Três traços psicológicos que os líderes eficazes sabem como gerir

Três traços psicológicos que os líderes eficazes sabem como gerir

Os grandes líderes sabem não só como gerir comportamentos mas também identificar aquilo que está na sua origem. Característica que faz toda a diferença na forma como orientam os colaboradores e conduzem a organização.

Os líderes de topo têm toda uma gama de capacidades e características, mas uma das mais subestimadas é uma excelente perceção dos aspetos relacionados com a psicologia. Assim que, enquanto responsável por uma equipa, perceba o que motiva as ações das pessoas e as suas perceções – por exemplo, por que reagem de certa forma em determinadas situações, ou a razão pela qual têm o hábito de procrastinar – pode ajustar o estilo de gestão e a forma como lida com as causas desses problemas, em vez de apenas os seus sintomas.

Ter noções básicas de psicologia também leva os dirigentes a tornarem-se mais conscientes de si mesmos. E tal pode tornar-se num círculo virtuoso, porque ajuda-nos a ajudar os outros a alcançarem o autodomínio. Há três traços psicológicos principais que os líderes eficazes percebem na perfeição.

1. Motivação
Na sua grande maioria, as ações das pessoas são motivadas pela recompensa e afastam-se ao máximo do que causa dor. E, apesar de haver toda uma área de estudo dedicada a descobrir exatamente o que motiva os funcionários no local de trabalho, a dor é muitas vezes uma parte inevitável em muitas empresas à medida que estas crescem e evoluem. Há momentos em que a pessoa tem de superar os desafios e avançar pelas dificuldades para obter a recompensa. Os líderes inexperientes nem sempre são capazes de equilibrar estes dois aspetos porque não têm uma boa compreensão de qual é a motivação. Por vezes estão tão empenhados em evitar a dor a curto prazo que acabam por motivar os colaboradores com incentivos superficiais. Os bons dirigentes ajudam as suas equipas a sentirem-se envolvidas e capacitadas/com poder, quaisquer que sejam os obstáculos que enfrentam. Por norma, as pessoas estão motivadas a fazer um excelente trabalho quando sentem que este é significativo. É importante mostrar à sua equipa que o que ela está a fazer tem um impacto tangível e valioso no mundo real.

 

2. Medo e ansiedade
As situações difíceis surgem, não importa quem é ou onde trabalha. Os líderes eficazes têm de saber como lidar com as emoções decorrentes dos maus momentos – com os membros das suas equipas, bem como com eles próprios – a fim de tomarem decisões inteligentes. Se na sua empresa apenas podem contar consigo e o seu bom senso quando tudo corre bem, então ainda não é um líder eficaz. Tem de começar por reconhecer que o medo pode ser uma emoção devastadora em situações de negócios. Controlá-lo não é fácil, mas a experiência e concentração são fundamentais. 
Os bons líderes sabem como colocar em contexto os fatores que geram ansiedade para, em seguida, pensarem racionalmente sobre a forma como lidar com eles. O objetivo é contornar a reação automática – de luta ou fuga – que todos nós temos em situações que nos fazem sentir medo. Ou seja, dominar as reações instintivas para que possamos fazer escolhas lógicas. Os responsáveis que conseguem controlar as suas emoções e voltar ao raciocínio lógico podem, em seguida, mostrar às suas equipas como podem fazer o mesmo. Claro que acreditar nos produtos/serviços e na visão da sua empresa também ajuda. Quando se acredita naquilo que está a fazer é mais fácil ultrapassar o medo e superar quaisquer obstáculos que surjam pelo caminho.

 

3. Incerteza
O mundo dos negócios é pautado por muita incerteza e mudança, até se pode dizer que estes dois aspetos são as únicas certezas que existem. Ainda assim, a maioria das pessoas não gosta de mudanças. Os seres humanos são excelentes a fazer previsões sobre o futuro, mas se estas são fiáveis já é outra história. E a tendência de prever resultados negativos é um bom instinto de sobrevivência, dado que nos ajuda a evitar riscos desnecessários. Mas também é causadora de grande parte do medo e da ansiedade, que podem ser paralisantes.

 

Os bons líderes lidam com a incerteza quanto ao futuro de uma maneira que leva a boas opções, com visão, e não com decisões condicionadas pelo medo. E fazê-lo bem não é fácil, mas é um pré-requisito para a inovação. Nas condições certas, a incerteza quanto ao que o futuro nos reserva ajuda o dirigente a ver as oportunidades e a ficar predisposto em relação à informação que o mantém no percurso constante para a frente. Por outras palavras, os líderes eficazes podem aproveitar a incerteza para assumirem riscos calculados.

 

Numa visão muito simplista da liderança, poderíamos dizer que os líderes são mais corajosos que as “pessoas comuns”. Mas pode ser mais preciso afirmar que os bons dirigentes simplesmente aprenderam a compreender alguns dos fundamentos da psicologia do local de trabalho. Como quer que se coloque, os líderes precisam de ser capazes de ver aquilo que os outros podem ter tendência a perder ou passar ao lado. Se, enquanto responsável por uma equipa ou organização, conseguir entender os motivos, porque as pessoas pensam e se comportam de certa forma, pode tomar decisões inteligentes e manter os colaboradores envolvidos, independentemente dos obstáculos que forem surgindo.

Entretanto, sugerimos que faça o inquérito “Como está o sistema de desenvolvimento de liderança da sua organização?”, cujo objetivo é proporcionar uma forma simples de analisar a qualidade do desenvolvimento da liderança na sua companhia.

04-05-2017

Fonte: FastCompany.com


Portal da Liderança