Como crescer a partir do “não”

Como crescer a partir do “não”

Vadim Vladimirskiy, CEO da tecnológica americana Nerdio, partilha na Business.com o seu percurso para ajudar outros a alcançarem o “impossível”.

Com os seus 20 anos enquanto empreendedor na área de tecnologia, Vadim Vladimirskiy não é alheio à palavra “não”, refere na Business.com o CEO da americana Nerdio, plataforma de gestão e automação de tecnologias de informação (TI) na cloud. O empreendedor começa por relatar que lhe foi assegurado por especialistas que a solução que queria criar não poderia – ou não deveria – ser criada. E que lhe foi sempre dito por profissionais com anos de experiência que o ele queria realizar, tecnologicamente falando, era impossível. Por outras palavras, enfrentou o ser posto em causa e o ceticismo constantes ao desafiar o que todos aceitavam como sendo as melhores práticas ou regras básicas, embora ele visionasse uma abordagem melhor – e tal não foi fácil de enfrentar, revela. Mas, adianta, “não deixei que as dúvidas ou incertezas dos outros me parassem, e criei mesmo aquela solução ‘impossível’. O caminho não se fez sem dificuldades, mas aprendi três lições-chave com as minhas experiências que penso que todos os empreendedores devem seguir”. E é o que apresentamos:

1. Ser resiliente
Um dos “não” mais memoráveis recebido por Vadim Vladimirskiy deu-se quando a sua jovem empresa de tecnologia, a Nerdio, tinha acabado de lançar os serviços de hospedagem de desktops, e estavam a trabalhar na parte técnica da logística, enquanto tentavam “obter um lucro decente”. O empreendedor recorda que tinha conhecido um especialista de renome em virtualização e escritor, a quem perguntou se lhe poderia dar algum conselho. Quando lhe explicou o que a sua empresa estava a fazer e o que esperava alcançar, o especialista disse-lhe de modo perentório que tal pura e simplesmente não poderia ser feito.

Vadim Vladimirskiy conta que ficou arrasado. Pensava que tinha uma ótima ideia de negócio, uma verdadeira oportunidade de mercado, e que tinha o conhecimento e a paixão para construir o que tinha imaginado – e o reconhecido veterano da área, que ele admirava e respeitava, derrubou-a por terra. Mas, mesmo estando em baixo, explica que não conseguiu ignorar o seu instinto, que lhe dizia que a sua ideia funcionaria e que tinha de manter o curso e continuar a perseguir o seu sonho.

No final, declara, não só provou que o especialista estava errado, como a história se repetiu inúmeras vezes ao longo da sua carreira. Pelo que aconselha a que “confie em si e nos seus instintos, não se baseie em afirmações e permaneça resiliente perante os pessimistas – mesmo quando parece que eles sabem (ou deveriam) saber mais”.

2. Ser paciente
Quando Vadim Vladimirskiy arrancou com a empresa, o conceito de “infraestrutura de TI como um serviço” não existia. Resumindo, trata-se de pegar em todas as partes de um ambiente de TI que as pessoas costumam comprar de forma separada – servidores, e-mail, aplicações, segurança, etc. – e empacotá-las numa única e simples oferta-padrão fácil de usar. Para o agora CEO, o valor parecia óbvio: “quem não gostaria de transformar o que era tedioso, desajeitado e pesado em algo simplificado, livre de stress e fácil? Quem não gostaria de obter qualidade ao nível de uma Fortune 500 pelo preço da loja da esquina?”.

No entanto, acrescenta, se está a fazer algo de novo e até superior, o mercado não estará logo pronto para o aceitar. Precisa de estar preparado para uma resposta inicial menos que entusiasmada. Isso significa exercitar a paciência, não apenas em relação aos outros, mas também no que diz respeito a si próprio. O executivo refere que conhece muitos empreendedores que trabalham “no duro”, mas também são duros consigo mesmos, e é fácil interpretar a falta de resposta imediata do mercado como uma falha própria. Saiba que não é, diz Vadim Vladimirskiy. Com paciência e persistência, verá que pode transformar essa reação em “Uau! Como posso participar?”, assegura.

Assim, se é impaciente, pode ser benéfico criar estratégias para ajudar as pessoas e o mercado a perceberem o que está a querer fazer. E dá o exemplo de empresas de TI como a Nerdio, em que por vezes têm de traduzir os benefícios das soluções aos clientes finais, que geralmente sabem pouco (e não poderiam mostrar menos interesse) sobre as especificações de coisas como servidores e desktops. Mas, no final, “temos de lhes mostrar que eles e, mais importante, os seus negócios, podem beneficiar muito com o que temos para oferecer”.

3. Ser humilde
Quando imigrou para os EUA, aos 13 anos, Vadim Vladimirskiy não falava uma palavra de inglês. Relembra que foi difícil, especialmente naquela idade. Mas estabeleceu como meta ter um MBA pela Kellogg School of Management para que pudesse aprender tudo sobre a criação de um negócio próprio. E foi o que acabou por fazer. No entanto, logo descobriu que o funcionamento de um negócio em teoria e a realidade “são duas bestas completamente diferentes”.

Quando se é jovem, verde e empolgado com o seu produto e com o valor único que acredita que oferece, diz, parece que é tudo o que precisa para o tornar num grande sucesso. Mas esta foi uma grande lição para Vadim Vladimirskiy: só porque tem um produto incrível não quer dizer que todos o vão comprar imediatamente. Ser humilde não se trata apenas de ter modéstia ou equilibrar o ego – tem também a ver com não ter medo de reconhecer que não conhece tudo.

No seu caso, o CEO da Nerdio aprendeu que os seus maiores desafios estavam em arranjar clientes e permanecer acima do ruído do setor. Embora tenha dado estes tópicos nas salas de aula, Vadim Vladimirskiy admite que não foram o primeiro (ou mesmo segundo) foco quando iniciou o negócio. E admite que, para ter sucesso, muitas coisas precisam de estar certas, e ter um ótimo produto é apenas o começo.

Por fim, pede que, sempre que virmos um empreendedor de sucesso a ser capa de jornais e revistas ou a lançar negócios inéditos, nos lembremos que o caminho percorrido não foi fácil ou sem falhas. E aconselha a permanecer no caminho, ser paciente consigo mesmo e com os outros, e não hesitar em aprender algo de novo.

03-10-2018


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