Os livros que todos os líderes deveriam ler

Os livros que todos os líderes deveriam ler

Bob Sutton, autor e docente em Stanford, tem uma lista de obras “que todos os líderes devem ler”. São livros que “me ensinaram muito sobre as pessoas, equipas e organizações – e, ao mesmo tempo, fornecem diretrizes úteis (ainda que por vezes indiretamente) sobre o que é preciso ter para bem liderar vs. liderar mal”, refere o americano. Criada em 2011, a lista acaba de ser atualizada, e conta com 12 obras, em que o professor faz a ressalva de que vai “contra a crença na esfera editorial de que as pessoas só compram e leem livros de negócios curtos e simples – e com apenas uma ideia”. Segue-se a lista, com os comentários de Sutton.

1. “The Progress Principle”, de Teresa Amabile e Steven Kramer. Uma obra-prima da gestão baseada em evidências – o argumento mais forte que conheço sobre “as grandes coisas serem as pequenas coisas”. 

2. “Influence”, de Robert Cialdini. O livro clássico sobre como persuadir as pessoas a fazerem algo, como se defender contra tentativas de persuasão, e as provas subjacentes. Uso-o nas aulas em Stanford há mais de 25 anos. E dezenas de alunos têm-me dito, anos depois de terminarem o curso: “não me lembro de muita coisa das suas aulas, mas ainda uso e penso naquele livro de Cialdini”. 

3. “Made to Stick”, de Chip e Dan Heath. Uma obra-prima moderna, e já é um clássico. Como conceber ideias de que as pessoas vão lembrar-se. Ainda olho para ele um par de vezes por mês e costumo comprar dois a três exemplares de uma só vez, porque as pessoas estão sempre a levá-lo emprestado e raramente o devolvem. E tem a melhor capa de livro de negócios de todos os tempos – a fita adesiva parece real. 

4. “Thinking, Fast and Slow”, de Daniel Kahneman. Para quem ganhou o Prémio Nobel, este livro é surpreendentemente percetível. É sobre como nós, seres humanos, realmente pensamos. E embora não tenha sido concebido para tal, Kahneman também mostra como e por que grande parte do que lemos na imprensa especializada é uma porcaria.

5. “Who Says That Elephants Can’t Dance”, de Lou Gerstner. Tirei-o da lista durante uns anos. Mas há cerca de um ano tive o privilégio de entrevistar Gerstner em Stanford, e, para me preparar, peguei de novo nele. A clareza com que o autor explica os problemas que enfrentou, as implacáveis ​​mudanças que fez para simplificar a estrutura da IBM, remover atritos, reduzir a confusão junto dos clientes, e livrar-se da concorrência interna disfuncional contém várias lições para todos os líderes, em todas as empresas, mesmo as mais admiradas, rentáveis e inspiradoras. 

6. “Orbiting the Giant Hairball”, de Gordon MacKenzie. É difícil de explicar, mas é um dos dois melhores livros sobre criatividade, e um dos melhores livros de negócios de qualquer tipo –mesmo que seja quase um livro anti-business. A voz do autor, o amor pela criatividade – como fazer acontecer, apesar dos obstáculos que as organizações sem coração colocam no caminho – fazem deste livro uma alegria. 

7. “Criatividade”, de Ed Catmull. Este é o melhor livro já escrito sobre o que é preciso para construir uma organização criativa. É o melhor devido à sabedoria, modéstia e autoconsciência de Catmull em cada página. Mostra como a grandeza da Pixar resulta de conectar as pequenas coisas específicas (e que qualquer um pode fazer em qualquer organização) ao grande objetivo que impulsiona todos na companhia: fazer filmes que os fazem ter orgulhoso uns nos outros.

8. “Leading Teams”, do falecido J. Richard Hackman. Quando se trata do tema grupos ou equipas, há o Hackman e há todos os outros. Se quer saber como as equipas realmente funcionam e o que é necessário para as construir, manter e liderar, com um homem que esteve imerso na questão enquanto investigador, técnico, consultor e designer durante mais de 40 anos, este é o livro. 

9. “Give and Take”, de Adam Grant. Adam é o investigador organizacional por excelência da sua geração. Este pode ser o livro mais importante deste século. Tem profundas implicações sobre como gerimos as nossas carreiras, lidamos com os nossos amigos e parentes, criamos os nossos filhos, e projetamos as nossas instituições. É uma ótima leitura, e quebra o mito de que a ganância é o caminho para o sucesso. Adam mostra-nos como e porque não precisa de ser um filho da mãe egoísta para ter sucesso nesta vida. O mundo seria um lugar melhor se todos memorizássemos e aplicássemos a visão de Adam. Adoro este livro – estou sempre a falar nele aos estudantes e executivos de Stanford, sobretudo quando se preocupam em voz alta que, para chegar a algum lado, a única escolha é ser um idiota egoísta. 

10. “Parkinson’s Law”, do falecido Cyril Northcote Parkinson. Provavelmente já ouviu falar na Lei de Parkinson, que surgiu pela primeira vez na revista The Economist em 1955: “o trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para a sua conclusão”. Parkinson foi um um estudioso da administração pública, historiador naval e autor de mais de 60 livros. Fiquei impressionado com os seus argumentos, provas, e sarcasmo de inglês deliciosamente educado sobre os efeitos negativos e previsíveis do tamanho do grupo e do inchaço administrativo.

11. “Vender é Humano”, de Daniel H. Pink. Pode perguntar o que tem isto a ver com gestão e liderança. Leia o livro. Dan faz um trabalho magistral ao mostrar como, para liderar e motivar os outros, para proteger e melhorar a reputação das pessoas, equipas e organizações, e ter carreiras de sucesso, todos nós precisamos de ser capazes de vender as nossas ideias, produtos, soluções, e sim, nós mesmos. A capacidade do autor como contador de histórias é o que coloca este livro tão acima dos outros. É divertido de ler, e não distorce ou exagera os resultados.

12. “The Path Between the Seas”, do historiador David McCullough. É sobre a construção do Canal do Panamá. E uma grande história de como a criatividade acontece em grande escala – é confuso, as coisas corem mal, há pessoas feridas, mas também triunfam e fazem coisas surpreendentes. Gosto deste livro porque é o antídoto para quem acredita que todas as grandes inovações vêm de start ups e pequenas empresas (embora existam alguns exemplos de empreendedorismo na história, como o francês que projeta a revolução do Panamá – que incluiu uma nova bandeira e a declaração de independência – a partir da sua suite no Waldorf Astoria, em Nova Iorque, e vende a ideia com sucesso a Teddy Roosevelt). Se quiser saber mais, arranje tempo para ler esta maciça obra-prima. 

Sugiro ainda “Originals”, de Adam Grant, que é lançado em fevereiro, e a que tive acesso – é impressionante. Ele oferece uma visão criativa e construtiva sobre como desafiar o status quo sem arriscar tudo e de forma a aumentar as hipóteses de sucesso. É baseado em evidências, dado que Adam é um excelente investigador, mas o melhor é a sua voz – ele é maravilhoso, inteligente, e autodepreciativo, o que transparece no livro. 

Fonte: Pulse  

29-01-2016  


BobSuttonBob Sutton, professor na Universidade de Stanford, estuda e escreve sobre liderança e mudança organizacional. O seu livro mais recente, em coautoria com Huggy Rao, é “Scaling Up Excellence”. Lançou, com Huggy Rao, o Designing Organizational Change Project, um hub em Stanford para os líderes e académicos interessados nos desafios colocados pelo desenvolvimento de estratégias e ferramentas que ajudam líderes e equipes a mudar as organizações para melhor.