Tomo Psico: "O líder tem de conhecer o modo de ser e estar do nosso povo

Tomo Psico: "O líder tem de conhecer o modo de ser e estar do nosso povo


TomoPsico
F
omos recebidos por José Tomo Psico, Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Turismo de Moçambique (INATUR), que partilhou connosco saber adquirido e importantes inputs para todos os líderes da lusofonia e interessados em investir e operar em Moçambique.   


   
Portal da Liderança (PL): Tem tido cargos de relevo na academia, na política e nas empresas. Quais os principais princípios de liderança que têm norteado a sua vida?

Tomo Psico (TP): Tive uma infância humilde, perdi os meus pais muito cedo. Certamente, que esta faceta da minha vida contribuiu bastante para desenvolver em mim os valores que até hoje me orientam. O respeito pelas pessoas é um deles, pois as pessoas são generosas e dão o melhor de si quando são valorizadas e respeitadas. Outro é a gestão participativa, o saber delegar e ter a consciência de que as coisas só acontecem se eu fizer com que elas aconteçam, ou seja, saber definir objetivos e lutar por alcançá-las (perseverança e necessidade de aprendizagem contínua). Também acredito que o que eu penso e sei nem sempre está correto e nem todos o entendem, pelo que valorizo o saber ouvir e comunicar com os outros. Enquanto pai de cinco filhos também constatei que estes aprendiam mais facilmente com base no exemplo do através das palavras, pelo que privilegio o valor da integridade.


PL: Que recomendações daria aos jovens moçambicanos que desejam ascender a cargos de liderança empresarial?

TP: Apenas um, que tenham amor ao trabalho. Um líder não é um chefe, pois os chefes são obedecidos e os líderes são seguidos. Isto pressupõe que estes saibam motivar, inspirar confiança e lealdade.


PL: Que recomendações daria aos líderes das empresas internacionais que desejam investir e crescer em Moçambique?

TP: Que conheçam o modo de ser e estar do nosso povo, não esquecendo a observância da legislação e que as suas empresas sejam socioeconomicamente responsáveis. Estes não se devem restringir à procura do lucro, mas terem uma visão holística numa ótica de continuidade e sustentabilidade, e seguirem a tríade do lucro + responsabilidade social + responsabilidade ambiental. 


Tomo Psico aconselha todos os líderes de empresas internacionais que desejem investir e crescer em Moçambique a, entre outros, conhecerem o modo de ser e estar daquele povo.


PL: 
Quais são os quatro principais desafios que confrontarão os líderes políticos moçambicanos nos próximos 10 anos?

TP:
 Os de manter a estabilidade política, melhorar as condições socioeconómicas do povo moçambicano, redefinir a política e a estratégia de enquadramento da juventude na sociedade e olhar com mais atenção para a questão ambiental no país. Isto, sem contudo, descurar as mudanças necessárias advenientes da envolvente regional, continental e internacional.


PL: Para si, o que é o fundamental da liderança?

TP: O alcance de resultados.

PL: Qual foi a situação que o fez aprender mais em termos de liderança e o que aprendeu?

TP: As convulsões laborais numa empresa de têxteis da qual era diretor geral, entre os anos 1985-1992. Estas ensinaram-me a ser paciente, a saber manter a serenidade e a saber ouvir.


PL: Quais são os três principais desafios que confrontarão os líderes políticos nos próximos 10 anos?

Tomo PsicoTP: Conseguir preservar a estabilidade política e ambiental no Mundo; a nova ordem económica internacional e repensar o papel das instituições de cooperação internacional; e o desafio de humanizar a globalização. 


PL: Quais são as três qualidades mais importantes para um líder político nos próximos 10 anos?

TP: integridade, a lealdade e o humanismo. Deve ser alguém que tenha a preocupação de colocar todo o seu saber em prol da melhoria do bem-estar das pessoas.


PL: Onde mais tendem a falhar os líderes políticos?

TP: Na operacionalização das suas promessas eleitorais e na obsessão pela manutenção do poder independentemente de responderem ou não às aspirações na base das quais foram eleitos.


PL: Um dia o que é que o mundo vai dizer de si?

TP: Espero ter feito diferença nas organizações por onde passei. Em todas elas aprendi bastante e dei tudo de mim.


José Augusto Tomo Psico é Ph.D em Gestão Global, Estratégia e Desenvolvimento Empresarial pelo ISCTE – Business School (Lisboa). Com uma carreira profissional de 35 anos de experiência nas áreas de Finanças e Gestão Empresarial, começou a sua carreira no ramo da banca. Está atualmente no Banco Central no sector de Supervisão Bancária e, em acumulação, exerce as funções de Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional do Turismo, não executivo. Ao longo destes anos desempenhou muitas outras funções destacando-se a de professorado e as de direção. É docente de Finanças Empresariais na Universidade Eduardo Mondlane e na Universidade Politécnica. Na Universidade Eduardo Mondlane leciona também as disciplinas de Organizações & Gestão, bem como Economia Política do Desenvolvimento Internacional, a nível do mestrado. Na esfera empresarial assumiu cargos de direção em várias empresas como a Empresa de Têxteis - Texlom, Sarl e a Sociedade Moçambicana de Administração e Gestão de Bens, Sarl - SMAGB, nesta última como administrador delegado em representação do Banco de Moçambique. Na política, é membro do Partido FRELIMO há mais de 30 anos; eleito, no último Congresso do Partido FRELIMO, membro do Comité Central e Secretário do Comité Central para a Área Económica. É membro fundador da Associação dos Economistas de Moçambique (AMECOM).

 [Leia aqui mais entrevistas]                                                                   [Topo]