Polignac de Barros: Portugal está na moda com enorme interesse em vários salões imobiliários do mundo

Polignac de Barros: Portugal está na moda com enorme interesse em vários salões imobiliários do mundo

Henrique Polignac de Barros, Fundador e Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), aponta que "o investimento imobiliário estrangeiro em Portugal, venha a fechar o ano nos mil milhões de euros", acreditando que "a subida do IMI e IMT apenas atrasará ainda mais a reabilitação urbana e afastará os investidores estrangeiros".

Portal da Liderança (PL): Porque se deve investir no imobiliário em Portugal?

Henrique Polignac de Barros (HPB): Atualmente o investimento estrangeiro em Portugal é feito, maioritariamente, por estrangeiros, que têm procurado Portugal para obter os chamados Golden Visa ou para beneficiarem do Regime do Residente Não Habitual. A receita gerada por estes investidores em Portugal superou no primeiro semestre de 2014 o investimento feito em todo o ano de 2013 (respetivamente, 417 e 307 milhões de euros). Em termos globais, prevê-se que este ano o investimento imobiliário venha a fechar nos mil milhões de euros. Tal sucesso tem levado a que hoje se encontre no mercado uma maior diversidade de investidores que já procuram Portugal não exclusivamente para usufruírem dos referidos regimes, mas para realizarem puro investimento imobiliário.

Portugal está na moda e prova disso tem sido o enorme interesse que tem merecido em vários salões imobiliários do mundo. A imagem positiva que temos conseguido exportar do nosso país tem sido um dos maiores trunfos para voltar a colocar Portugal nas bocas do mundo, desta feita por boas razões.

Como fator de atração, destacaria, primeiro, o nosso produto imobiliário de qualidade, com grande potencialidade de valorização quando comparado com outros locais da Europa, seguido da caraterística que mais nos distingue – a forma como recebemos os que nos visitam. Acrescentaria o clima e a gastronomia de exceção, a nossa história, a nossa localização geográfica e uma costa atlântica recheada das melhores praias e paisagens da Europa.

São todos estes fatores que têm ajudado a que os regimes de captação de investimento estrangeiro que referi acima, sejam um enorme caso de sucesso, especialmente para os investidores que não fazem parte da União Europeia.

É importante continuar a exportar o nosso país, mas também a procurar novas formas de captar mais e diferente investimento estrangeiro.

PL: Como alcançar o equilíbrio entre o investimento estrangeiro e a realidade portuguesa?

HPB: Este é precisamente um tema cada vez mais atual e que nos deve preocupar a todos.

Se, por um lado, é indispensável aproveitar esta vaga de investimento estrangeiro, não podemos descurar que os investidores que hoje nos visitam em grande escala, amanhã poderão novamente desaparecer. Com efeito, a nossa economia e a situação geral do país é ainda muito frágil, estando muito suscetível a rápidas reviravoltas do mercado que facilmente afastarão o investimento estrangeiro.

Assim, embora devamos continuar a acarinhar os investidores, não podemos descurar que são os portugueses que irão habitar ou trabalhar nas nossas cidades. O produto imobiliário a colocar no mercado tem pois de ser compatível com as suas atuais capacidades económicas, sob pena de, em caso de debandada dos investidores estrangeiros, voltarmos a ter um mercado entupido de excedente imobiliário que não é escoado.

Na verdade, os portugueses estão ainda descapitalizados, ou mesmo sobreendividados e a abertura dos bancos à concessão do crédito (nomeadamente à habitação) é ainda muito restrita.

Tendo tudo isto em conta, as medidas a implementar devem promover a colocação no mercado de imóveis que sejam atrativos para os investidores, mas que não esqueçam a atual capacidade económica dos portugueses. É neste equilíbrio que se deve construir um mercado imobiliário funcional que possa rapidamente ser canalizado tanto para o comprador nacional como para o investidor estrangeiro. 

PL: Como vê a atuação da liderança empresarial em Portugal? Quais os desafios que se colocam?

HPB: Em termos gerais, penso que as nossas empresas, e bem assim os seus líderes, devem procurar sair da crise voltando a olhar para o mercado com predisposição para encarar os novos desafios como verdadeiras janelas de oportunidade. A crise que atravessámos foi sistémica e envolveu todas as áreas de negócio, pelo que, naturalmente, transformou toda a economia nacional. O mercado português de hoje não é seguramente o mercado de há cinco ou seis anos atrás. 

Os desafios no setor imobiliário são exatamente os mesmos, sendo ainda mais evidente a transformação por que este mercado passou, sendo pacífico que estamos hoje perante um novo paradigma da promoção imobiliária, que os seus intervenientes deverão compreender, reajustando as suas empresas e criando produto que esteja de acordo com as novas necessidades do mercado.

PL: E o percurso político e económico que o país tem vindo a fazer?

HPB: Houve já alguns passos que foram dados em prol do investimento e do crescimento, mas é importante começar a encarar o próximo ano como um ano de consolidação. Em especial no que diz respeito ao setor imobiliário, não deve o Estado começar a sobrecarregar esta atividade com exageradas cargas fiscais, ou rapidamente se inverterão os sinais de recuperação, com prejuízos para toda a economia. Uma nova crise no setor implicará obrigatoriamente danos em áreas importantes, como o turismo e o comércio, que têm visto a sua atividade crescer devido ao investimento que se tem feito no imobiliário.

Por outro lado, há que continuar a apostar num crescimento sustentado. Segundo várias entidades da União Europeia, como a própria Comissão ou entidades que fizeram parte da Troika, o crescimento deve basear-se no investimento e na reabilitação urbana. Porém, a proposta de Orçamento de Estado para 2015 é totalmente omissa na criação de medidas concretas para qualquer um destes temas, prevendo ao invés a implementação de uma pesada carga fiscal sobre o imobiliário e a propriedade, apontando-se subidas do IMI e IMT a arrecadar pelo Estado na ordem dos 10%. A manter-se esta situação, apenas se atrasará ainda mais a implementação da reabilitação urbana, bem como se afastarão os investidores estrangeiros.

PL: É presidente da Direção da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários. Quais os desafios que se lhe colocam?

HPB: A APPII tem procurado encarar a retoma do mercado e as suas novas dinâmicas de uma forma atenta, ajustando os seus objetivos e forma de atuar ao que são as atuais necessidades do setor imobiliário.

Assim, somos hoje um centro incontornável de contacto entre promotores imobiliários nossos associados e investidores estrangeiros que pretendem entrar no mercado imobiliário através de uma associação credível, conhecedora do seu setor e que está no mercado há 23 anos. Na verdade, um dos propósitos que presidiu à criação da APPII – a criação de uma porta de entrada aos investidores imobiliários estrangeiros -, continua hoje a estar muito presente. 

Outro dos grandes desafios que temos prosseguido, é o alargamento da nossa base geográfica, pelo que temos vindo a angariar novos associados por todo o país, com destaque para o Porto e Madeira, onde temos estado muito ativos. 

Identificámos também como um dos objetivos a curto prazo a implementação de uma série de medidas de reaproximação aos nossos Associados e demais intervenientes do setor. Uma dessas medidas foi a inauguração das novas instalações da APPII, que decorreu no passado mês de Setembro e que ficou marcada pela forte afluência de várias personalidades de relevo do setor imobiliário.

Por fim, e procurando continuar ser uma ponte de acesso privilegiado dos nossos Associados aos centros de decisão, iremos retomar os famosos almoços-debate, que permitem o contato direto dos nossos Associados com o poder político e governativo. Lançámos recentemente as Executive Breakfast Sessions da APPII, onde os nossos Associados têm, em exclusivo, a possibilidade de trocar ideias com as entidades decisoras e com os demais players do setor. Este ciclo de pequenos-almoços foi iniciado com a presença do Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Sr. Eng. Miguel Castro Neto, tendo ainda contado com a presença dos Órgãos Sociais da APPII, bem como dum grupo representativo do investimento chinês em Portugal nossos Associados.

PL: Que atributos entende que um líder deve ter?

HPB: De uma forma genérica, penso que um líder deve antes de tudo ter bom senso.
Deve também ter a capacidade de ouvir e depois de decidir.

Deve ter a humildade de reconhecer os seus erros e a inteligência de os corrigir imediatamente.
Deve acreditar nos seus projetos e ser perseverante (até à exaustão) para os implementar.
Deve saber rodear-se de pessoas válidas, saber dialogar e saber delegar.
Deve ter um espírito ganhador e não desistir dos seus projetos e das suas ideias perante as dificuldades.
Deve saber sonhar e acreditar que os seus sonhos se podem um dia tornar realidade, através do seu trabalho e da sua perseverança.
Deve ser respeitador e exigente com os seus colaboradores, como consigo próprio.
Deve ter confiança em si próprio e na sua equipa, mas, se errar ou cair,  deve saber levantar-se e incutir confiança e ânimo nos seus colaboradores.
Deve ter defeitos e ter qualidades, só não pode ser arrogante ou considerar-se superior aos outros: isso é que nunca!

Para se ser líder de uma associação, deve também ser-se um “carola” convicto (com semblantes de poeta), para se entregar de alma e coração a projetos destinadas à sociedade, bem com acreditar nas suas benfeitorias.

 


Polignac-Barros-APPII-MonacoHenrique Polignac de Barros é licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia (ISE), hoje Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Fundador e Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), tem vindo a assumir este cargo de forma ininterrupta desde a sua fundação em 1991 até aos dias de hoje, tendo sido recentemente reeleito para mais um mandato até 2017. É fundador e membro do Observatório do Imobiliário de Lisboa e Vice-Presidente do Conselho Estratégico do SIL - Salão Imobiliário de Portugal. Membro Permanente do Conselho Municipal de Habitação, da Câmara Municipal de Lisboa, é fundador e Presidente de várias empresas ligadas ao sector imobiliário.