O Potencial Económico do Espaço Lusófono: Temos mais em comum ou há mais que nos separa?

O Potencial Económico do Espaço Lusófono: Temos mais em comum ou há mais que nos separa?

Há algum tempo que reflito sobre a ideia do potencial económico da língua portuguesa e sobre as vantagens competitivas de uma cultura compartilhada entre vários países espalhados pelo mundo.  Como cientista politico, a minha atenção parte imediatamente na direção das instituições, dos atores e das decisões desse “bloco” lusófono.

Após 18 anos, a CPLP já deveria poder apresentar uma longa lista de sucessos e uma organização muito mais consequente. No entanto, continua a ser uma organização pequena, limitada e aparentemente sem grande urgência, ambições e recursos. A expectativa, especialmente por parte dos PALOP é enorme. Portugal revela-se atualmente incapaz de oferecer uma verdadeira liderança e recursos adicionais e o Brasil parece distraído com outras afiliações e organizações maiores e, certamente, mais mediáticas (BRICS, IBSA, etc.).

Assim sendo, pergunto, quem pensa no potencial diplomático, económico e cultural do espaço lusófono? Em que gabinete, departamento ou centro se estuda a importância de garantir uma voz lusófona no Conselho de Segurança, nas instituições de governança global, em reuniões de liderança empresarial global e em foros da sociedade civil? Que papel têm os países de língua portuguesa, individualmente e em conjunto, nas relações internacionais de hoje? Será que temos mais em comum ou há mais que nos separa? Apesar de pertencerem todos a blocos regionais diferentes com uma serie de prioridades distintas, e apesar das enormes assimetrias económicas e politicas, o que é que nos une e para que fim?

Para tentar responder a algumas destas perguntas, tanto por dever profissional como por interesse puramente pessoal, avançarei em breve com uma pesquisa através de um questionário eletrónico junto de uma amostra de lideranças do setor privado, nas três maiores economias lusófonas: Brasil, Portugal e Angola.

Este projeto será feito sob os auspícios do Brazil Institute do Kings College de Londres, uma cidade onde o interesse pelo português aumenta constantemente, tal como o interesse pela cultura dos vários países lusófonos. 

O projeto terá como ponto de partida um “survey” destinado a um grupo seleto de empresários/as, líderes económicos (associações empresariais, câmaras de comércio, associações de classes, etc.) e formadores de opinião (editores e jornalistas, consultores, académicos e ex-membros do governo, etc.).

Desta forma procurarei obter uma ideia do que pensa o setor privado desses países quanto ao potencial (principalmente económico) do espaço lusófono, da CPLP e do trabalho do governo e da diplomacia e no fomentar de um intercâmbio e de uma integração ainda maior.

Parto do princípio de que as pessoas mais diretamente ligadas a todo o tipo de atividade económico/comercial, como é o caso do comércio externo, da promoção comercial, das negociações comerciais, da defesa dos interesses económicos, entre outros, e os vários agentes nacionais de cada país (serviço diplomático, empresas, empresários, e associações de classe, etc.), terão opiniões bastante pertinentes sobre este tema.

Pretendo contrastar as opiniões do setor privado com a retórica oficial dos governos e da própria CPLP, a fim de fomentar uma discussão mais ampla e, eventualmente, de promover uma troca de melhores práticas e ideias.

Sinto um interesse crescente dos especialistas sobre o mundo lusófono e por informação relevante sobre esta. Será que os “outros” saberão alguma coisa sobre o potencial do mundo lusófono que nós desconhecemos?  


Joseph-MarquesJoseph Marques é doutorado pelo Graduate Institute of International and Development Studies em Genebra. Foi Visiting Fellow na Universidade de Oxford (2009 – 2010) e é atualmente afiliado com o Brazil Institute do King’s College em Londres.