Um lugar à mesa

Um lugar à mesa

Para que seja visto como um parceiro em definitivo, o in-house counsel deve criar as condições para ajudar as organizações a crescerem e a conquistarem a liderança. E assim assegurar um lugar à mesa.

Rita Branquinho Lobo

O papel do advogado interno – o in-house counsel – tem vindo a crescer e a mudar radicalmente nos últimos 20 anos. Passou de mero guardião da legalidade das empresas, com uma função de fiscalização, para um verdadeiro e importante parceiro de negócio. Ganhou, finalmente, um lugar à mesa.

Em tempos, li um artigo que falava precisamente sobre o papel do advogado interno nas empresas. A certa altura, o autor fazia referência a uma carta que um CEO de uma multinacional enviou ao director-geral de uma das suas sucursais. Nessa carta, o CEO manifestava a surpresa pelas vezes que ele recorria ao advogado interno, mostrando até alguma preocupação porque, na sua perspetiva, “ele não tinha qualquer experiência na condução do negócio, nem estaria preparado para “criar” algo, tendo apenas capacidade para dar uma opinião sobre algo que lhe era apresentado”.

Esta carta é do início do séc. XX e, desde então, em particular nas últimas duas ou três décadas, o papel do advogado evoluiu, tornando-se numa verdadeira alavanca do negócio. Mais, hoje um in-house counsel é muitas vezes chamado a participar na estratégia da empresa, acompanhando-a no seu caminho para a liderança.

Mas o lugar à mesa tem de ser conquistado. E, para tal, não basta garantir que o advogado é chamado “quando precisam dele”. O in-house counsel deve conhecer a fundo o negócio do seu cliente, os riscos e os desafios que ele enfrenta, para poder prestar todo o apoio necessário, apoiando inclusive na criação de novos modelos de negócio.

Aproveitando o facto de estar, regra geral, nas mesmas instalações que o cliente, deve ter a capacidade de se relacionar de forma próxima com o negócio, para que seja naturalmente envolvido na negociação desde o primeiro momento. Ao ter um papel mais ativo, o cliente e o negócio só podem sair beneficiados dessa proximidade, tornando possível antecipar eventuais necessidades. No entanto, é também necessário manter a independência, para que não se iniba de dizer que não à organização, sempre que tal se revelar a melhor solução, gerindo todos os riscos envolvidos.

Por fim, e para ser visto como um parceiro de negócio em definitivo, o in-house counsel deve criar as condições necessárias para ajudar as organizações a crescerem e a conquistarem a liderança, dentro e fora de portas. E, assim, assegurar um lugar à mesa.

11-07-2017


Rita Branquinho Lobo little

Rita Branquinho Lobo é head of legal affairs na Novabase, empresa que integrou em 2008. Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, tem o título de advogada especialista em Direito do Trabalho pela Ordem dos Advogados, e conta com uma especialização em Fiscalidade pelo ISCTE.
Do seu percurso profissional faz parte a integração em sociedades de advogados como a ABBC & Associados, a Abreu Advogados, a Cuatrecasas e a SPS Advogados.
A diretora jurídica apoia a Déjà Lu, uma casa de livros “que já fizeram companhia a alguém, que são revendidos, e cuja receita reverte 100% a favor da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21”.