Vedações e muros fronteiriços – barreiras à competitividade

Vedações e muros fronteiriços – barreiras à competitividade

A 14 de junho de 1985, perto da cidade luxemburguesa de Schengen, cinco países europeus assinaram o acordo que levou à abolição de fronteiras na Europa. Atualmente, com o fluxo em massa de migrantes que procuram asilo no velho continente, a Hungria está a impedir que se prossiga mais para norte, com um muro de quatro metros de altura ao longo de seções da fronteira com a Sérvia – país que não faz parte do espaço Schengen. Entretanto, a Áustria também já começou a construir uma barreira através da passagem de Brenner, na fronteira italiana (na imagem, as linhas a encarnado estão concluídas ou em construção, as a verde são as que estão planeadas).

Mas não é só na Europa que se erguem muralhas. Nos EUA, por exemplo, o candidato republicano às eleições presidenciais, Donald Trump, quer construir um muro na fronteira com o México. E o medo crescente de terroristas em solo americano levou à reintrodução de um visto para “certos europeus” – aqueles que nos últimos cinco anos tiverem viajado para o Irão, Iraque, Sudão e Síria, ou tiverem dupla cidadania destes países.

Na Europa, qual seria o impacto de restabelecer as fronteiras? Os cidadãos teriam de enfrentar custos há muito esquecidos: os do norte do continente teriam de passar por longos engarrafamentos na passagem de Brenner a caminho dos destinos de férias no sul. Os mercados de trabalho também seriam afetados, com 1,7 milhões de pessoas a cruzar fronteiras europeias todos os dias para ir trabalhar. Os preços ao consumidor subiriam devido à desaceleração forçada e aos ajustes necessários ao longo da cadeia de fornecimento; o tempo de espera e as inspeções nas fronteiras teriam de ser tidos em conta nos preços dos bens; teria de haver alterações nos conceitos just-in-time – aplicados em grande parte na produção na indústria automóvel – e na distribuição eficiente de produtos de alimentação para fora dos centros urbanos. Muitos dos artigos disponibilizados por acordos bilaterais e multilaterais iriam desaparecer das prateleiras dos supermercados.

E a posição competitiva também seria afetada. A Europa, por exemplo, pode ficar numa situação desfavorável perante uma Ásia que continua a apostar na integração.

Fontes: The Economist/Fórum Económico Mundial

05-05-2016


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