Daniel Goleman: "As mulheres têm em média uma maior inteligência emocional"

Daniel Goleman: "As mulheres têm em média uma maior inteligência emocional"

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Daniel Goleman, codiretor do Consortium for Research on Emotional Intelligence in Organizations, diz-nos que, embora as mulheres tenham em média uma maior inteligência emocional, "quando olhamos para os 10% dos líderes mais eficazes, vemos que não há diferenças entre homens e mulheres, são líderes completos."  



Daniel Goleman, em entrevista ao Big Think, falou sobre o que é a Inteligência Emocional, as diferenças homem/mulher e entre culturas.

O que é a Inteligência Emocional?

A Inteligência Emocional refere-se a como nos gerimos a nós mesmos e às nossas relações envolvendo quatro competências:
  • Autoconsciência
  • Autogestão
  • Empatia
  • Competências sociais
A autoconsciência refere-se a saber o que estamos a sentir e porque o sentimos, sendo a base da intuição e da tomada de decisões.

A autogestão remete para o saber gerir as nossas emoções geradoras de stress, de modo a não nos prejudicarem e apenas as vivenciarmos quando têm um propósito e precisamos de aprender com elas. Ao nível das emoções é deixarmo-nos envolver e entusiasmar, é o alinhar as nossas ações com as nossas paixões.

A empatia é saber o que os outros estão a sentir.

Já as competências sociais é o juntar de todas as anteriores e originar competências relacionais.

Estamos a tornar-nos emocionalmente mais inteligentes?

O coeficiente de inteligência tem vindo a aumentar nos últimos 100 anos mas relativamente ao emocional isso não tem acontecido, como evidenciam os indicadores que há de descontrolo a nível emocional.

São as mulheres mais emocionalmente inteligentes do que os homens?

A inteligência emocional envolve várias capacidades. As mulheres tendem a ser melhores em média, especialmente ao nível da empatia emocional, ao terem uma maior facilidade em sentirem o que o outro está a sentir. Também nas competências sociais revelam melhores capacidades, ao terem uma maior facilidade em fazerem os outros sentirem-se bem entre si e em grupo. Quanto à autoconfiança, especialmente em grupos e no gerir das emoções mais stressantes, também conseguem destacar-se.
O interessante é que quando olhamos para os 10% dos líderes mais eficazes, vemos que não há diferenças entre homens e mulheres, são líderes completos.


Quais as culturas com maior inteligência emocional?

A inteligência emocional é global mas toma aspetos diferentes em diferentes locais. O Japão tem um conjunto de regras de interação social muito rígido, onde os americanos tendem a falhar e a não conseguirem perceber os comportamentos ou onde falharam. Já no Brasil é a situação inversa, como também na Itália.




Daniel Goleman é doutorado em psicologia pela Universidade de Harvard. Trabalhou durante vários anos como jornalista de investigação no The New York Times. Autor bestseller, o seu artigo What Makes a Leader figura como um dos 10 mais lidos de todos os tempos. Goleman é diretor do Consortium for Research on Emotional Intelligence in Organizations na Rutgers University. É ainda cofundador do Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning da Universidade de Illinois, em Chicago.

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