Lições de liderança com Warren Buffett

Lições de liderança com Warren Buffett

Na carta anual aos acionistas da Berkshire Hathaway destacam-se três principais traços de liderança em Warren Buffett.

A comunicação para os acionistas da Berkshire Hathaway foi escrutinada pelo mundo em termos económicos e de investimento. Mas também pode ser vista como um documento de liderança. Aliás, mostra por que Buffett tem sido tão bem-sucedido, não apenas como investidor mas também como líder de negócios, sendo que há três características que se destacam.

É otimista. Tal como quase todos os anos, sobressai a atitude positiva. Ninguém nunca respondeu ao apelo de alguém que diz: “A nossa situação é desesperada. Sigam-me”. Os líderes eficazes descobriram como ser otimistas enquanto enfrentam a realidade, independentemente das circunstâncias. Warren Buffett fê-lo ao responder aos então candidatos presidenciais dos EUA, que “não conseguem parar de falar sobre os problemas do nosso país (e que, naturalmente, só eles podem resolver). Como resultado desta toada negativa, muitos americanos agora acreditam que os filhos não vão viver tão bem como eles vivem”. Disparate, diz Buffett. “Os bebés na América de hoje são a colheita mais sortuda da história”.
Ilusões infundadas? Através de matemática simples, Warren Buffett explica o seu argumento. E mostra que mesmo “os muito lamentados 2%” de crescimento anual na economia dos EUA nos últimos anos “oferecem ganhos surpreendentes” em apenas uma geração. E está certo. A este ritmo, e se a população americana continuar a expandir-se como agora, o PIB real per capita vai crescer 34,4% em 25 anos – o que é um aumento gigante, e que Buffett explica com base em factos concretos, sendo difícil contestar a sua conclusão, de que “as crianças da América vão viver muito melhor que os seus pais”.

Explica o que está a fazer de modo a que qualquer um perceba. É importante confiar nos líderes, mas todos nos sentimos mais confortáveis sabendo o que estão a fazer e porquê. Parte da genialidade de Warren Buffett tem sido a sua capacidade de explicar a parte financeira de um conglomerado massivo em linguagem que as pessoas comuns percebem. Nesta carta, ele dedica a maior parte do documento a explicar exatamente como cada um dos principais negócios da Berkshire opera e o desempenho que tiveram. Não pede para confiarmos nele, mas acabamos por confiar.

Admite os erros e não tenta disfarçá-los. Será que há outro líder que, a cada ano, reconhece os seus erros de forma tão aberta como Warren Buffett? Mais uma vez, nesta carta admite “graves erros que fiz no meu trabalho de alocação de capital” e erros “na avaliação quer da fidelidade ou da capacidade dos gestores incumbentes ou aqueles que nomeei mais tarde”. E, como de costume, vai mais longe: “Vou cometer mais erros; podem contar com isso”. De novo, faz com que confiemos mais nele e não o contrário. No entanto esta é uma lição que a maioria dos líderes ainda não aprendeu.

O CEO da American Express, Ken Chenault, um líder que Warren Buffett admira – a Berkshire detém quase 16% da companhia – diz que “o papel de um líder é definir a realidade e dar esperança. Não vai encontrar isto melhor feito que na forma como Buffett o faz na carta deste ano”.

16-03-2016

Fonte: Fortune


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