Cheryl Bachelder: As novas unidades da Popeyes abrem com 1,5 milhões de dólares de vendas anuais

Cheryl Bachelder: As novas unidades da Popeyes abrem com 1,5 milhões de dólares de vendas anuais

Cheryl Bachelder, lidera e inspira a cadeia americana de fast-food Popeyes, que conta com 2000 restaurantes em mais de 25 países, e com rendimentos de cerca dos 2 mil milhões de dólares. Desde que se mudou da rival KFC para a Popeyes, ajudou a cadeia alimentar a superar os concorrentes no segmento do frango durante 18 trimestres consecutivos e a aumentar drasticamente o valor das ações. 

Quando não está a pensar em novas estratégias para a marca de 40 anos, está a arrecadar prémios de liderança (2012 Silver Plate Award and Women’s Foodservice Forum’s Leader of the Year) e a escrever sobre lições de liderança no seu blog The Purpose of Leadership

Jenna Goudreau (Forbes) reuniu-se com a executiva para discutirem a nova direção de Popeyes, como chegou até ali e porque é que aconselha as mulheres a deixarem e se esforçarem tanto para se encaixarem. 

Anunciou que queria duplicar o número de restaurantes da Popeyes nos EUA. Porquê um plano de expansão tão agressivo?


Cheryl Bachelder (CB): Este ano, nos EUA, iremos construir mais restaurantes do tipo free-standing drive-throughs do que qualquer outra cadeia de fast–food, à exceção do McDonald’s. Estamos num setor da indústria de rápido crescimento, em que as nossas unidades estão a desempenhar um bom trabalho. As novas unidades abrem com 1,5 milhões de dólares de vendas anuais, o que é 50% superior ao que acontecia há 5 anos atrás. Isto significa que as pessoas que estão a investir estão a ter um óptimo retorno, o que é um incentivo à abertura de mais. 70% destes são construídos por donos de franchansings.

As suas ações subiram de uns reduzidos 5 dólares em 2008, para uma média de 26 dólares nos últimos meses. Como é que conseguiu isso?

CB: Temos a sorte de ter uma marca emblemática do Louisiana. Tem tudo a ver com o sabor e com o comum toque da comida reconfortante. Como costumamos dizer, “todos os dias devem ter um pouco de Mardi Gras”. Mas parámos de falar sobre o que tornava a nossa marca especial. Nos últimos anos voltamos às origens para reavivar a cadeia. Demos um novo nome à marca - Popeyes Louisiana Kitchen; inovámos o menu com novos produtos, como o Wicked Chicken, o Rippin’ Chicken e o Dippin’ Chicken, que são saborosos e fáceis de transportar. A combinação de um novo menu, ligado às origens, com um forte porta-voz e um aumento nos gastos com os média, fez com que o reconhecimento da marca duplicasse.

Tem uma experiencia muito forte na área da restauração, uma vez que trabalhou na Nabisco, no Domino’s Pizza e, mais recentemente, na rival da Popeyes, a KFC. O que é que a atrai nesta indústria?

Cheryl-Bachelder-3CB: Comecei a minha carreira a embalar bens para a Procter & Gamble e para a Gillette. Apaixonei-me pela comida na Nabisco. Era uma mistura extraordinária entre arte e ciência. Tem que ser feito a uma escala global, mas existe muita arte no inovar e em encontrar novos sabores. O meu amor pela venda de comida foi o ponto de viragem da minha carreira. É um ambiente extraordinário para inovação, para a influência e para a liderança, com um modelo de negócios que é tão mais complexo. Para se conseguir que algo seja feito na Popeyes, tenho que influenciar 300 donos e 60 000 pessoas. É muito mais desafiante. Também se recebe feedback mais rapidamente. Num dia gostam muito de si e no outro odeiam-na. Adoro essa rapidez.

Sendo uma das poucas CEO femininas, a que é que atribui o seu sucesso?

CB: Dou o crédito à minha família. Sou a mais velha de quatro irmãos e venho de uma boa família rural do Midwest. Todos trabalhavam arduamente. Dávamos valor à educação e os meus pais enfatizavam a integridade, mais do que ambição, na tomada de decisão. Este é um dos valores que falta a muitos líderes dos dias de hoje. Os meus pais educaram quatro CEO e não acredito que tenha sido uma casualidade.

Como é que a sua educação a influenciou como líder?

CB: As nossas escolas são muitas boas a desenvolver capacidades, mas não têm tanto sucesso no criar um conjunto de valores sobre como fazer negócios. É muito mais difícil ensinar os valores, pelo que tem que o fazer pela forma como lidera. Tem que se estar preparado para tomar decisões corajosas que demonstrem os seus valores, onde toma a decisão difícil e não a decisão mais fácil.

Dê um exemplo de uma decisão corajosa que teve que tomar.

CB: A de ser mãe, porque acredito que se soubéssemos o que realmente isso acarretava, pensaríamos duas vezes. Sou mãe de três raparigas, com 26, 21 e 19 anos. As crianças não vêm com um manual de instruções. Ser mãe é muito corajoso e é um trabalho árduo mas sou fã de levar as coisas a sério.

Falo frequentemente com mulheres de negócio que tentam, e muitas falham, em alcançar o equilíbrio entre o trabalho e a família. Qual foi a sua abordagem?

CB: É muito difícil para as mães e para os pais. Recentemente, um dos filhos de um dos nossos membros de equipa teve problemas de saúde a meio de uma teleconferência, onde discutíamos os resultados financeiros daquele período. É difícil saber o que fazer quando temos obrigações de trabalho e surge a vida real. Uma vez deixei uma reunião de diretores, porque a minha filha tinha tido um acidente de carro. Naquele momento não queria saber da reunião para nada, só queria ir para o local de acidente e ajudá-la.

O caminho do equilibro entre o trabalho e a vida está cheio de decisões difíceis. Temos que encorajar as mulheres a serem confiantes quando tomam decisões, porque nem sempre recebemos um aplauso por sair a meio de um reunião para cuidar dos filhos. Temos que ter confiança e coragem nas nossas decisões. Penso que as mulheres têm demonstrado isto e tornado o local de trabalho muito mais agradável para os homens. Isso capacitou-as para tomarem melhores decisões também no seu ambiente familiar. O local de trabalho é melhor se formos abertos quando conversamos e se respeitarmos os outros.

Qual é o melhor conselho que pode dar à geração de mulheres que lhe sucedem?

CB: O que desejava ter aprendido quando era mais nova era a importância de levar a minha autenticidade para a minha liderança e para o local de trabalho. As mulheres demoram muito tempo a tentar descobrir o que faz as pessoas felizes, o que devem vestir, como devem falar e que comportamentos esperam delas. Gastamos toda a nossa energia a tentar dar o que eles querem e isso distrai-nos de seremos o nosso melhor e de ir para o trabalho e oferecer algo que é nosso. Reconheça os seus talentos e ganhe confiança em si o mais rápido possível, para que possa ser genuína e autêntica, sem se preocupar com o que os outros pensam.

Fonte: Forbes

 


Cheryl-Bachelder-1Cheryl Bachelder é CEO da cadeia de restauração americana Popeyes Louisiana Kitchen. Contando com 30 anos de experiência na área. Esta foi CEO da AFC Enterprises, Inc. de 2007 a 2012, sendo sido igualmente president da Popeyes Louisiana Kitchen. Fez parte da administração da True Value Corporation de 2006 a 2013. De 2001 a 2033 foi chief concept officer da KFC Corporation in Louisville, Kentucky, onde teve igualmente à sua repsonsabilidade a gestão do negócio nos restaurantes nos EUA. De 1995 a 2000 foi vice-presidente da Dominos Pizza, Inc., tendo à sua responsabilidade os departamentos de marketing e desenvolvimento de produto.