Pedro Pinto Coelho: “As empresas que estão a sair de Angola estão focadas na exportação e não na produção local”

Pedro Pinto Coelho: “As empresas que estão a sair de Angola estão focadas na exportação e não na produção local”

O BNI Europa, após ano e meio da inauguração do escritório em Portugal, está “em condições de crescer de forma sustentada”, diz Pedro Pinto Coelho, presidente da comissão executiva da entidade detida pelo angolano BNI. O responsável adianta que o banco está a preparar novidades para 2016 focadas no eixo Europa/Angola, entre elas a entrada nos seguros associados a produtos de crédito. Em relação às empresas portuguesas que estejam a equacionar a presença no mercado angolano, Pedro Pinto Coelho aconselha-as a aproveitarem a atual conjuntura “e que se foquem na substituição das importações”, considerando que este tipo de apostas em contraciclo obriga “a estar bem capitalizado e a ser muito seletivo, algo que, infelizmente, não é muito comum junto do tecido empresarial” luso.

O BNI Europa iniciou atividade no mercado português em julho de 2014 – quais eram os objetivos na altura e, passado quase ano e meio, quais são as atuais metas?
No primeiro ano de atividade o BNI Europa concentrou-se na implementação do seu sistema bancário e no desenvolvimento dos produtos de base para lançar o banco. Depois de um ano, o BNI Europa está em condições de crescer de forma sustentada, focando-se em dois segmentos: no eixo Europa/Angola e no crédito especializado.

Qual é a estratégia para o mercado português?
O banco terá uma plataforma de internet banking e banca móvel que permitirá aos nossos clientes fazer qualquer transação de forma rápida, eficaz e com custos muito competitivos. Associado a esta plataforma, o BNI Europa vai oferecer taxas de remuneração de depósitos mais competitivas que a generalidade dos bancos, dado não termos os custos de estrutura que outros bancos têm. Por outro lado vamos oferecer novos produtos financeiros no crédito especializado que irão ser anunciados em breve.

De momento têm escritório em Lisboa – está prevista a expansão para além da capital portuguesa, para o norte do país, por exemplo?
Não está previsto a expansão da rede. Acreditamos que vamos ter um ou no máximo dois balcões, e o atendimento geral será telefónico e via internet.

O escritório português conta com quantas pessoas?
Em Portugal o BNI conta com 25 colaboradores.

Trabalha com dois segmentos: banca corporativa e banca privada – qual a evolução em termos de clientes neste primeiro ano?
Nós trabalhamos na banca de empresas exclusivamente no eixo Europa/Angola. Isto é, qualquer empresa que tem negócios com Angola tem toda a vantagem em trabalhar com o BNI Europa dado o seu profundo conhecimento e presença no mercado angolano. No segmento de particulares trabalhamos com clientes não residentes, nomeadamente baseados em Angola, e clientes residentes que procuram uma remuneração dos seus depósitos atrativa e uma plataforma de internet banking inovadora.

Como se caracteriza o cliente-tipo do BNI em Portugal?
É o cliente que gosta de inovação e quer um serviço de qualidade a baixo custo. 

Qual o fator diferenciador do BNI para as empresas portuguesas que queiram entrar em Angola? E para as angolanas?
O BNI conhece bem o tecido empresarial em Angola e pode apoiar as empresas portuguesas no processo de investimento no país, assim como no financiamento do negócio em fase cruzeiro. Quanto às empresas angolanas, o BNI pode ajudar no apoio às importações através da área de trade finance.

Que tipo de produtos e serviços lançaram nos últimos 12 meses? Qual a taxa de adesão?
Os produtos lançados estão orientados para as empresas que operam no eixo Europa/Angola e estão focados em diversas formas de financiamento associados à antecipação de remessas de Angola. A adesão tem sido muito grande.


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Em que consiste a nova oferta – a quem se destina e quais as previsões a curto prazo?

Como referi, estamos a preparar um conjunto de produtos na área de crédito especializado, a lançar durante 2016, e daremos detalhes no momento do lançamento.

E em termos da presença/oferta digital?
A nossa oferta digital será lançada em janeiro/fevereiro de 2016 e inclui uma plataforma de internet banking e banca móvel de última geração extremamente fácil de usar.

A entrada nos seguros em Portugal está num horizonte próximo?
Haverá a entrada nos seguros associados a produtos de crédito.

Também no início de 2016?
Sim.

Como tem estado o BNI a trabalhar com os clientes para fazer face à falta de divisas no mercado angolano e a baixa do preço do barril de petróleo? Como prevê que esta questão evolua a curto prazo?
O BNI tem ajudado os clientes via financiamento para ultrapassar a falta de divisas temporária. Acreditamos que o mercado angolano terá um período de ajustamento que poderá ser mais ou menos longo em função do comportamento do preço do petróleo e da evolução no processo de diversificação da economia.

Que conselhos dá às empresas portuguesas que queiram investir em Angola de momento?
O nosso conselho é que aproveitem este momento para entrar no mercado angolano e que se foquem na substituição das importações.

É sequer aconselhável investir em solo angolano, tendo em conta a atual conjuntura económica? São muitas as empresas portuguesas que têm estado a reduzir a presença e até a sair de Angola.
As empresas que estão a sair estão focadas unicamente na exportação e não na produção local. Este tipo de apostas em contraciclo obriga igualmente a estar bem capitalizado e a ser muito seletivo, algo que, infelizmente, não é muito comum junto do tecido empresarial português. O maior êxodo de empresas está associado ao setor da construção.

Em Angola, o BNI conta com quantas agências (entre elas, quantas se dedicam aos clientes private e corporate) e colaboradores?
Temos 85 agências, entre as quais sete centros de empresas e dez centros private, e contamos com 780 colaboradores.

Tendo em conta a sua experiência, em que difere a liderança do tecido empresarial angolano da maneira de liderar do empresariado português? O que poderia cada lado aprender com o outro?
Não acho que se possa generalizar formas de liderar. A forma de liderar depende do líder. Quer em Angola quer em Portugal existem vários líderes organizacionais com os seus estilos próprios. Acho que todos aqueles que têm sucesso têm um elemento em comum: a capacidade de implementar determinada estratégia.

 15-12-2015


Armanda Alexandre/Portal da Liderança


Pedro Pinto Coelho é um profissional sénior do setor financeiro com experiência internacional (na Europa, África e América Latina). Ao longo da sua carreira, o responsável pela gestão do BNI Europa ocupou várias posições de destaque, como a de presidente da comissão executiva da Azure Wealth na Suíça; fundou o Standard Bank Angola, tendo presidido a sua comissão executiva; foi membro do conselho de administração do Standard Bank Moçambique e membro da comissão executiva do CIB Africa no grupo Standard Bank; presidiu a comissão executiva da Amorim Global Investors; exerceu as funções de administrador executivo e global head de assessoria financeira no Banif, Banco de Investimento, em Portugal; fundou e foi administrador executivo do Banif Investment Bank Brasil; e ocupou ainda o cargo de administrador executivo do Citigroup em Portugal, tendo sido responsável da banca de investimento do Citigroup para o mercado português em Lisboa e em Londres. Assumiu, desde o início de setembro de 2015, funções como presidente da comissão executiva do Banco BNI Europa.
O executivo tem um MBA da HEC Paris School of Management, um mestrado em Sistemas de Informação de Gestão pelo ISCTE em Lisboa, bem como uma Licenciatura em Engenharia Industrial pela Universidade Nova de Lisboa.