiu à Convenção de Nova York, ao MIGA, à Convenção de Washington, entre outros. Para além disso, tem um código de investimentos que está a ser revisto para sua simplificação e maior segurança”, refere o Ministro são-tomense.

  • Localização geoestratégica

São Tomé e Príncipe localiza-se no Golfo da Guiné, sendo composto por duas ilhas principais (Ilha de São Tomé e Ilha do Príncipe). Embora não tenha fronteiras terrestres, situa-se próximo das costas do Gabão, Guiné Equatorial, Camarões e Nigéria, países que, tendo em conta o seu crescimento e capacidade financeira para o consumo, se apresentam como potenciais consumidores de bens e serviços de que não dispõem, alguns deles por inviabilidade natural. Como refere Afonso Varela, “São Tomé e Príncipe está cercado por países com que mantém boas relações, alguns até com relações privilegiadas”. É também membro da CPLP.

  • Produtos únicos no mundo

Afonso Varela referiu alguns dos produtos cujas caraterísticas únicas fazem deles uma séria aposta na área dos produtos gourmet, como é o caso do cacau da maior qualidade e procurado pelos melhores chocolateiros mundiais, ou da pimenta.

  • Potencial de refinação petrolífera e necessidades energéticas

“Temos em África grandes produtores petrolíferos, mas com fraca capacidade de refinação, como é o caso de Angola, do Gana, do Gabão e da Nigéria. Estes refinam apenas 30% das suas capacidades, sendo que a Nigéria subvenciona os produtos, com gastos na ordem dos 700 milhões de dólares em subvenções”, referiu Afonso Varela. “Estamos convencidos de que, com a paz que se vive em São Tomé e Príncipe e com infraestruturas para a refinação, temos condições para fornecer produtos petrolíferos a África e até racionalizar os custos existentes atualmente.”
O Ministro apontou ainda que “A possibilidade de São Tomé e Príncipe ter depósitos de combustíveis é outra área a desenvolver.”
Já “No campo da energia, aponta-se hoje um mix de fontes energéticas com aposta futura no gás. Atualmente, a produção é quase apenas para uso doméstico. Para ter uma indústria e oferta hoteleira de dimensão considerável, é necessária mais potência. (…) Há espaço para empresas que atuem neste segmento”, refere.

  • Dimensão oceânica

Embora pequeno em dimensão terrestre, trata-se de um país muito vasto em termos de águas territoriais, o que lhe confere potencial acrescido na exploração dos seus recursos, nomeadamente na área da pesca.

  • Serviços portuários

Para Afonso Varela, “todos os processos de desenvolvimento em São Tomé e na Ilha do Príncipe passam pelo porto com capacidade para contentores”. “A construção de um porto de águas profundas é vital para a economia do país. Já em 1915 este era apontado como necessário. Para além da reestruturação do de São Tomé, um porto de cais no Príncipe é outro projeto fundamental”, confessa.

“Estamos na zona africana com maior défice de infraestruturas portuárias. Durban, Tanger e Porto Said são os que se apresentam hoje capazes de ter custos aceitáveis em virtude da plataforma continental aí existente”, partilhou o Ministro.

Afonso Varela deixou o desafio. “São Tomé e Príncipe não tem capacidade para ir aos mercados internacionais de financiamento, mas uma empresa média consegue edificar o porto com base na concessão de exploração.”

  • Edificação de infraestruturas

“Estamos empenhados na realização de um conjunto de infraestruturas que deverão potenciar o investimento e captar novos. As infraestruturas (logística) são uma delas”, avançou. Referiu também a necessidade de novas estradas, onde será o Governo a fazer o investimento, por apresentar grandes dificuldades a um potencial investidor em conseguir retorno sobre o investimento.

  • Turismo

As belas e selvagens praias de São Tomé e Príncipe, o clima e a riqueza humana não deixam dúvidas. “No turismo, todos apontam grande potencial, mas é torná-lo tangível, diversificar a oferta de produtos turísticos, o que oferece espaço no país para PME e grandes operadores.” Afonso Varela confessou que, embora ainda pouco desenvolvido, o país apresenta uma quase constante lotação das unidades hoteleiras de que dispõe, sendo estas já muitas vezes insuficientes para a procura.

  • Condições favoráveis à realização de transações financeiras

Tendo em conta a taxa de conversão da dobra e as leis existentes quanto à exportação de divisas, Afonso Varela refere que “O volume líquido de transações na zona em que São Tomé e Príncipe se insere, aconselha-nos a apostar nessa área.”

  • Posicionamento favorável nos índices mundiais de desenvolvimento humano e necessidades na formação profissional de excelência e oferta de cuidados de saúde de qualidade

Afonso Varela apontou vários índices mundiais que colocam o país muito bem posicionado no campo do desenvolvimento humano, o que entende ser um fator acrescido de atração ao investimento externo.

Uma vez que a “mão-de-obra tende a rejuvenescer e a ser cada vez mais qualificada”, aponta a formação profissional de excelência como uma área com forte potencial no país, bem como a dos cuidados de saúde de qualidade, em virtude da falta de oferta na zona. Atualmente, no caso de ocorrer um acidente na zona, os pacientes são enviados para África do Sul, a 10 horas de voo. Pensando que, na Guiné Equatorial, vivem cerca de 20 000 americanos nas plataformas e um elevado número de expatriados com elevado poder de compra, seria uma alternativa a equacionar.

Como disse Agostinho Pereira de Miranda, “São Tomé e Príncipe não é um país para meninos”. Sente-se crescido o suficiente para fazer mudar o mundo?

Acompanhe a entrevista exclusiva que Afonso Varela, Ministro da Presidência e Assuntos Parlamentares de São Tomé e Príncipe, cedeu ao Portal da Liderança:

 

 (1) Conferência "Oportunidades de Negócio em São Tomé e Príncipe", promovida pela Associação Empresarial de São Tomé e Príncipe e pela Miranda, em Lisboa a sete de abril de 2015.

 


fatinha-portal-artigo1Fátima Rodrigues é gestora do Portal da Liderança e editora de conteúdos da Leadership Business Consulting, tendo sido coordenadora editorial da área de business do grupo Almedina e lecionado na Congrégation Saint-Joseph de Cluny. Esteve ligada vários anos ao Conselho da Europa, onde exerceu funções de formadora do GERFEC em relações interculturais e interreligiosas em contexto corporativo e social. É fundadora e administradora geral do projeto online de fomento à leitura Segredo dos Livros. Mais informações aqui.