Economia gig e as 3 coisas que estão a mudar no marketing

Economia gig e as 3 coisas que estão a mudar no marketing

Ir a um restaurante com uma receita que gostaria que o chef fizesse é algo que provavelmente não lhe passaria pela cabeça. Enquanto a maioria de nós nunca experimentou este tipo de serviço, é semelhante a uma tendência que tenho vindo a observar no marketing.

Melinda Lewis

A tendência está enraizada na economia gig [ocupações temporárias e sem vínculo]. Graças à economia gig, os serviços tornados commodities criaram mais oportunidades para as pessoas realizarem uma variedade de tarefas em todo o mundo. Os responsáveis das empresas têm agora mais acesso, e a um preço mais acessível, a uma variedade de fornecedores de serviços de curto prazo. E, à medida que as empresas procuram poupar dinheiro, contratar um consultor para implementar, projetar, codificar, etc., exatamente o que um negócio precisa, é agora tão simples como ter um motorista on demand. Bem, quase.

Há três aspetos que a economia gig está a mudar em termos de marketing.

1. Expectativas. “Todos são profissionais do marketing” é uma frase que os marketers costumam proferir nas situações em que os clientes não sabem sobre o que estão a falar. Por exemplo, os gestores sem qualquer experiência em marketing que criam as próprias especificações para projetos de marketing que incluem tudo, desde a proposta do texto para a publicidade até ao marketing mix pretendido. E em seguida tentam contratar exatamente aquilo que acreditam que será bem-sucedido. Embora eu aplauda a sua determinação, muitas vezes uma variedade de fatores, incluindo a falta de conhecimento, de budget e de cronograma, tornam as suas expectativas de marketing irrealistas.

2. Concorrência. Da Fiverr à Malt, há mais opções do que nunca para contratar suporte de curto prazo em marketing digital. Pode ser difícil escolher a pessoa certa, que seja de confiança e que faça um trabalho ético e profissional. Contudo, associado a mais opções vem o carácter descartável em termos de freelancers e de consultores. Além do mais, as relações transitórias da economia gig tornaram-se prática standard, sendo inexistente o valor de uma relação profissional de longo prazo.

3. Custo. O preço atribuído ao trabalho feito por contratados de curto prazo pode variar, e pode ou não ser indicativo da qualidade do mesmo. Além disso, a relação custo-benefício que um contratado de curto prazo pode proporcionar a um negócio não é calculada apenas em dinheiro, mas também no que diz respeito a tempo e a eficácia. Por exemplo, um grupo nas Filipinas pode ser encarregado de fazer anúncios no Facebook por um preço mais baixo que nos EUA. No entanto, as equipas de marketing offshore podem não estar a par das diretrizes de branding ou ter muita experiência em otimização.

Para concluir, o marketing é uma arte e uma ciência e, como tal, continua a evoluir com a economia gig. As mudanças de expectativas, na concorrência e no custo aqui mencionadas são apenas o início de uma discussão mais ampla, tanto para marketers como para as empresas. Todavia, a ideia de fundo mantém-se: “Recebemos o que pagamos. Pagamos o que recebemos”.

19-06-2018


Portal da Liderança


Melinda Lewis Small

Melinda Lewis é uma profissional e instrutora de marketing digital sediada na Baía de São Francisco, nos EUA. Formada na School of Foreign Service da Universidade de Georgetown, em Washington, D.C., trabalhou no México, em Espanha e na França. Em 2016 foi considerada uma das consultoras de marketing Best ProFinder do LinkedIn (a plataforma ProFinder faz a ligação entre os consumidores e pequenas empresas a serviços de profissionais freelancers). Melinda dá ainda aulas de marketing, tendo lecionado Negócios Internacionais e Comunicações Interculturais em Paris num curso de verão entre 2013 e 2016.
Melinda Lewis trabalhou como consultora na Leadership Business Consulting em São Francisco, no desenvolvimento de novos negócios para start-ups portuguesas e dando apoio num programa de inovação em Silicon Valley.
Autora e ávida viajante, gosta de escrever sobre o futuro do trabalho, a sociedade e as nuances culturais. Aliás, prepara-se para lançar o último livro da trilogia “A Millennial’s Journey to Pay Off Student Loans” – “One Way Home”.