Lisboa inovadora: das start ups à sustentabilidade

Lisboa inovadora: das start ups à sustentabilidade

As empresas de topo com sede em Lisboa estão a par das últimas tendências em inovação, empreendedorismo e tecnologia. Em Portugal há um entendimento de que concorrência significa olhar para fora.

 Jonathan Littman

Lisboa, em Portugal, é uma cidade com o objetivo ousado de se tornar um centro global de empreendedorismo, e durante a minha visita a semana passada houve momentos em que este nativo de São Francisco teve de olhar duas vezes: as ruas íngremes, o som dos elétricos, e a maravilhosa ponte vermelha quase idêntica à nossa Golden Gate.

Lisboa é uma cidade luminosa, encantadora, cosmopolita, mais navegável que as metrópoles Londres, Paris ou Roma, mas ainda rica em história e cultura. Os lisboetas falam bem inglês e francês, e têm uma aceitação confortável de visitantes e turistas. O tempo e o tamanho administrável desta cidade costeira atlântica atrai jovens empreendedores de todo o mundo. Lisboa tem pouco mais de meio milhão de habitantes (o número passa para 3 milhões com a área metropolitana envolvente). O talento técnico local é excelente – uma start up dos EUA poderia contratar três engenheiros talentosos fluentes em inglês pelo preço de um codificador de São Francisco.

As empresas de topo com sede em Lisboa estão a par das últimas tendências em inovação, empreendedorismo e tecnologia; e em Portugal há um entendimento de que concorrência significa olhar para fora, não só para as antigas colónias do Brasil, Moçambique, Angola e Macau, mas para os EUA, a Ásia e a Europa.

Os meus oito dias na cidade foram preenchidos por trabalho inspirador com uma empresa portuguesa de consultoria que conheci em São Francisco há vários anos e com a qual comecei a trabalhar, a Leadership Business Consulting; mas também tive tempo para andar para cima e para baixo nos vários andares pitorescos da Startup Lisboa, uma incubadora fundada em 2011 pela Câmara Municipal de Lisboa. A localização, na Baixa, num edifício clássico junto ao rio Tejo, é perfeita para jovens empreendedores e negócios. Com mais de 200 start ups apoiadas, esta incubadora está a liderar o caminho no panorama start up em rápido crescimento. 

O meu amigo português José Freitas diz-me que a CoworkLisboa, localizada num antigo espaço industrial (LX Factory), é “o lugar para estar”, a primeira incubadora num grande espaço aberto em Lisboa e em Portugal, proporcionando sinergias em grande parte através do número de nacionalidades presentes.

Finalmente, a gigantesca conferência europeia Web Summit estará na cidade em novembro deste ano, naquele que é o maior e mais influente evento de empreendedorismo, inovação e tecnologia, ostentando 600 palestrantes e personalidades como Mike Schroepfer, CTO do Facebook; Sean Rad, cofundador e CEO do Tinder; e até mesmo Ronaldinho, antiga estrela do futebol brasileiro que agora é um homem de negócios e empreendedor bem-sucedido.

Ao subir as ruas íngremes perto do Castelo de São Jorge, um castelo mouro espetacular com vistas panorâmicas da Ponte 25 de Abril (concebida a partir da ponte Golden Gate), vi o espírito do empreendedorismo. Espontaneamente, Madalena (na foto) fez-me uma apresentação/pitch ao estilo São Francisco da loja Garbags: “dá-nos o seu lixo, e nós fazemos sacos. Dá-nos lixo suficiente e recebe sacos gratuitos”.

Comprei cinco de bom grado, encantado com o design, o conceito, e espírito da Madalena. O site da Garbags é sofisticado e autêntico: “Num mundo em que parece que tudo já foi inventado, a Garbags acredita que a inspiração pode vir do equilíbrio certo entre a ecologia, qualidade e design”. Fundada em 2011, já desviou 165 mil sacos de aterros sanitários, uma visão inspirada na sustentabilidade ambiental, criatividade e respeito pela natureza. A empresa transforma embalagens de café em bolsas, tubos de pasta de dentes em estojos para lápis e cabos elétricos em colares. Uma flor silvestre da inovação numa rua íngreme de calçada, este empreendimento cativante encarna tudo o que há para celebrar Lisboa: uma loja que transforma o lixo em moda, e aponta para um futuro mais sustentável e promissor através de design thinking.

20-09-2016

Nota: Tradução do texto de Jonathan Littman originalmente publicado no site da SmartUp.life, que reúne case studies sobre inovação e design thinking, e convida os utilizadores a explorarem mais de 80 artigos.


JonathanLittman2

Jonathan Littman, professor de inovação e empreendedorismo na Universidade de São Francisco, é autor bestseller (contando, entre as suas obras, com “As 10 Faces da Inovação”, escrita em coautoria com Tom Kelly, CEO da IDEO). O também fundador do hub de inovação SmartUp.life e da Snowball Narratives promove sessões e workshops interativos sobre, entre outros conceitos, inovação, empreendedorismo e design thinking.