Tem um lugar à mesa

Tem um lugar à mesa

Na primeira reunião, o meu CEO disse que não queria saber se eu era nova, menos experiente ou que área dirigia – tinha um lugar à mesa do CA e igual representação na sua equipa, e era tão responsável como ele. Foi um momento poderoso.

Lúcia Soares

Era o meu primeiro dia após ter sido promovida a vice-presidente (VP) e CIO de um franchise da multinacional onde trabalhava. A promoção a VP era um grande passo, e estaria a mentir se dissesse que não estava um pouco ansiosa na minha primeira reunião com o presidente da empresa. O cargo que eu tinha acabado de aceitar envolvia trabalhar de perto com ele para transformar um negócio que se baseava fortemente em tecnologia e estava a tornar-se rapidamente numa commodity. E iria sentar-me à mesa de reuniões do conselho de administração (CA) com outros vice-presidentes que tinham muito mais anos de experiência.

Assim que a conversa começou, ele olhou-me nos olhos e disse: “quero que saiba, tem um lugar igual à mesa. Não quero saber se é nova, ou se é menos experiente. E não quero saber se está à frente da tecnologia de informação e não das vendas. Tem representação igual na minha equipa; a sua opinião e voz importam tanto como as de qualquer outra pessoa e, como tal, é tão responsável ​​por este negócio como eu sou”.

Uau – que momento poderoso. Este líder experiente, com um historial incrível, estabeleceu de imediato uma ligação comigo enquanto indivíduo, como profissional e como ser humano com o desejo de gerar resultados e transformação. Não disse que eu era muito nova ou muito inexperiente; que talvez devesse ouvir durante alguns meses, observar, tomar notas e voltar com algumas ideias. Ele pediu-me para me envolver logo, e a partir daquele momento em diante teve 110% de toda a minha energia, dedicação e talento focados nos seus objetivos e visão.

Quando penso naquela experiência e naquele trabalho, posso dizer que dei realmente tudo de mim, indo muitas vezes além para aprender rápido, para contribuir e assumir riscos calculados que faziam a nossa visão avançar. Também aprendi mais que em qualquer dos outros trabalhos anteriores, porque tinha o apoio com a “cobertura aérea” certa para tentar e ter sucesso ou tentar e falhar. Ambas as opções eram aceitáveis.

Cada trabalhador é motivado por desejos diferentes. Mas aventuro-me a apostar que que cada funcionário se sente altamente motivado quando a sua voz e opiniões são tratadas com equidade, bem como quando é dada a oportunidade de impulsionar a mudança, independentemente da sua origem, dos anos de experiência ou da área em que trabalha. Ver o potencial em cada colaborador e deixar para trás os seus preconceitos inconscientes e conscientes sobre o que considera serem as limitações pode desbloquear uma paixão e energia nunca antes testemunhadas. Tente!

17-02-2016

 

LuciaSoaresLúcia Soares, vice-presidente de healthcare technology strategy na Johnson & Johnson (J&J) nos EUA, é responsável pela coordenação e priorização dos esforços de inovação em tecnologia de saúde na companhia, fazendo a ligação com os objetivos críticos de negócio que aceleram o crescimento. Nos últimos 13 anos a luso-americana ocupou cargos de crescente responsabilidade na área de TI da J&J, com a criação de estratégias de sistemas de tecnologia, priorizando os portefólios de iniciativas de sistemas e fornecendo soluções. Antes esteve na empresa de consultoria em marketing interativo SBI, onde chefiou as áreas de project management office e de experiência do utilizador. 
Filha de imigrantes açorianos, casada e mãe de duas meninas, vive em San Jose, na Califórnia, EUA. Inspirada pela literatura, línguas, e a comunidade, tem um mestrado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de San Jose, um mestrado em Literatura pela Universidade da Califórnia, e é bacharel em Línguas Estrangeiras pela Universidade Estadual de San Jose.