Zuko, o embaixador das start-ups sul-africanas

Zuko, o embaixador das start-ups sul-africanas

O cofundador da empresa Legazy Technology Conferencing quer colocar as start-ups da África do Sul no mapa mundial da tecnologia e empreendedorismo. A Web Summit, a decorrer em Portugal de 6 a 9 de novembro, é apenas um dos degraus para o topo.

Tudo começou com a Web Summit em Hong Kong em 2016. Mesmo sem bilhete, o sul-africano Zuko Tisani (à esquerda na foto, com o cofundador da Legazy, Marcus Paschek) arriscou meter-se num avião e, uma vez lá, disse aos organizadores que tinha pago a viagem do próprio bolso, que não tinha como entrar, mas queria fazer parte da experiência. A resposta? “É esse o espírito de que é feita a Web Summit”. E recebeu uma pulseira platinum que lhe deu acesso não só ao evento em si como ao próprio Paddy Cosgrave, cofundador e CEO da Web Summit.

O objetivo de Zuko era levar a Web Summit para a África do Sul em 2018, mas a organização não viu o país como uma oportunidade para acolher o evento. Zuko não desarmou: se a Web Summit não vai à África do Sul, vão as start-ups sul-africanas à Web Summit em Portugal (isto porque, entretanto, o cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Francisco-Xavier de Meireles, apresentou Zuko ao presidente da CCILSA - Câmara de Comércio e Indústria Luso Sul-Africana, Carlos Oliveira, que se prontificou a apoiá-lo). Tendo em conta o ambiente e a experiência de Portugal no que diz respeito à inovação, Zuko deslocou-se ao país no início de setembro de 2017 no sentido de obter financiamento para cinco start-ups da África do Sul (na área de fintech e machine learning). Entre as várias reuniões com os principais players e potenciais investidores encontrava-se Miguel Fontes, diretor da Startup Lisboa, que vai apoiar duas das start-ups sul-africanas (estas, além de participarem na Web Summit, vão incubar na Startup Lisboa entre fevereiro e abril de 2018).
Entretanto, na semana da Web Summit, de 6 a 9 de novembro, Zuko Tisani regressa a Lisboa para participar no evento. E desta vez faz-se acompanhar pelas start-ups que obtiveram apoio para estar presentes na feira tecnológica e que procuram parcerias e investimento para se tornarem globais. 

Quanto ao mercado sul-africano em si, é ainda algo tradicional, onde os grandes investidores e companhias não têm o hábito de apostar em start-ups, o que dificulta o arrancar dos negócios. O ecossistema local tem três grandes barreiras para quem queira tornar o seu negócio global: difícil acesso a financiamento; encontrar pessoas com as competências apropriadas/necessárias; conseguir aceder a um mercado consumidor maior. Apesar destes entraves, de momento, e de acordo com Zuko Tisani, as start-ups sul-africanas não param de surgir, operando sobretudo em três grandes áreas: fintech, inteligência artificial e insuretech. As que se seguem são as que Zuko Tisani quer dar a conhecer ao mundo:

CommuScore – Para esta start-up, dado que os assalariados com baixos rendimentos e as microempresas que são financeiramente ativos e fazem poupança informal (stokvels) têm pouco ou nenhum acesso ao crédito/empréstimos bancários, a solução é “digitalizar a confiança” através de uma plataforma de administração stokvel que regista os comportamentos de pagamento e de empréstimos e, com um algoritmo proprietário, cria uma pontuação de crédito. As cofundadoras da CommuScore, Philile Mkhize e Priya Thakoor, vão estar em Lisboa para a Web Summit. 

CloudSlip – Esta é uma solução alternativa e ecológica aos recibos de papel. A CloudSlip permite aos utilizadores receber os recibos diretamente do ponto de venda e guardá-los numa plataforma na cloud. Esta abordagem permite às empresas poupar nos custos de impressão.

Emerge Analytics – Recorre à inteligência artificial e machine learning para tornar as empresas mais rentáveis, usando os dados das mesmas para ficar a conhecer melhor o consumidor, expandir a base de consumidores e utilizar insights preditivos. A Emerge direciona-se para os setores bancário, retalho, de seguros e saúde.

Empty Trips – Utiliza a tecnologia para fazer corresponder e ligar veículos com capacidade extra a quem pretenda transporte de mercadorias. Mediante algoritmos avançados e leilões de transporte, preenche os contentores vazios por um custo menor. Tem benefícios para quem expede: baixo custo e acesso ao mercado; para os agentes: sistema automatizado de corretagem de vendas e de transporte; para o transportador: ao licitar novos negócios e carga. 

Ezyfind – Os utilizadores podem solicitar qualquer item nas indústrias automóvel, de entretenimento, manufatura ou agricultura, e a Ezyfind encontra-o, sem custos.

FinChatBot – Porque os call centers estão cada vez mais saturados e caros, graças aos chatbots, as empresas agora podem interagir com dezenas de potenciais e atuais clientes em diferentes idiomas a qualquer momento. Esta start-up desenvolveu chatbots para ajudar os serviços financeiros a adquirir e reter clientes graças à inteligência artificial.  O cofundador e CEO da FinChatBot, Antoine Paillusseau, estará em Lisboa para a Web Summit. 

Isazi Consulting – A grande proximidade com os clientes garante à Isazi uma melhor compreensão dos seus processos de negócio, o que permite identificar as áreas de machine learning que se aplicam, e que tipo de insights procurar. Assim que a informação é obtida, a Isazi acrescenta valor com a previsão, diagnóstico, decisões, etc., o que leva a uma compreensão mais profunda do negócio.

iSpani – Este serviço liga instantaneamente as insígnias a ativadores de marca formados e selecionados através dos dispositivos móveis. E “requipa as massas desempregadas com um trabalho significativo, permitindo-lhes representar as marcas nas comunidades locais”. Prince Nwadeyi, cofundador, vai estar em Lisboa para a Web Summit.

Jobox – Desde designers gráficos a chefs de cozinha, esta plataforma de micro-emprego quer alterar a forma como funciona o mercado freelancer na África do Sul. O objetivo é tornar-se no hub central para os freelancers. Darryn Rabec, fundador, e Sbusiso Buna, COO, estão na capital portuguesa para a Web Summit.

Jonga
 – Aplicação que fornece sistemas de alerta à comunidade a baixo custo. O objetivo é avisar as pessoas em relação a potenciais ameaças nas redondezas/perto de onde se encontram. Ntsako Mgiba, CEO, marca presença na Web Summit em Lisboa.

KnektMe – É uma ferramenta de networking de negócios com base na proximidade. Esta app obtém identificação de valor, apresentando no smartphone do utilizador o perfil profissional de alguém antes de o conhecer. Carl Visagie, fundador e CEO, está na capital portuguesa para a Web Summit.

Minderz – Os utilizadores deste serviço – “em vez de pagarem por um canil lotado e caro, deixando o animal de estimação sem vigilância, ou, pior ainda, com alguém que não gosta exatamente de animais” – fazem marcações com hospedeiros e assistentes experientes que tomam conta dos animais de estimação nas próprias casas ou na dos donos. A start-up garante múltiplas camadas de controlo de qualidade, uma política de seguros abrangente, apoio de emergência, atualizações e outros serviços como creches ou ir passear os “miúdos de pelo”. 

Pineapple – Nesta start-up foi construida “a primeira seguradora do mundo” peer-to-peer flexível, escalável e descentralizada que fornece cobertura de seguros de pleno direito aos seus membros. Em suma, consideram o modelo de negócio de seguros “arcaico”, e que “já é tempo de os seguros serem desenvolvidos para o mundo de hoje em vez de se forçar a solução de ontem para a embalagem de hoje”. 

Rikatec – A Rikatec tem um sistema de gestão de informação para veículos cujos produtos e serviços preveem e detetam avarias, fornecendo em simultâneo a ligação à opção de ajuda mais próxima. 

SensorIt – Com uma abordagem centrada no cliente que utiliza tecnologia de ponta, cria soluções que têm um impacto positivo na taxa de redução de acidentes, dos carros inteligentes às casas inteligentes, passando pelos comboios ou as próprias ferrovias. Aubrey Mnisi, fundador e CEO, e Radu Diaconescu, business development manager, vão marcar presença na Web Summit em Lisboa.

Slide – A ideia é fazer pagamentos a qualquer pessoa na lista de contactos – não havendo a necessidade de números de conta bancária ou códigos de filial. 

Snake Nation – É uma empresa disruptiva de media para criadores M2 (multicultural millennial) que acredita na liberdade criativa e económica. Permite aos autores, storytellers, executivos e empreendedores mostrarem o seu trabalho, criando um público, e comunicar diretamente com a audiência, sem censura. Karl Carter, cofundador e CEO; Tshitso Mosolodi, cofundador e diretor; e Andrew Ngare, head of innovation, vão estar na Web Summit em Portugal.

Tenderpoint – Esta plataforma de aquisição e licitação online auxilia o setor de construção a obter adjudicações/trabalho.

03-11-2017


Armanda Alexandre/Portal da Liderança


ZukoSmall

Zuko Tisani, 25 anos, é fundador da Legazy Technology Conferencing. Licenciado pela University of Cape Town, iniciou o percurso profissional na consultoria de gestão numa multinacional, a Accenture. Mas não se demorou muito nesta área. Sentia-se pouco realizado e queria ser empreendedor. E assim surgia a Legazy, que agora é uma subsidiária do By Design Communications Group, tendo sido adquirida após Zuko ter conseguido obter uma carta de intenção de 1 milhão de dólares de uma das maiores empresas africanas de TMT (tecnologia, media, telecomunicações) para a realização de Web Summit na África do Sul em 2018. De momento dedica-se a dar a conhecer start-ups sul-africanas ao resto do globo.