Brexit – Princípio do fim da globalização?

Brexit – Princípio do fim da globalização?

O referendo do Reino Unido abalou a equidade e os mercados financeiros do globo. Com efeitos negativos sistémicos nas finanças, no comércio e na mobilidade laboral, o Brexit marca um grande revés para a globalização. Carmen Reinhart, professora na Harvard Kennedy School, refere num artigo para o Fórum Económico Mundial que as ondas de choque resultantes do Brexit provavelmente não vão espalhar-se tão rapidamente por comparação com a crise financeira de 2008 ou os episódios asiáticos de 1997 e 1998. Mas, acrescenta, os efeitos colaterais também não vão desaparecer tão cedo. 

Como refere a docente universitária, o comércio, as finanças, e questões relacionadas com a imigração no Reino Unido são assuntos demasiado complexos para serem renegociados rapidamente. E, entretanto, muitas transações transfronteiriças de bens, serviços e ativos financeiros são suscetíveis de ser colocados em espera. Assim, e mesmo se não surjam outras “saídas” no resto da Europa, parece provável um período prolongado de incerteza nos mercados de capitais globais, considera Carmen Reinhart. E dá um exemplo: a crise financeira de 2008-2009 resultou na maior queda sincronizada no comércio mundial desde a Grande Depressão dos anos de 1930. E o comércio global ainda não recuperou a trajetória: desde 2008 os volumes de exportação aumentaram em apenas cerca de metade da taxa média anual no período pré-crise (3,1%, como se vê na imagem, do Project Syndicate). Na Europa sofreu uma desaceleração ainda mais acentuada.

Assim, a crise financeira global representou um golpe significativo para a globalização, sobretudo nas áreas de comércio e finanças. Agora o Brexit desfere novo golpe, acrescentando à lista a mobilidade dos trabalhadores.

A professora sublinha que os mercados financeiros não lidam bem com a incerteza. Pelo que, e com o mundo a passar por um crescimento anémico e baixos níveis de investimento, Carmen Reinhart frisa que qualquer plano de controlo de danos adequado deve incluir a resolução imediata das novas regras do jogo para a Grã-Bretanha e sua relação com a União Europeia.

Fonte: Fórum Económico Mundial

01-07-2016 


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