Liderar sem ambição é como comer um prato insosso e sem cor

Liderar sem ambição é como comer um prato insosso e sem cor
No campo da liderança, vários fatores contam para o sucesso como o talento de quem lidera e o talento de quem é liderado. Não ter competência para as responsabilidades ou não ter experiência na pressão do cargo, leva a uma espiral de erros fatais.

Outro fator que resulta decisivo para fazer obra é o ser capaz de executar. Fazer acontecer as coisas. Não chega ter boas ideias e bons planos. Colocar no terreno as decisões tomadas é um dos feitos mais notáveis da liderança, porque torna visível o que antes era imaginário.

Não vou mais longe que um terceiro fator para garantir o sucesso absoluto. Ser ambicioso, ter ambição. O líder e as pessoas que com ele lideram, têm de sentir uma permanente ambição, não doentia mas vibrante, como um sensor que indica onde pretendem chegar com determinada missão.

Os líderes não podem simplesmente desempenhar as suas funções com competência. Não chega. Não podem simplesmente ser responsáveis e simpáticos. É bom, mas não chega. Não podem simplesmente ser humildes e dialogantes. É saudável, mas também não chega. Não podem simplesmente ser determinados e focados. É enérgico, mas não chega.

Todo o dito é importante e faz parte da equação do sucesso mas há um fator preponderante – “querer chegar lá”. “Querer chegar lá” como uma prova de vida – a ambição de atingir um feito ambicioso, como um desígnio. O desígnio não é a missão, é a visão.

Apreciando o entorno nacional, parece que a ambição do Governo foi a de aplicar o programa da Troika o melhor possível. Isso foi medíocre. Recuperar a credibilidade externa pagando tudo a tempo e horas, foi uma opção básica. Foi um trabalho sério, em alguns pontos ousado, mas sem ambição. A missão pode ter alguma dose de ambição, mas a visão foi medíocre.

Creio que “a liderança nacional” não sabe onde quer estar dentro de 3, 5 ou 10 anos. Não tem uma visão ambiciosa.

A ambição notar-se-ia em coisas como:
  • Colocar o país a crescer 5% ao ano, com medidas estruturais que nos animem a todos. Medidas que nos ponham a todos a fazer sacrifícios pessoais, mas a perceber que é para crescer. Dar um passo atrás hoje para dar dois para à frente amanhã.
  • Colocar o país unido em torno da sua história, da sua glória, e catapultar a sua raiva por estar a bater no fundo. Ser ambicioso nos valores da fraternidade, do respeito pelo semelhante, transferindo riqueza para as classes inferiores.
  • Colocar o país com uma performance laboral e de iniciativa ao nível das melhores da Europa.


Na minha vida profissional, sempre que estou numa aproximação a um novo desafio para ajudar uma empresa, a decisão mais difícil é dizer sim. Dizer que sim é mais fácil, pois é uma espécie de – está bem, vamos ver o que podemos fazer, vamos tentar. Mas dito assim é evidenciar falta de ambição. Empenho sim, mas não ambição.

A questão é que, se digo sim e aceito, só me resta o sucesso. Se digo sim e aceito, serei o mais ambicioso e estou certo que chegarei onde tiver que chegar.

Para mim, o S de sim é o mesmo S de sucesso.


Jose-Miguel-Marques-MendesJosé Miguel Marques Mendes nascido em Fafe em 1967, estudou em Braga, Guimarães e Aveiro, onde se licenciou em Engenharia Cerâmica e do Vidro e, no Porto, onde tirou o MBA em Gestão na Porto Business School. No âmbito profissional, exerceu em V.N. de Gaia, Badajoz (Espanha) e León (Espanha), Coimbra e o Porto. Com cerca de 20 anos de vida profissional, iniciou-se em 1995 no grupo vidreiro BA com uma carreira o levou de jovem estagiário a diretor executivo, em 9 anos. Em 2004 decide tornar-se um empreendedor e inicia uma nova fase da carreira com uma simbiose muito séria entre a gestão, o empreendedorismo e a liderança. É fundador de um grupo na área da saúde onde esteve até 2010. Em nova iniciativa, aceita liderar o grupo editorial e livreiro de Coimbra, Almedina. Em 2012, a veia empreendedora assume nova visibilidade e funda a Mistura Singular com mais 5 sócios com um propósito de através da gestão, ajudar os empresários a mudar o rumo das suas empresas. Em paralelo ao percurso profissional, vai alimentando a “dimensão liderança” das pessoas, incutindo-lhes a capacidade de ver para além do óbvio. Acontece, por um lado em processos formais de mentoring, mas também conversando sempre que é desafiado para tal. Quem com ele se relaciona, diz-se, não fica indiferente. O seu blog “Liderança sem diploma” é um sinal de que acredita que todos podem liderar, quanto mais não seja a si mesmos.