Há coisas que nunca mudam – até na liderança

Há coisas que nunca mudam – até na liderança

As novas tecnologias e o digital são fundamentais na liderança, mas é importante estarmos conscientes de que as estratégias bem-sucedidas continuam a depender de pessoas.

Mónica Serrano

Nesta nova era digital muito se tem falado de uma redefinição de liderança, necessária para o sucesso de uma organização. As novas soluções tecnológicas e a incorporação do digital, quando bem pensados e acionados, trazem inúmeros benefícios à liderança.

O fator decisivo está na capacidade de adequar a cultura organizacional não só às tecnologias mas às novas gerações. E esta inclusão tem inúmeros desafios inerentes ao facto de gerações cuja palavra “tecnologia” esteve desde sempre enraizada interagirem com gerações cujo termo passou a fazer recentemente parte do seu vocabulário. Com isto não quero dizer que as competências tradicionais foram suprimidas, pelo contrário, são fundamentais para qualquer negócio.

Os famosos Millennials vieram marcar uma mudança na gestão de pessoas. Com as grandes diferenças comportamentais face às gerações anteriores, em muito refletidas na forma como olham para sua carreira, esperam líderes mais rápidos, integradores e sociais, que lhes proporcionem liberdade para inovar e para mudar. E é aqui que a tecnologia desempenha um papel essencial, ao dar-nos, por exemplo, acesso a dados e informação necessários a uma rápida tomada de decisão. 

Mas o digital é “apenas” um instrumento, não um fim. Mais do que nos rodearmos de tecnologias, é fundamental estarmos conscientes de que as estratégias bem-sucedidas continuam a depender de pessoas. Inspirar e saber quem está perante nós, de forma a direcionarmos a mensagem de uma forma individual e única, são questões essenciais para o papel dos líderes. E isto é algo que sempre aconteceu e que, a meu ver, nunca irá mudar; não é um fenómeno exclusivo da época que atravessamos. Aliás, no final do dia, as pessoas que consideramos verdadeiros exemplos de liderança ainda são os líderes de antigamente. Pessoas visionárias, realmente inspiradoras, acessíveis e com um grande pensamento estratégico.

Ter uma estrutura e cultura organizacional mais flexível e valores alinhados com toda esta diversidade geracional fará toda a diferença. Nunca atingiremos o sucesso se as nossas equipas não estiverem 100% conectadas e, digitalmente falando, always on.

Tenho o privilégio de ser gerida por uma líder que tem estes princípios, e eu própria tenho o privilégio de ter esta diversidade dentro da minha equipa. A L’Oréal é uma empresa que nos permite a todos crescer, com base em valores fortes e sustentáveis no tempo, mas sempre com a possibilidade de inovar e integrar o novo paradigma de gestão digital na nossa liderança. 

24-10-2016 

Monica Serrano LOreal LittleMónica Serrano, chief marketing officer na L’Oréal Portugal, iniciou a carreira do lado das agências e na área de consultoria. Licenciada em Gestão e com mestrado em Marketing pelo ISCTE, rapidamente se apaixonou pelo mundo das marcas. A L’Oréal foi a casa escolhida, onde diz ter aprendido a importância da beleza na autoestima das pessoas – é essa a grande motivação do seu dia a dia. A executiva entrou na multinacional de origem francesa em 2013, para o cargo de media e consumer insights director; dois anos depois assume as funções que exerce atualmente. Nos últimos anos o departamento digital, sob a sua alçada, levou-a a ter uma visão sobre as novas tendências do consumidor online e a trabalhar e a comunicar as marcas de uma forma muito distinta.