Carlos Oliveira: Temos de reforçar a autoestima coletiva

Carlos Oliveira: Temos de reforçar a autoestima coletiva
CMO-BLA  

C
arlos Oliveira, líder da Leadership Business Consulting, que este ano volta a organizar os galardões da liderança Best Leader Awards, refere que "O foco na lamúria, na indignação e na culpabilização não nos leva longe".

A cerimónia de entrega de prémios na Califórnia, que acontece este ano pela primeira vez fora de Portugal, será a 26 de Abril. Já o evento em Lisboa acontece no dia 26 de Maio.


Atualmente, quais os principais desafios de liderança em Portugal?

Perante a gravidade da situação e as adversidades económicas, o caminho que o país tem de seguir é muito estreito. Por isso os líderes políticos deverão trabalhar para construir consensos e uma visão de médio prazo mobilizadora dos cidadãos e que atraia investimento para o país, mais do que serem tentados por objetivos pessoais e de curto prazo. Precisamos de um projeto de país. No plano financeiro, um entendimento estável sobre o tratamento da dívida. No plano económico, uma visão da especialização económica e de investimento plurianuais. No plano geopolítico, etc., etc.


As lideranças em Portugal estão a falhar?

Nós portugueses, castigamos demasiado os líderes que temos. É histórico. Por natureza, somos agnósticos em relação aos que têm poder, político, económico, social. Em momentos de crise, isso agudiza-se. É fácil apontar dedos. A situação é muito complexa. A liderança tem de ser exercida a vários e a muitos níveis, desde muito cá em baixo. Todos temos responsabilidades a exercer. Não há Dom Sebastião. A responsabilidade pelo sucesso ou insucesso é coletiva. 


Mas quem é líder terá maiores responsabilidades.

Sim, a liderança faz toda a diferença na sociedade. A condução política tem ficando aquém, falta um golpe de asa ao governo e à oposição. Aos “senadores” também, fomentam o desencanto em vez de ajudar. Há demasiada confrontação política.


A chave está na construção serena de consensos pragmáticos, em dar ânimo e não na acrimónia e no ruído político. 



A nível empresarial também já deveria ter havido um grande movimento e convergência dos principais empresários e gestores em prol de um compromisso e uma solução para o país. Vejo “tiradas” individuais, mas pouca capacidade de formular um caminho estruturado e de trabalho conjunto.


De que forma se distingue um líder dos demais?

É simples. Um líder tem seguidores. Tudo o resto são construções teóricas. O poder do líder está nos seus seguidores. Não está em si. Um líder isolado, já não o é.


Quais as caraterísticas e competências mais marcantes e importantes num líder para ser eficaz?

De forma muito resumida, cinco coisas. Primeiro, as qualidades pessoais como o carácter, a coragem e a resiliência, constituem a base da liderança, ou as raízes. A capacidade de definir uma visão mobilizadora é a trave mestra da liderança, ou o tronco. A capacidade de transformação e de inovação é a força pragmática, ou os ramos. A capacidade de obter resultados é a prova da liderança, os frutos. O desenvolvimento de terceiros e de outros líderes é a sustentabilidade da liderança, a semente da continuidade.


Há diferentes tipos de liderança?

Tantos quantos há pessoas. Cada líder é único.


Ser líder hoje é diferente?

A realidade é diferente e por isso ser líder hoje é diferente. O nível de exigência é muito superior e as condições do exercício do poder político ou da liderança empresarial são menores. Isto funciona como uma balança. De um lado, temos a realidade, … caracterizada por situação de bancarrota, soberania muito limitada, elevada dívida que nos impõe pagamentos muito pesados, recessão nos principais mercados tradicionais recetores das nossas exportações, uma Europa cujas políticas penalizam os países da periferia como Portugal. Do outro lado da balança, se não tivermos líderes com o mesmo peso, muita maturidade e bom senso, decisões maduras e unidade de ação, não equilibramos a balança.


O Best Leader Awards deste ano traz alguma novidade?

Vai haver uma edição na Califórnia, cujo evento de atribuição de prémios será no dia 26 de Abril. Em Portugal será no dia 26 de Maio. Os vencedores já foram selecionados e serão anunciados semanalmente no SOL, como em anos anteriores. 


E qual é a mensagem da iniciativa este ano?

O foco na lamúria, na indignação e na culpabilização, não nos leva longe.


Temos de reforçar a autoestima coletiva e de procurar novas soluções, arregaçar as mangas e assumir compromissos em todos os níveis da sociedade.



Ao destacar líderes concretos que inspiram a sociedade, o Best Leader Awards dá o seu contributo nesta direção.


Qual a sua referência de liderança política na história?

Nelson Mandela, porque tem uma liderança marcada por princípios éticos, formatada pelo carácter e construída na adversidade.


Qual a sua referência de liderança empresarial na história?

Jack Welch porque associa a liderança à capacidade de execução e deixou um legado de referências práticas.



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Carlos Oliveira é Presidente do Conselho de Administração e fundador da Leadership Business Consulting. Com uma vasta experiência em consultoria de gestão e de Alta Direção, passou anteriormente pelas empresas multinacionais Andersen Consulting, hoje Accenture, e pela DHV Consultants. Coordenador da Sociedade da Informação e Governação Eletrónica na UMIC, Presidência de Conselho de Ministros, durante dois anos, definiu os planos de ação nacionais para a Sociedade da Informação e Governação eletrónica e do Programa Nacional das Compras Eletrónicas. Exerceu em 1991 funções de Deputado à Assembleia da República pelo círculo eleitoral Fora da Europa e Membro das Comissões Parlamentares de Economia, Finanças e Plano Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades Portuguesas. É vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Sul Africana (CCILSA).

 

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