Fatores humanos são cruciais para o sucesso dos projetos de IoT

Fatores humanos são cruciais para o sucesso dos projetos de IoT

Só 26% das empresas de internet das coisas (IoT) são consideradas um completo sucesso, com um terço dos projetos concluídos a não serem bem-sucedidos, revela um estudo da Cisco. Mas o que contribui para o sucesso? – Fatores humanos como a cultura, organização e… a liderança.

A base instalada de dispositivos de internet das coisas (IoT) a nível mundial vai passar dos 14.900 milhões contabilizados no final de 2016 para mais de 82 mil milhões em 2025, de acordo com estimativas da IDC. Contudo, e apesar do crescimento exponencial previsto, 60% das iniciativas de IoT param na fase de aprovação do conceito (PoC – Proof of Concept). E apenas 26% das empresas são consideradas um completo sucesso, enquanto um terço de todos os projetos concluídos não se classifica como bem-sucedido. Esta é a principal conclusão do estudo recente realizado pela Cisco, em que foram entrevistados 1.845 profissionais de TI e diretores executivos de vários setores nos EUA, no Reino Unido e na Índia. Os inquiridos trabalham para organizações que estão a implementar e/ou já concluíram iniciativas de IoT, tendo todos eles participado na estratégia ou direção de pelo menos uma dessas iniciativas de IoT, segundo o documento apresentado pela Cisco no IoT World Forum (a decorrer de 22 a 24 de maio, em Londres).

Fatores humanos como a cultura, organização e a liderança são fundamentais. Três dos quatro fatores-chave para o sucesso dos projetos da internet das coisas estão relacionados com pessoas e o respetivo trabalho:
- A colaboração entre o departamento de TI e as linhas de negócio é um fator de sucesso (referido por 54% dos inquiridos).
- A cultura tecnológica, chefes de equipa promovidos para o conselho de direção, são considerados fatores-chave por 49% dos entrevistados.
- Experiência na internet das coisas, tanto internamente como através de acordos externos (fator selecionado por 48% dos profissionais).

Também é frisada a importância dos especialistas, com 60% dos entrevistados a referirem que, embora as iniciativas de IoT parecessem simples no papel, se tornaram complicadas mais tarde. As principais barreiras citadas durante todas as fases do projeto são: tempo para concluir; limitação de experiência interna: qualidade dos dados; integração da equipa; superar o que estava planeado inicialmente. O estudo indica que as organizações com maior sucesso em iniciativas IoT foram apoiadas por ecossistemas de parceiros em cada fase do projeto, observando desde o planeamento estratégico até relatórios e resultados após a entrada em produção.

E, no sentido de otimizar o negócio, 73% dos inquiridos estão a utilizar dados dos projectos IoT já concluídos. Os três principais benefícios apontados são: aumento da satisfação do cliente (70%), melhorias operacionais (67%) e maior qualidade dos produtos ou serviços (66%). O aumento da rentabilidade é o principal benefício não esperado (39%).

Mas porque errar também é importante, 64% dos entrevistados afirmam ter aprendido com iniciativas de IoT estancadas ou falidas, dado que ajudou a acelerar o investimento das organizações.

Por fim, e apesar dos desafios, muitos dos entrevistados estão otimistas quanto ao futuro da internet das coisas, tendência que ainda está no inicio da evolução, com 61% a acreditarem que estamos apenas no começo do que a IoT pode fazer pelos seus negócios.

23-05-2017


Armanda Alexandre/Portal da Liderança