Zainadin Dalsuco: Em Moçambique temos sede de aprender e de nos mantermos atualizados

Zainadin Dalsuco: Em Moçambique temos sede de aprender e de nos mantermos atualizados

Zainadin Dalsuco, administrador delegado da Empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM), falando sobre a sua experiência em Silicon Valley, refere que levou “o desafio de replicar em Moçambique a experiência que lá encontrámos” e que “o maior desafio foi aprendermos a não nos mantermos como compartimentos estanques”.

Zainadin Dalsuco cedeu parte desta entrevista no âmbito da sua participação no Programa para Executivos em Silicon Valley, Global Strategic Innovation.

Portal da Liderança (PL): Qual o impacto que a sua experiência em Silicon Valley trouxe ao desempenho da sua liderança?

Zainadin Dalsuco (ZD): Como era de esperar, e o contrário é que seria de estranhar, o impacto foi extremamente positivo sob todas as óticas. O programa para executivos que aí fiz permitiu-me um contacto com todos os envolvidos, não tendo havido diferença entre as pessoas. Nos momentos de debate e nos intervalos houve uma troca de impressões sincera, sempre acompanhadas do sonho de replicar as experiências que estávamos a conhecer nos nossos países.

PL: Quais as soluções que levou de Silicon Valley para a TDM?

ZD: Não diria que levei soluções, mas sim desafios. Todo o ensinamento que tivemos dividia-se em várias áreas. Uma parte que interessava às comunicações, a qual aí representava, outra à telefonia móvel, outra aos provedores de dados, média, entre outros. Na parte que nos cabe, e particularmente porque estamos envolvidos não só nos nosso core business, a telefonia fixa, mas porque somos acionistas em várias outras atividades, como no móvel e na transmissão de dados, média, entre outros, levámos o desafio de tentarmos aumentar a nossa capacidade de desempenho, aumentar as nossas receitas, vendas, angariação de clientes, entre outros, replicando a experiência que encontrámos em Silicon Valley. O maior desafio que levámos foi o de aprendermos a partilhar informações e conhecimentos, trocarmos serviços entre nós e não nos mantermos como compartimentos estanques. 

PL: Considera a TDM uma empresa inovadora?

ZD: Sim considero-a inovadora porque a empresa tem conseguido, desde a sua criação, (1981), adaptar-se às transformações ocorridas no setor das telecomunicações, reajustando os seus modelos de negócio aos novos desafios impostos pela dinâmica do mercado. Olhando para o negócio da empresa, desde os primórdios do serviço básico de telefonia fixa, passando pelo telex, hoje a empresa oferece ao mercado um vasto portefólio de produtos e serviços ao mercado, sendo o principal provedor de infraestrutura de telecomunicações e serviços a operadores de telecomunicações. Entretanto, a empresa precisa de desenvolver novas competências para fazer o uso integral das novas tecnologias em benefício do cliente e do País, e acelerar o passo para competir no mercado em pé de igualdade com outros operadores.

PL Quais os principais desafios que se colocam aos líderes moçambicanos?


ZD: Entre os principais desafios que se colocam aos lideres moçambicanos, há a salientar os seguintes:

  • Gestão Participativa;
  • Valorização das Pessoas;
  • Saber auscultar opiniões e comunicar com os outros;
  • Motivar e inspirar;
  • Integridade e lealdade, conjugados, sempre que possível, com o humanismo;
  • Confiança e honestidade.
 

PL: E que sectores considera mais promissores ao investimento e empreendimentos no país?

ZD: Moçambique é um dos três países que se destacam pelo seu crescimento em África, Continente que se tornará cada vez mais importante em termos económicos, nos próximos anos, de acordo com a empresa de consultoria Deloitte. O PIB de África, afirma um Relatório agora divulgado sobre as perspetivas económicas para o continente, deverá expandir-se 50% até 2019, para 3,7 biliões de dólares, impulsionado pelo crescimento da classe média e por um aumento do consumo privado. “Um crescimento anual de cerca de 8% deverá adicionar 1,1 biliões de dólares ao PIB africano até 2019, com a Etiópia, Uganda e Moçambique entre os mercados com mais rápida expansão”, refere o documento. 
A Deloitte afirma que as empresas precisam de “estratégias de longo prazo” para África, um Continente onde o mundo dos negócios ainda apresenta barreiras a nível legal e burocrático, a par de oportunidades crescentes nos bens transacionáveis, desde os telemóveis aos produtos de luxo. “Onde há desafios, também há oportunidades para inovar. Dado o potencial de crescimento que o continente oferece, as oportunidades de negócio em África podem superar os riscos”, adianta a consultora. O sector dos serviços em Moçambique regista atualmente um forte aumento, beneficiando da vaga de crescimento que o País está a receber, sobretudo em infraestruturas de produção e exportação de matérias-primas energéticas como o carvão e o gás natural. 
A Economist Intelligence Unit prevê que o crescimento económico de Moçambique acelere para 7,8% em 2015, impulsionado pela indústria de carvão e investimento em infraestruturas, mas também pelo “forte crescimento” das telecomunicações, indústria e serviços financeiros (Macauhub/MZ).

Até muito recentemente, a economia moçambicana baseava-se essencialmente na agricultura. Dotado de ricos e vastos recursos naturais, tais como o mar e rios, gás, carvão, minerais, madeiras e extensos terrenos agrícolas, a economia moçambicana baseia-se cada vez mais na indústria, com especial incidência nas áreas petrolífera e mineira.
Moçambique oferece também atualmente importantes oportunidades de investimento em diversos sectores que vão das infraestruturas de estradas, pontes, telecomunicações, ao turismo e energia.
Tudo isto deve ter em conta que as telecomunicações constituem uma autoestrada privilegiada e incontornável na viagem do desenvolvimento económico, político e social do País, tendo disso a TDM plena consciência.

PL: Qual a impressão geral com que ficou do programa para executivos que foi fazer a Silicon Valley?

ZD: Enquanto representante de uma empresa e elemento integrante da direção de um País, não sou suspeito quando digo que a impressão é muito positiva. Embora não tenha podido participar na edição do ano passado, não me arrependo pois pude fazê-lo nesta e fi-lo num momento em que se dão inovações na TDM. Enquanto membro da direção da AICEP já sou um pouco suspeito, mas há em Moçambique um princípio que temos, que é o da crítica e da autocrítica. Temos de saber ouvir e justificar, responder ou desculparmo-nos. Não obstante essa posição e olhando de dentro da AICEP, digo que esta cumpriu mais uma vez o seu dever de ser dos membros, para os membros e com os membros.
Se acompanharmos o número de moçambicanos que participaram na edição anterior deste programa, com os que vieram nesta, e com os que virão na próxima edição, por certo que o número irá duplicar ou triplicar. E não é por vontade de passear, mas pela sede de aprender e nesta área das tecnologias, em que a dinâmica é muito grande, em pouco tempo tudo já é diferente, pelo que temos de estar todos atualizados. 

 


Zainadin-Dalsuco-TDM-EntrevistaZainadin Dalsuco é administrador delegado da Empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM) desde 2011, tendo sido anteriormente o Diretor Nacional do Património Nacional. O seu trabalho levou-o um pouco por todo o mundo, de Moçambique à África do Sul, Angola, Brasil, Portugal e Austrália. É formado em direito pela Universidade Eduardo Mondlane.