Gal Horvitz: A cloud permite que as PME possam ter acesso às soluções disponíveis para os gigantes

Gal Horvitz: A cloud permite que as PME possam ter acesso às soluções disponíveis para os gigantes

Gal Horvitz, CEO da PNMsoft, referiu em entrevista que "no Reino Unido os processos de venda e os ciclos temporais são mais longos" e que "a construção dos relacionamentos e o compromisso requerem um maior esforço". Sobre Israel, referiu que começar lá "um negócio tem os seus benefícios. Nem todo o feedback foi positivo, mas isso também foi benéfico, uma vez que nos manteve no caminho certo".


A cloud permite hoje que mesmo as pequenas empresas possam ter acesso às mesmas soluções que estão disponíveis para os gigantes do setor. Esta está a dar origem a um nivelamento do campo de ação.


Portal da Liderança (PL): Fundou a PNMsoft em 1996. Quais os maiores desafios que sentiu quando criou a empresa? Foi a sua primeira empresa?

Gal Horvitz (GH): A PNMsoft é a minha primeira empresa. Até a criar, tinha trabalhado em várias grandes empresas. Comecei o negócio com os mesmos desafios que se deparam à maior parte dos empreendedores: tinha uma ideia, não tinha consumidores, não tinha reconhecimento da marca, mas apenas uma ideia que poderia ajudar grandes empresas a dar resposta a um processo específico do negócio. Foi então que aprendi que trazer uma nova tecnologia para o mercado exige uma cuidadosa ponderação, como por exemplo sobre qual a tecnologia mais adequada a determinado target e quais os mercados de interesse. Mas com o sucesso vêm sempre inevitáveis desafios. Com apenas algumas quantas úteis pessoas, fazer tudo o que é necessário ser feito nos primeiros tempos exige impreterivelmente recursos que ainda não tem ao seu dispor. Foi uma excitante viagem.

PL: Sendo israelita e tendo sido esse, o berço de nacimento da PNMsoft, que tipo de apoio teve no processo e qual o impacto que esse ambiente teve no processo e no ADN da empresa?

GH: Começar um negócio em Israel tem os seus benefícios. Os israelitas são muito empreendedores por natureza. Sempre que mostrámos as versões iniciais do nosso software obtivemos sempre feedback. Estas fizeram-se acompanhar quase sempre por sugestões de como o potenciar. Nem todo o feedback foi positivo, mas isso também foi benéfico, uma vez que nos manteve no caminho certo. Nos primeiros tempos os nossos clientes foram muito influentes e responder às suas necessidades e pedidos significou termos de ser muitos engenhosos e criativos. Isso tornou-se e mantém-se como parte do nosso ADN, mas agora chamamos-lhe “agilidade”. Dezassete anos depois encontramos entre os nossos cliente grandes empresas como aquelas em que comecei a minha carreira. Criar inovação e novas funcionalidades requer um bom planeamento, controlo, caso esteja em causa uma evolução, robustez e segurança. 

PL: Como podem as soluções de software para o negócio e para as organizações potenciar o sucesso da empresa? Justifica-se o investimento?

GH: A tecnologia (computadores e software) é hoje mais acessível do que nunca. A cloud permite hoje que mesmo as pequenas empresas possam ter acesso às mesmas soluções que estão disponíveis para os gigantes do setor. Esta está a dar origem a um nivelamento do campo de ação. Podem as IT continuar a ajudar empresas a diferenciarem-se entre si e a criarem a sua própria vantagem competitiva? O software BPM (Business Process Management) como o nosso, permite às organizações desenharem e executarem processos de negócio mais eficientes. O BPM é uma ferramenta de gestão que pretende alinhar as pessoas, os processos e a tecnologia no sentido de criar uma significativa vantagem competitiva. Esta permite-lhe focar-se na única forma de fazer melhor as coisas. Isso, no final, significa oferecer um produto melhor ou providenciar um melhor serviço. É realmente motivador ouvir os nossos clientes falarem sobre o valor que esta criou para o seu negócio. Sim. É um investimento que se justifica.

PL: Enquanto CEO da PNMsoft, quais os principais desafios de liderança que enfrenta neste momento?

GH: Uma empresa em pleno crescimento acarreta sempre muitos desafios. O primeiro de todos é a crescente globalização da natureza do nosso negócio, que o torna num excitante desafio. Temos muitas culturas na casa, à medida que novos colaboradores e clientes se vão juntando a nós. Integrar novas pessoas na equipa e desenvolver talentos exige uma grande atenção aqui na PNMsoft. Queremos preservar e manter o foco na excelência e na satisfação do nosso cliente como faz parte do nosso ADN. Um outro desafio que se nos depara quando uma empresa está em rápido crescimento, é o conseguir manter a organização a trabalhar como um todo. Com isso estou-me a referir a manter todos focados em torno do mesmo objetivo e dos mesmos fins. Com tantas oportunidades que temos pela frente, é fácil deixarmo-nos distrair. O desafio de liderança está em ter definido uma direção e uma estratégia e mantermo-nos focados nelas.

PL: A PNMsoft tem uma rede global de parceiros de negócio. Qual o conselho que deixa aos líderes lusófonos que estão a pensar em expandir o seu negócio através de parcerias?

GH: Primeiro que tudo, é preciso definir uma estratégia que esteja de acordo com o produto e os mercados em causa. Tem um produto de consumo de massas ou um que requer competências específicas e serviços de consultadoria? Os seus parceiros têm de ser capazes de chegar ao tipo de consumidor dos seus produtos. Assim, garanta que se junta ao parceiro certo e não a qualquer um. Analise as motivações do seu potencial parceiro para garantir que ambos estão alinhados. O compromisso é tudo – tanto da sua parte como da deles. Perceba porque se querem ligar a si. Estão eles à procura apenas de uma parceria de curto-prazo ou para uma única situação, ou de um compromisso de longo-prazo com os seus produtos enquanto motor de crescimento dos seus negócios? A parceria da PNMsoft com a Leadership Business Consulting é um excelente exemplo do que pode ser conseguido através de uma parceria. 

PL: Que situação o fez aprender mais em termos de liderança e o que aprendeu?

Gal-Horvitz-PNMsoft-2GH: A liderança é posta à prova em tempos de crise. Em 2008 o mundo foi arrastado para o caos económico que ainda se sente hoje. Não foi fácil. Tivemos de fazer cortes quando ainda estávamos a tentar manter a motivação e a confiança entre os nossos colaboradores. Aprendi que se confiamos na nossa equipa, podemos explicar-lhes a situação como é na realidade, mesmo que esta não seja boa; eles irão retribuir-lhe a confiança que depositou neles. Juntos poderá enfrentar qualquer problema independentemente da sua dimensão, resolvê-lo com sucesso e tornar-se mais forte e capaz com a experiencia. 

PL: Como é que a PNMsoft investe na inovação e gere o talento?

GH: Em termos da gestão do talento, pretendemos identificar os colaboradores-chave e os seus talentos logo no início da sua carreia com a PNMsoft. Os gestores e os RH irão então trabalhar com eles para que desenvolvam os seus talentos e cresçam adequadamente na sua carreira na empresa. Muitos dos nossos VP cresceram com a empresa. O feedback dos clientes diz-nos que temos excelentes pessoas na área do R&D, gestão do produto e profissionais dos serviços. O ambiente que criámos na PNMsoft motiva os colaboradores a inovarem e a apresentarem as suas ideias. Temos fóruns para criar e explorar novas ideias. É muito democrático, pelo que as melhores ideias são reconhecidas e colocadas em prática, independentemente de quem as teve.

PL: Quais as principais competências de liderança para ser bem-sucedido enquanto líder empresarial num mundo dos negócios cada vez mais global como é o seu?

GH: Para se ser bem-sucedido nos mercados cada vez mais globais, há que ter uma estratégia que suporte a sua visão. Uma boa gestão do produto é essencial para alinhar os seus produtos com o seu negócio. Um marketing inteligente é crucial para tornar a sua visão numa realidade no mercado global. Tendo as pessoas certas nos lugares certos e um bom trabalho de equipa, há que capacitá-los para serem bem-sucedidos. Enquanto seu líder, tem que ser honesto e transparente. Não existe uma pílula do sucesso, pelo que para ser bem-sucedido enquanto líder necessita de ter uma visão e as pessoas certas consigo.

PL: Qual o conselho que dá aos líderes que desejem vir a operar no Reino Unido?

GH: O mercado do Reino Unido, como qualquer outro, tem as suas próprias caraterísticas. Os processos de venda e os ciclos temporais são um pouco mais longos. A construção dos relacionamentos e o compromisso requerem um maior esforço mas os retornos podem ser significativos e as relações construídas duradouras. 

PL: Recebeu o Gartner iBPMS Magic Quadrant 2012. Quais os seus segredos para o sucesso?

GH: Estar no Gartner’s Magic Quadrant é como ter um certificado de qualidade. Primeiro, este valida a sua visão e confirma o seu bom trabalho na criação da tecnologia certa para o mercado. Ao mesmo tempo, dá-lhe a oportunidade para fazer melhorias. O BPM continua a ser relativamente recente no mercado (quando comparado com o ERP e o CRM), pelo que o estudo do Gartner veio ajudar-nos, bem como aos nossos clientes, na caminhada do BPM que ainda está em curso.

PL: Qual o líder que mais admira e porquê?

GH: Warren Buffet. Porquê? Porque é muito transparente. Ele reflete sobre os erros que comete bem como sobre as decisões que tomou. O Buffet provou que é possível fazerem-se bons negócios e continuar a ser-se honesto. Gosto do estilo dele, não procura ser uma celebridade. Mas, acima de tudo, gosto da sua modéstia e da sua consistência. 

PL: Para si, o que é o fundamental na liderança?

GH: A visão e a capacitação. 

PL: Quais os três principais desafios que os líderes empresariais enfrentarão nos próximos anos?

GH: O impacto do cada vez mais rápido processo de mudança, a diferenciação num mercado global e, finalmente, criar e manter uma vantagem competitiva.

PL: Quais as três áreas mais importantes para um líder empresarial nos próximos 10 anos?

GH: O marketing, a gestão do produto e a estratégia global.

PL: Onde é que mais falham os líderes empresariais?

GH: No não reconhecerem quão rápidamente os mercados podem mudar e, da mesma forma, confiarem que são as coisas que funcionaram bem no passado as que serão a chave para o futuro.

PL: No futuro o que é que o mundo dirá de si?

GH: Não tenho ambições de me tornar uma “celebridade” entre os líderes de negócios ou que todos conheçam o meu nome. Em vez disso, preferia que a minha empresa fosse reconhecida mundialmente como a melhor empresa de BPM do planeta. Não é importante que todos saibam quem é o CEO. Como já disse, para quem me conhece, espero que pensem em mim como um empreendedor de sucesso, uma pessoa honesta e, acima de tudo, como um bom chefe de família.

 

 


Gal-Horvitz-PNMsoftGal Horvitz nasceu em Israel, em 1971. É licenciado pelo Technion - Israeli Institute of Technology e co-fundador e CEO da PNMsoft desde 1996. Anteriormente exerceu funções na Elbit e na Horizon Electronics.