A mudança como vantagem – Nuno Olim Marote

A mudança como vantagem – Nuno Olim Marote

Saber gerir a mudança - e os obstáculos - é, sem dúvida, o exercício dos exercícios para qualquer líder empreendedor. Fazer da mudança - e dos obstáculos - uma vantagem total é, no meu entender, enquanto empreendedor e sonhador (pensador), o desafio dos desafios.

Important principles may, and must, be inflexible.” - Abraham Lincoln
"There is no substitute for hard work.” - Thomas A. Edison

O presidente Abraham Lincoln (1809 - 1865) e o empresário empreendedor Thomas Edison (1847 - 1931) ditaram a evolução da humanidade pela sua determinação, inflexibilidade, coragem e genialidade. O primeiro, responsável pela abolição da escravatura nos Estados Unidos da América, o segundo, responsável pelo registo de inúmeras patentes que ditaram o avanço tecnológico e científico do século XX. Ambos são exemplos inspiradores pela capacidade de mudar e de marcar o seu tempo com avanços inequívocos – quer ao nível da defesa dos direitos humanos, quer ao nível científico e tecnológico – que mudaram o mundo. 

A verdade é que determinaram uma expressiva mudança de cenário, narrativa ou ambiente. E essa rutura percebe-se agora como condição necessária e crucial para a evolução da humanidade e para o desenvolvimento.

É tão mais interessante e apaixonante quando percebemos a personalidade inerente a cada um deles e a sua determinação e vontade inequívoca de mudar. 

No meu entender e dimensão, acredito que a mudança – a par com os obstáculos - são dos ingredientes que mais desafiam, determinam e ajudam a conceber projetos, a potenciar ideias e a desenhar novos enquadramentos e ambientes. Outro é, sem dúvida, a determinação (e inequívoca paixão pela ideia). E isso define e legítima (quase) tudo.

O facto de sermos confrontados com “nãos” ou “sins”, ou com outros fatores de uma qualquer outra dimensão que potencie a mudança e que se possam vir a tornar obstáculo ou que imponha uma mudança significativa de rumo ou de narrativa, impõe-nos sempre a condição – enquanto empreendedores e estrategas – de sermos capazes de identificar a vantagem total desse obstáculo ou mudança. No meu caso concreto, agradeço todos ou “nãos” que recebi por terem sido muito mais inspiradores que quaisquer “sins”. As soluções encontradas foram sempre muito mais interessantes e iluminadas (pela dimensão e pela ambição que impunham). 

Nesta perspetiva, a mudança – induzida ou casual – só pode ser observada com positivismo e como elemento inspirador. 

Este meu confronto e a procura estratégica de soluções constituem sempre processos muito dinâmicos, sendo que esta premissa é tanto mais válida quanto a maior ligação que temos com o projeto ou com a ideia. Enganam-se, mesmo, aqueles que pensam que podemos delegar nos outros o desenho e a execução de um projeto-ideia, concebido e idealizado por nós próprios, e que tem de arrancar e de ser implementado. 

No desenho do Projeto Sustentar, de que fui mentor e que coordeno, sempre que o fiz, não correu como desejado. Por essa razão, afirmo que, se é o seu “sonho”, a sua ideia, por regra, nunca deve delegar a sua execução e respetivo acompanhamento, em especial no arranque. Seja determinado, inflexível e, acima de tudo, resiliente. Nunca esquecendo a velha máxima que resulta da citação de Thomas A. Edison, “no pain no gain”.  

Convém, no entanto, não confundir esta vinculação individual com a necessidade de se discutir a qualidade da ideia-projeto com outros, ou até mesmo de recebermos o seu apoio, individual ou institucional. 

Action is the real measure of intelligence.” - Napoleon Hill


No caso concreto do Projeto Sustentar, sem dúvida o maior desafio que tenho em mãos, cuja génese e estratégia foi sempre a de ter a validação – ao mais alto nível – de importantes instituições e personalidades, tem estado sujeito a mudanças inacreditáveis. Essa estratégia, por mim definida, permanece inalterável, mesmo inflexível. É uma questão de narrativa aprovada, institucionalizada, se assim quisermos. Mas que, no meu entender, de mentor e de coordenador, era a minha condição necessária para avançar. E acreditem que tem sido um desafio permanente e poderoso porque muitas das personalidades que “assinaram” e atribuíram os apoios institucionais que ditaram grande parte da narrativa, mudaram de funções, de interesses e de geografias. O mundo (e as carreiras) movem-se cada vez mais a uma velocidade ultrassónica.

Saber gerir essa mudança é cada vez mais determinante, pelo que, como nos sugere Napoleon Hill (1883 – 1970), norte-americano considerado um dos homens mais influentes na área da realização pessoal, a ação é a real medida da inteligência. Agir e reagir é mandatório. A dúvida é apenas sobre como e em que direção agir e reagir.

No entanto, por estar convicto de que trabalhar com os melhores e com as grandes referências – e conseguir o seu tempo e apoio – ser o caminho certo para nos elevar o patamar do desafio e nos conduzir com mais certeza à excelência, o preço a pagar é o de estarmos a ser sujeitos a alterações significativas.

Por isso, não hesito em dizer que há males que vêm por bem e que o esforço e a dedicação continuada legitimam sem igual quaisquer conquistas. Na maioria das vezes, mais vale darmos um passo atrás, para depois podermos dar dois (ou mais) passos em frente.

 


Nuno-Olim-MaroteNuno Olim Marote é fundador e Presidente do Projeto Sustentar – Plataforma Multidimensional e Inclusiva para o Desenvolvimento, projeto desenvolvido e ancorado ao PhD em Estudos de Desenvolvimento do ISEG e com o Alto Patrocínio da Presidência da República de Portugal e Cabo Verde, apoio institucional da CPLP e da UNESCO. Foi auditor da KPMG Portugal e consultor da Capgemini Ernst Young. É Licenciado em Gestão de Empresas pelo ISG.