Está a contratar talento para o marketing de uma start-up? É melhor ler

Está a contratar talento para o marketing de uma start-up? É melhor ler

Contratar sem perceber o que é o marketing – e o que esta disciplina não é para a sua start-up – é como andar em areias movediças.

Melinda Lewis

Todos nós sabemos que as start-ups são negócios de risco. Também contratar para uma start-up tem riscos. Os erros de contratação podem custar muito mais que apenas dinheiro a uma start-up. Pode ser difícil recuperar e podem ter efeitos prejudiciais. Além disso, trabalhar com os recursos limitados de uma start-up também acrescenta uma camada de complexidade no que toca a atrair talento e estabelecer uma equipa de qualidade.

Ao longo dos últimos dez anos trabalhei sobretudo a dar apoio às start-ups para estas angariarem novos utilizadores. Cometi e experienciei em primeira-mão muitos erros de contratação de marketing. E, dado que o marketing é uma disciplina vasta e em mudança constante, a forma como uma start-up olha para o marketing e as subsequentes decisões de contratação precisam de ser revistas com frequência. Para evitar erros ao contratar para a sua start-up, há algumas questões a que tem de responder primeiro: 

1. Há uma visão de longo prazo para o marketing? Contratar sem perceber o que é o marketing e o que não é para a sua start-up é como andar em areias movediças. É absolutamente necessário ter uma ideia clara do papel do marketing. Por exemplo, contratar talento de marketing estritamente para tentar obter novos utilizadores a curto prazo leva a start-up a ter dificuldade em reter os utilizadores e em criar lealdade à medida que vai amadurecendo, especialmente se a marca e a experiência do utilizador forem fracas. 

2. O que quer que a sua equipa de marketing faça? Sal Tofano, líder na área de marketing e consultor de start-ups, recomenda que se tenha uma descrição abrangente do cargo e que, durante o processo de entrevistas, seja comunicado de forma clara o que a posição envolve. O executivo também recomenda classificar os potenciais candidatos segundo o grau de paixão que demonstram em relação ao seu produto/serviço, uma vez que este é um bom factor para determinar o nível de dedicação e pode dar uma indicação da satisfação no trabalho. 

3. Como interage a equipa de marketing com as outras equipas? A liderança da start-up precisa de investir na comunicação interna para atingir os objetivos do negócio. Uma equipa de marketing isolada das restantes que gasta dinheiro em publicidade raramente tem uma história de sucesso. Já uma start-up que tenha processos de comunicação integrados pode responder melhor aos clientes, fazer melhorias que os clientes querem e aprender como melhor posicionar o produto no mercado. Assim, é crítica a contratação de profissionais de marketing com fortes competências de comunicação e a capacidade de trabalhar com os stakeholders internos e externos. 

Dado que muitas start-ups estão focadas em melhorar indústrias ultrapassadas através da disrupção e resolução de problemas do consumidor, o último local onde quer ser disruptivo e estar cheio de problemas é o escritório da sua start-up. Embora as start-ups tendam a mover-se de modo mais rápido que outras organizações, identificar primeiro as necessidades de marketing e responder às perguntas acima colocadas antes de publicar um anúncio de emprego pode não só economizar tempo e dinheiro, mas criar uma organização mais coesa, inovadora e bem-sucedida. 

21-11-2017


Portal da Liderança


Melinda Lewis Small

Melinda Lewis é uma profissional e instrutora de marketing digital sediada na Baía de São Francisco, nos EUA. Formada na School of Foreign Service da Universidade de Georgetown, em Washington, D.C., trabalhou no México, em Espanha e na França. Em 2016 foi considerada uma das consultoras de marketing Best ProFinder do LinkedIn (a plataforma ProFinder faz a ligação entre os consumidores e pequenas empresas a serviços de profissionais freelancers). Melinda dá ainda aulas de marketing, tendo lecionado Negócios Internacionais e Comunicações Interculturais em Paris num curso de verão entre 2013 e 2016.
Melinda Lewis trabalhou como consultora na Leadership Business Consulting em São Francisco, no desenvolvimento de novos negócios para start-ups portuguesas e dando apoio num programa de inovação em Silicon Valley.
Autora e ávida viajante, gosta de escrever sobre o futuro do trabalho, a sociedade e as nuances culturais.

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