João Pedro Pereira: África do Sul precisa de inovação e tecnologia com qualidade

João Pedro Pereira: África do Sul precisa de inovação e tecnologia com qualidade

João Pedro Pereira, Diretor da AICEP na África do Sul, refere que "África do Sul precisa de inovação, de tecnologia e de produtos e serviços com qualidade" e que "há espaço para as empresas portuguesas que tenham a capacidade de complementar o deficit tecnológico existente e que tenham produtos e serviços que representam o mais avançado “estado da arte”. 

Portugal vai liderar as matérias relacionadas com as TIC e com o desenvolvimento infraestrutural portuário e ferroviário de forma exclusiva em África do Sul.


Portal da Liderança (PL): É Diretor do Escritório da AICEP em Pretória. Como vê a evolução do mercado de África do Sul?

João Pedro Pereira (JP): Acredito que a África do Sul tem condições para continuar na liderança das economias africanas. O País tem um nível de desenvolvimento, uma rede de infraestruturas e um planeamento para o crescimento, assente no investimento público e na atração de investimento privado. Há consciência de que a melhoria das condições para o investimento é fundamental para a criação de emprego, que é o principal objetivo da Governação Sul-Africana. Esse esforço foi plasmado na legislação de proteção de investimento publicada há duas semanas que, em conjunto com as garantias Constitucionais já existentes, comprova que a África do Sul é um país respeitador da iniciativa privada e protetor do investimento. Estas opções legislativas são passos consistentes que demonstram o reconhecimento do valor e a indispensabilidade da economia de mercado no país africano, onde a presença das grandes multinacionais é mais significativa.

PL: A nível do crescimento regional de África do Sul, quais os desafios que se colocam para o futuro próximo?

JP: A África do Sul é a grande potência regional e o peso das suas responsabilidades tem vindo a aumentar significativamente, nomeadamente com a liderança da Comissão da União Africana, desempenhada pela Srª Nkosazana Dlamini-Zuma, e com a entrada no Grupo dos BRICS. Circunstâncias que demonstram o exponencial crescimento da sua influência em África e no Mundo. Os sinais políticos que temos assistido, nomeadamente os relacionados com a internacionalização da sua economia, colocam a região como ponto focal. A África do Sul quer ter uma palavra a dizer no crescimento dos países da região e tem desenvolvido uma estratégia de aproximação e de posicionamento empresarial naqueles que estão em desenvolvimento e com crescimento económico mais significativo. Os países como Angola, Moçambique, Nigéria, estão no topo das prioridades, contudo todos os países da região estão abrangidos por esta intenção declarada de aumento da parceira económica bilateral. Neste momento o grande desafio é, precisamente, internacionalizar a economia africana e posicionar as suas empresas para as grandes oportunidades que os países da região encerram. Temos assistido ao afinco com que as agências de desenvolvimento empresarial dos governos provínciais se têm articulado com o governo central, tanto nas visitas oficiais aos países africanos, como nas visitas oficiais de delegações desses países à África do Sul, onde nem uma visita do Presidente da República de Cabo Verde passa despercebida e origina um encontro empresarial, organizado pela Gauteng Growth and Development Agency. Na órbitra destas agências provinciais está a promoção da economia Sul-africana, através da organização de missões empresariais, bem como, na participação em feiras nestes países, que aliás se vão organizando em maior número a cada ano que passa.


As nossas empresas têm de estar na África do Sul se quiserem ter uma posição estratégica na África Subsaariana para além de Angola e Moçambique.



PL: E a nível político-económico?

JP: A nível político-económico os desafios não são menores, - “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, por um lado os desafios internos de criação de emprego, qualificação de recursos humanos, as necessidades de habitação social, o aumento das fontes energéticas, a melhoria e expansão da rede de infraestruturas, são tudo fatores essenciais para a estabilidade do setor produtivo da economia sul-africana e para aumentar o seu potencial de internacionalização. A África do Sul tem condições ímpares para se tornar na grande plataforma para a África Subsaariana. Alguns dos fatores mencionados têm uma implicação direta na satisfação social mais imediata, e os outros no crescimento económico mais sustentável. Por outro lado, a maior afirmação Sul-africana na cena internacional, a maior operacionalização dessa grande comunidadade de 300 milhões de consumidores que é a SADC, e a possibilidade da África do Sul se tornar o veículo das empresas dos restantes BRICS para o Continente Africano, são fatores de grande desafio político-económico.

PL: Quais as oportunidades de negócio para as empresas portuguesas na África do Sul? O que já foi conseguido através da AICEP?

JP: O mercado sul-africano tem caraterísticas muito interessantes, não só pelas oportunidades que aqui existem, mas também pelo potencial que representa no aproveitar de oportunidades em países africanos que são fortemente influenciados por esta economia. As empresas portuguesas começam a tomar consciência que a África do Sul é um grande mercado e onde a “marca Portugal” é apreciada e respeitada. Contudo, é um mercado complexo, desde logo, porque nele enfrentam toda a concorrência internacional, e depois, porque exige capacidade de investimento, não sendo, contudo, um investimento de risco nem particularmente dispendioso. A cultura de negócios é anglo-saxónica, a capacidade de perceber e lidar com a realidade africana, uma grande vantagem, a arbitragem na resolução de conflitos e disputas negociais está devidamente experimentada (apenas uma percentagem muito baixa destas querelas chega a tribunal, mas quando necessário, o sistema judicial funciona e as questões são resolvidas rapidamente). Outro aspeto relevante é o facto do sistema financeiro ser maduro, ter liquidez e estar à disposição de se colocar ao serviço da economia, apostando em projetos empresariais credíveis. Sendo o mercado sul-africano o que tem a maior sofisticação de todo o Continente, há espaço para as empresas portuguesas que tenham a capacidade de complementar o deficit tecnológico existente, em diversos sectores, e para aquelas que tenham produtos e serviços que representam o mais avançado “estado da arte”. A África do Sul precisa de inovação, de tecnologia e de produtos e serviços com qualidade, dado que a exigência dos seus consumidores aumenta de dia para dia. Se as empresas portuguesas conseguirem ter estas caraterísticas e forem capazes de perceber e lidar com a cultura africana, podem ter a expetativa, séria, de trabalhar a África do Sul e de expandirem os seus negócios nesta geografia. Para além desta caraterização da realidade, há outro fator muito relevante que é a comunidade emigrante Portuguesa, nomeadamente a ligada ao setor empresarial e institucional sul-africano. Esta comunidade é a principal responsável pela “marca Portugal” estar tão bem difundida na África do Sul.


Para o consumidor sul-africano, um produto ou serviço português é da mesma qualidade que qualquer similar de outro ponto da Europa e nalguns aspetos reconhecem até a superioridade do Português.



A nossa estratégia na África do Sul, nos últimos três anos, passou por três pilares fundamentais:

  • Comunicação. Tívemos de melhorar o fluxo de informação nos dois sentidos. Em Portugal tínhamos de difundir as oportunidades existentes na África do Sul. Por sua vez, na África do Sul tínhamos de melhorar a perceção sobre aquilo que a economia moderna do nosso País tinha para oferecer e que poderia ser, aqui, uma mais valia. Neste aspeto, o objetivo foi conseguido, não só em Portugal, com diversas ações de capacitação empresarial sobre o mercado, com a divulgação recolhida por este ponto da rede da AICEP, com a publicação de informação sobre este País, desmistificando a questão da segurança, uma vez que há oportunidades e condições a que serem aproveitadas pelas nossas empresas. No que diz respeito à África do Sul, foi efetuada uma divulgação regular da oferta de bens e serviços portugueses pelas empresas deste país e demonstrado, em diversas reuniões institucionais, a mais valia das soluções portuguesas.
  • Aprofundar o relacionamento institucional na África do Sul. Neste caso foi necessário identificar rapidamente de que forma poderíamos facilitar a vida das empresas portuguesas neste país, diminuindo os obstáculos. Neste aspeto há dois elementos essenciais, um do lado financeiro e outro do lado burocrático. O elemento financeiro e por forma a obviar as dificuldades que as empresas portuguesas sentiam quando tentavam utilizar os instrumentos financeiros que a banca nacional lhes disponibilizava para este país, nas facilidades de tesouraria e também no acesso ao crédito para as operações de investimento. Há na África do Sul um banco comercial, que é o quinto maior, detido pelo Grupo CGD, e que se assume como banco de empresas. Desafiámos o Mercantile Bank para uma ação ativa de suporte ao negócio das empresas portuguesas que teve resposta positiva e imediata. Havendo que reconhecer a total disponibilidade, empenho e ação prática, com resultados objetivos, do Dr. Júlio Lopes, administrador executivo nomeado pelo Grupo CGD para o Mercantile Bank. Quanto ao elemento mais burocrático e que tem haver com a diminuição dos “custos de contexto”, tínhamos um Memorando de Entendimento, assinado em 2010, com a então Gauteng Economic and Development Agency, atualmente Gauteng Growth and Development Agency (GGDA), que devia ser, rapidamente, operacionalizado. Esta agência, pertença do Governo Provincial do Gauteng, tem como missão atrair e apoiar o investimento. Neste aspeto, o trabalho desenvolvido pelo Eng. Rui Fragoso, um distinto membro da comunidade Portuguesa e diretor de captação de investimento da GGDA, deve ser reconhecido, pela disponibilidade e empenho em ajudar a resolver os problemas, a identificar oportunidades de parcerias e a encontrar os apoios e incentivos relevantes do Estado Central e das Municipalidades para as nossas empresas.
  • Ativar a Comunidade Portuguesa, sobretudo a empresarial, para o apoio às empresas portuguesas que desejavam entrar no mercado sul-africano. Esta comunidade tem condições excecionais para ser um veículo de entrada neste país, porque conhecem bem a realidade Sul-africana, os seus setores de atividade e têm os contatos certos para o desenvolvimento dos negócios. Tem sido muito gratificante encontrar, em diversos setores de atividade, empresários da comunidade com vontade em diversificarem os seus negócios e com disponibilidade para desenvolverem parcerias com empresas portuguesas.

Como se pode concluir do que aqui se descreve, o que está a acontecer nas relações bilaterais económicas e comerciais entre Portugal e a África do Sul, deve-se a todo este esforço conjunto de diversas entidades, a começar pelo Sr. Embaixador de Portugal, Dr. António Ricoca Freire, passando pela AICEP, GGDA, Mercantile Bank, Comunidade Portuguesa e Câmara de Comércio e Indústria Luso-Sul-Africana (CCILSA), que têm desenvolvido um trabalho exemplar a todos os níveis e em rede, com partilha de informação para o objetivo comum de aumentar a presença empresarial portuguesa neste país.
No ano passado terminámos o ano com um aumento das exportações para a África do Sul de aproximadamente 20%. Este ano, de Janeiro a Agosto de 2013, em comparação com o período homólogo do ano anterior, o aumento das exportações de bens ultrapassou os 70%. ( Numa altura em que o câmbio não favorece Portugal, em virtude da carestia do euro face ao rande.) Praticamente, de Janeiro a Agosto de 2013, já se exportou tanto como em todo o ano passado! Houve um aumento do investimento português na África do Sul e de investimento sul-africano em Portugal (grande parte dele canalizado por relevantes membros da Comunidade Portuguesa). É muito gratificante ver hoje o Grupo Mota-Engil a fazer de África do Sul a sua sede operacional para a África Subsaariana e a fazer crescer as suas operações nesta geografia. É relevante observar o sucesso de investimentos como os da Sodécia no setor automóvel, bem como ao nível de satisfação dos seus principais clientes. Afinal, tivemos mais de 30 projetos que estão a ser apoiados pela fórmula de trabalho mencionada anteriormente. Entre estes destacam-se: a Proef, a ProCme, a Gesto-Energy, a Frulact, a Critical Software, a Novabase, a PT-Inovação e a Galp.

Neste momento temos empresas portuguesas a participarem em mais de uma dezena de concursos públicos na África do Sul, Botsuana, Namíbia e Lesoto. Este facto é tão mais relevante quando neste mesmo ano conseguimos vencer o primeiro grande concurso público na África do Sul com a Thales Portugal, num concurso de sinalização e comunicação ferroviária na província de “Western Cape”, de valor superior a uma centena de milhões de euros.
A tecnologia, aliada ao saber fazer português, tem entrada garantida no mercado sul-africano. Três anos depois, a perceção da oferta portuguesa mudou na África do Sul e muitas portas se abriram. Sempre numa lógica de parceria, de respeito pela lei sul-africana, com a capacidade de qualificar recursos humanos e enriquecer a economia local.
No âmbito da ação da Delegação da UE na África do Sul, Portugal vai liderar as matérias relacionadas com as TIC e com o desenvolvimento infraestrutural portuário e ferroviário de forma exclusiva, e das energias renováveis de forma partilhada com a Espanha e a Dinamarca.

PL: Há potencialidades de investimento local sul-africano em Portugal e em empresas portuguesas?

JP: Há, claramente, potencial de investimento em Portugal. Neste momento estamos a acompanhar e a apoiar um investimento muito recente, com origem na África do Sul, gerador de emprego e de transferência de tecnologia. Há alguns anos, o Grupo sul-africano Altron investiu numa empresa portuguesa de atividade conexa. Ora, estes dois exemplos comprovam que há potencial de investimento sul-africano em Portugal. Recentemente fomos abordados pela True Bridge Consultancy, que tem parceria com a SaeR (Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco) precisamente para avaliarmos o potencial investidor em Portugal das empresas sul-africanas. Veremos se desta ação podem vir a resultar mais investimentos sul-africanos em Portugal.

PL: Que caraterísticas devem as empresas portuguesas procurar em potenciais parceiros de negócio na África do Sul?

JP: Fundamentalmente devem procurar parceiros que tenham conhecimento sobre o mesmo setor de atividade ou, não tendo, que tenham o capital e os contatos necessários que possibilitem o sucesso da parceria de negócio. A mentalidade dos empresários sul-africanos é muito anglo-saxónica. O insucesso é apenas uma aprendizagem para se tentar atingir novamente o sucesso. Até a geração de empresários da comunidade portuguesa que têm hoje entre os 30 e os 50 anos de idade, têm esta forma de pensar.
As empresas portuguesas não têm, obrigatoriamente, de encontrar um parceiro de origem portuguesa. Temos vários exemplos de sucesso cujo parceiro é sul-africano, sem qualquer ligação a Portugal, como é o caso da Frulact.


Os sul-africanos valorizam muito o aspeto do contato pessoal. Tentar fazer negócios com a África do Sul a 10 000 kms de distância não funciona.



PL: Na sua opinião, o que devem os empresários ter em conta para melhor exportar para a África do Sul?

JP: Terem o ”EURO1 Certificate” que é útil na exportação de bens, verificarem se os seus produtos necessitam de homologação pelo “ South Africa Bureau of Standarts” antes de serem comercializados, ou se necessitam de autorização de determinados departamentos do Estado sul-africano. No que concerne a serviços é preciso ter o cuidado de perceber se a prestação de determinado serviço exige uma determinada licença ou alvará específico neste país. É indispensável a apresentação dos catálogos em lingua inglesa e a verificação regular do câmbio.

PL: Foi anteriormente delegado da AICEP na Cidade da Praia. Em termos de mercado e de formas de operar, quais as principais diferenças entre Cabo Verde e África do Sul?

JP: Devo dizer que tive um enorme prazer em ter estado em Cabo Verde. Foi uma experiência muito enriquecedora do ponto de vista profissional. Cabo Verde é um óptimo observatório para a África Ocidental e isso facilitou muito a minha adaptação à realidade africana. Agora do ponto de vista comparativo, são dois mercados completamente diferentes, quer na dimensão geográfica como demográfica, mas sobretudo na forma de desenvolver negócios. Enquanto que em Cabo Verde uma PME pode efetuar um teste ao seu processo de internacionalização, porque os custos inerentes ao risco são substancialmente, mais reduzidos, no mercado sul-africano uma PME tem de ter experiência acumulada de internacionalização e robustez financeira para enfrentar o desafio, tem de ter capacidade para gerar confiança no parceiro sul-africano e demonstrar que está ali para uma relação comercial duradoura.

PL: Qual a situação que o fez aprender mais em termos de liderança e o que aprendeu?

JP: Liderar é ter a capacidade de identificar a oportunidade e indicar um caminho, estando permanentemente atendo aos ajustes que forem necessários efetuar para se atingir o sucesso. A fonte de aprendizagem é inesgotável e, enquanto técnico do antigo ICEP e depois da AICEP, aprendi muito em Espanha, com o Eng. Vital Morgado e no Reino Unido, com o Prof. Bernardo Ivo Cruz, que eram os responsáveis daqueles pontos da rede externa naquela altura. Quando passei a ser responsável pela AICEP em Cabo Verde e depois na África do Sul, a aprendizagem continuou, pelo privilégio que tive em trabalhar com diversos Embaixadores. O atual Presidente da AICEP, Dr. Pedro Reis, e o anterior, Dr. Basílio Horta, também contribuiram decisivamente para essa aprendizagem. Não adianta estarmos empenhados a cem por cento se não atingirmos os resultados a que nos propusemos. Esse é o maior exercício de superação e tem de ser um esforço diário, porque o nosso maior concorrente somos nós e o que já fizemos.

PL: Qual o líder nacional ou internacional cuja liderança destaca e porquê?

JP: Há dois líderes que gostaria de destacar, por me serem familiarmente próximos e por terem feito parte da história de Portugal.
Um é José Ferreira Pestana, liberal, combateu contra o absolutismo Miguelista e foi um militar, político e administrador colonial madeirense, professor da Universidade de Coimbra. Deputado às Cortes e Par do Reino, foi governador civil do Distrito de Vila Real e do Distrito de Coimbra e exerceu por duas vezes o cargo de Governador do Estado da Índia. Exerceu também as funções Ministro da Marinha e do Ultramar e de Ministro do Reino. Destaco-o pelos seus dotes de caráter e pela imparcialidade e justiça com que sabia moldar todos os atos da sua administração.
Domingos-Leite-PereiraO outro é Domigos Leite Pereira (fotografia), meu bisavô. Foi Presidente da Câmara de Deputados, Presidente do Conselho de Ministros, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ministro da Instrução, Ministro do Interior, Ministro das Colónias, Deputado, Presidente da Câmara Municipal de Braga, entre outros relevantes cargos nacionais e locais durante a Primeira República. Destaco-o por ter sabido servir sem esperar nada em troca, por se ter sacrificado pelo seu ideário, por ter prejudicado a fortuna pessoal, sempre em nome da República, da Democracia e da Liberdade.
Naturalmente que, neste contexto, não posso deixar de referir duas personalidades que se destacaram na luta pela liberdade, igualdade e democracia em África: o Presidente Nelson Mandela, uma verdadeira referência mundial, e cuja verdadeira dimensão do legado só conseguimos perceber vindo a África do Sul; e o Comandante Pedro Pires, referência para o mundo lusófono, que foi Presidente da República de Cabo Verde, e que tive o prazer de conhecer pessoalmente quando vivi naquele país arquipélago.

PL: Quais são os três principais desafios que confrontarão os líderes nos próximos 10 anos? 

JP:

  1. Contrariarem o imediatismo do curto prazo, que representa sempre as soluções mais fáceis mas também as que se esgotam mais rapidamente.
  2. Terem a capacidade de desenvolver uma visão positiva e construtiva sobre as adversidades e as dificuldades.
  3. Procurarem manter atualizada a perceção do Mundo sempre numa lógica humanista e respeitadora dos direitos fundamentais.

PL: Quais são as três qualidades mais importantes para um líder nos próximos 10 anos? 

JP:

  1. Ampla visão estratégica.
  2. Capacidade para identificar e dirigir talentos.
  3. Capacidade de decisão fundamentada com ética, integridade e honestidade.

PL: Onde mais tendem a falhar os líderes? 

JP: Os falhanços mais visiveis são os que dizem respeito à ética, à integridade e à honestidade. 

PL: Um dia o que é que o mundo vai dizer de si? 

JP: Só ambiciono que seja aquilo que me faça justiça.

 


Joao-Pedro-Pereira-AICEP-2João Pedro Pereira nasceu numa família de tradição democrata e republicana na cidade do Porto, a 12 de Dezembro de 1976, na data das primeiras eleições autárquicas depois do 25 de Abril de 1974, viveu na “Invicta” até completar os estudos superiores na Universidade Católica do Porto. Foi selecionado, pela Revista do Jornal Expresso como um dos 10 jovens mais promissores daquela urbe, pelo esforço de mobilização de outros jovens para a cidadania ativa. Jurista de formação, frequentou o MASTER-D da Fundació Bosch i Gimpera da Universitat de Barcelona e exerceu advocacia enquanto advogado estagiário, antes de integrar a equipa de Espanha do antigo ICEP, onde esteve por dois anos colocado no escritório de Mérida, na província espanhola da Extremadura. Depois desta experiência, bem-sucedida no aumento da interpenetração económica transfronteiriça, na antiga capital da Lusitânia e depois da fusão do ICEP com a API, com a criação da aicep-Portugal Global, transitou para o Centro de Negócios de Londres desta agência, que coordenava a operação económica e comercial do Reino Unido, Irlanda, Índia e Dubai. Depois da experiência adquirida como técnico do ICEP e da AICEP em Espanha e no Reino Unido, concorreu à direção da Representação da AICEP em Cabo Verde, onde foi colocado, desempenhando as funções de Adido Económico e Comercial da Embaixada na cidade da Praia, tendo desenvolvido um trabalho, muito reconhecido, no aumento das exportações de bens e serviços nacionais, e do investimento português naquele País lusófono. De salientar que foi durante a sua presença em Cabo Verde e com a sua contribuição, que se construíram, em tempo recorde, os maiores parques solares fotovoltaicos da África Ocidental, originando a que a CEDEAO ali fixasse o centro de investigação e promoção das energias renováveis para toda aquela região africana. Em 2011 assumiu responsabilidades na delegação da África do Sul da AICEP, desempenhando as funções de Conselheiro Económico e Comercial da Embaixada em Pretória/Cabo, onde a capacidade de trabalho em equipa e criação de network tem beneficiado decisivamente o aumento sustentado das exportações Portuguesas e dos investimentos nacionais na África do Sul e deste país em Portugal.