Liderança - A Virtude está no Meio

Liderança - A Virtude está no Meio

Livro

Autor: Arménio Rego; Miguel Pina e Cunha
Edição: 2011
Páginas: 276

Editor: Actual 


Sinopse

Por todo o lado se ouvem apelos à prática da liderança honesta e virtuosa, que permita pôr cobro aos escândalos da vida empresarial, política e financeira, contribuindo para o bem comum. Num mundo hipercompetitivo, quando a falta de escrúpulos vence, é difícil pregar as virtudes da liderança virtuosa. E, no entanto, as virtudes são críticas para as empresas e para a sociedade. Este livro pretende mostrar de forma realista como as virtudes podem ser postas ao serviço da liderança eficaz, oferecendo linhas de orientação e reflexões que podem ajudar os líderes a serem mais bem sucedidos e felizes, as organizações a serem mais eficazes, e a comunidade a experimentar mais bem-estar.

Este livro destina-se a líderes e chefias de todos os níveis hierárquicos, atuando em qualquer tipo de organizações e sectores, a quem está agora a iniciar a sua vida profissional e a estudantes de todas as áreas. Uma vez que as virtudes são cruciais em casa, na sociedade, entre amigos e no trabalho, todos os leitores beneficiaram com a obra.


Entrevista

Portal da Liderança (PL): Para si, o que é o fundamental da liderança? 

Miguel Pina e Cunha (MPC): Apontar o caminho, dar o exemplo, não parar de melhorar. E cultivar as virtudes humanas. Em si – líder –, na equipa e na organização.

PL: Quais são as três qualidades mais importantes para um líder empresarial nos próximos 10 anos? 

MPC: Creio que as que mencionei acima não vão passar de moda. Para as lideranças portuguesas, aperfeiçoar a competência de liderança transcultural pode ter de ser maior.

PL: O seu artigo “Authentic leadership promoting store’s performance” foi premiado em 2013 na Indonésia. Como é que a prática da liderança pode potenciar os resultados alcançados? 

Arménio Rego (AR): A liderança autêntica não representa uma revolução, nem é fruto de qualquer revelação. É apenas a prática assente na integridade, na transparência, na confiança e na capacidade do próprio líder de compreender as suas forças e as suas fraquezas, e de respeitar as dos outros. O estudo premiado (em parceria com Dálcio Reis Júnior e Miguel Pina e Cunha) envolveu 591 colaboradores de 68 lojas de uma grande cadeia de retalho brasileira. Os resultados sugerem que as lojas cujos líderes são éticos e mais autênticos, são mais eficazes nos objetivos de vendas. Esse efeito ocorre porque os líderes mais autênticos promovem a virtuosidade (isto é, a confiança, o apoio mútuo, a integridade e o otimismo) das suas equipas, a qual aumenta o sentido de eficácia coletiva que, por seu turno, estimula o desempenho nas vendas.

PL: Qual o balanço que faz da prática da gestão em Portugal?

AR: As generalizações são perigosas. Mas creio que podemos melhorar se formos mais organizados. Se os líderes se preocuparem em dar o (bom) exemplo, em vez de apenas fazerem belos sermões. Se o mérito, e não o penacho, for mais premiado. Se forem partilhados com os empregados, não apenas os sacrifícios, mas também os dividendos alcançados com esses sacrifícios. Se o tempo for gerido de modo mais apropriado (todos os dias se perdem milhões de horas como consequência da falta de pontualidade e da má condução de reuniões!). Se se destruir metade da montanha burocrática e se centrar mais o foco nos resultados. Se a confiança se transformar em ativo fundamental em que líderes e liderados investem continuamente.

PL: Onde mais tendem a falhar os líderes? 

AR: Quando matam o mensageiro das más notícias. Quando se resguardam nas suas torres de marfim e não conhecem a realidade do terreno (o chão da fábrica, a vida concreta dos seus empregados). Quando pregam uma regra e são os primeiros a incumpri-la. Quando diminuem talentos, em vez de os multiplicarem. Quando desaproveitam potencial contido nas pessoas. Quando estão apenas presentes para punir e reprender, e se ausentam na hora de elogiar e premiar. Quando não partilham com os empregados o fruto do trabalho de todos.

Leia a entrevista completa com Miguel Pina e Cunha e com Arménio Rego.


Sobre o Autor
 

ArmenioRego

Arménio Rego é doutorado e agregado em gestão. Ensina na Universidade de Aveiro. É autor ou coautor de mais de quatro dezenas de livros nas áreas da liderança e da gestão de pessoas. É também autor ou coautor de mais de uma centena de artigos, sobretudo em revistas internacionais nas áreas do comportamento organizacional e da liderança/gestão de pessoas. Tem desenvolvido projetos de consultoria nestas áreas, e realizado dezenas de conferências, seminários, workshops e eventos de formação de executivos. Foi agraciado com diversos prémios, em Portugal e no estrangeiro.

MiguelPinaCunhaMiguel Pina e Cunha é professor catedrático na Nova School of Business and Economics. Os seus interesses de investigação incidem sobre dois temas principais: processos e paradoxos. Tem estudado os processos que conduzem à criação de organizações positivas bem como ao surgimento de ambientes tóxicos ou ultra-tóxicos (nomeadamente no caso de organizações genocidas). Publicou, em coautoria com os seus colegas, nomeadamente, com os outros autores deste livro, mais de uma centena artigos em revistas internacionais nos domínios da gestão, organizações e psicologia.


Opinião do Portal da Liderança

Este livro, publicado em Portugal e no Reino Unido, para além de ter a qualidade a que esta dupla de autores já nos habituou, traz uma reflexão necessária e, direi mesmo, premente, sobre esta questão da virtude na liderança. 

Muitos são os céticos quanto à possibilidade de se ser um líder de sucesso nos resultados financeiros da organização que presidem e ser-se, igualmente, um líder virtuoso.

Este livro vem ajudar a perceber quais os valores que um líder deve acarinhar e como conseguir ser líder quer nos negócios quer na virtude.

Quando chegar ao final, verá que, se começou a lê-lo enquanto cético, terminará rendido à possibilidade e, esperamos, à evidência.

Votos de uma boa e frutífera leitura!

Fátima Rodrigues