O que Silicon Valley me ensinou – nos últimos dois dias

O que Silicon Valley me ensinou – nos últimos dois dias

Desde uma visita ao Centro para a Quarta Revolução Industrial do Fórum Económico Mundial para ter uma sessão sobre blockchain a uma palestra sobre inovação e design thinking, os últimos dias na Bay Area foram preenchidos.

Gabriel Giehl Martins

O penúltimo dia em São Francisco começou numa instalação militar restaurada, The Presidio, perto da famosa Golden Bridge. E fomos ao Centro para a Quarta Revolução Industrial do Fórum Económico Mundial (FEM) para ter uma sessão sobre esta recém-criada infraestrutura e falar sobre a tecnologia emergente blockchain.

O Fórum Económico Mundial é uma organização internacional para a cooperação público-privada que visa envolver os principais líderes políticos, de empresas e outros líderes da sociedade para moldar agendas globais, regionais e setoriais. De acordo com o FEM, “a quarta revolução industrial – o atual período de transformações rápidas, simultâneas e sistemáticas impulsionadas pelos avanços da ciência e da tecnologia – está a remodelar as indústrias, a esbater fronteiras geográficas, a desafiar os negócios existentes e até mesmo a redefinir o que significa ser humano”.

O Centro do Fórum para a Quarta Revolução Industrial é um ponto fulcral recentemente estabelecido na comunidade internacional para o diálogo com múltiplas partes interessadas e a cooperação concreta em desafios e oportunidades de governança apresentados pelas tecnologias avançadas. Serve como plataforma público-privada para o desenvolvimento colaborativo e aperfeiçoamento de estruturas e protocolos que antecipam melhor os riscos e aceleram os benefícios sociais da tecnologia. 

Na prática, o centro aproxima e reúne Governos, organizações empresariais, start-ups dinâmicas, a sociedade civil, o mundo académico e organizações internacionais para identificar e priorizar o impacto de fundo de tecnologias emergentes, coprojetar protocolos de governança inovadores e molduras políticas, e pilotar e escalá-los com parceiros em todo o mundo. Está a concentrar-se em sete pilares:

1. Inteligência artificial (IA) e machine learning. Áreas de projeto: ferramentas de tomada de decisão para conselhos de administração, protocolos para a utilização governamental de IA, e padrões para a IA direcionada para crianças.

2. Internet of things (IoT) e dispositivos conectados. Áreas de projeto: priorizar a segurança durante o processo de design da IoT, reforçando a proteção da privacidade pública, promovendo a transparência e a abertura, e mobilizando as forças do mercado para a igualdade.

3. Blockchain. Áreas de projeto: identidade e certificação digital, integração da cadeia de distribuição, contratos inteligentes e sistemas monetários.

4. Mobilidade urbana e autónoma. Áreas de projeto: escalar insights do projeto-piloto de veículos autónomos em Boston (EUA), desenvolvimento de plataformas de mobilidade e de gestão de dados de cidades, lançamento da New Mobility Coalition e construção da plataforma de conhecimento CityWeb para os trabalhadores de transportes urbanos e principais executivos. 

5. Drones e espaço aéreo no futuro. Áreas de projeto: novos paradigmas para a regulamentação de drones, entregas via drones em populações remotas, políticas para dados fornecidos por drones, re-imaginar a certificação de aeronaves e os protocolos para entregas na área da saúde. 

6. Medicina de precisão. Áreas de projeto: gerar evidência da eficácia da medicina de precisão, partilha de dados e infraestrutura relacionada, integrar a abordagem da medicina de precisão na regulamentação, preços e reembolso nos diagnósticos e tratamento, e envolvimento do paciente e do público. 

7. Comércio digital e fluxo transfronteiriço de dados. Áreas de projeto: desenvolver um conjunto de ferramentas reguladoras para pagamento eletrónico, novas políticas para viabilizar o comércio eletrónico, abordagem baseada no risco para políticas de dados e acelerar a inovação nas trocas comerciais. 

Já no hotel Hyatt Regency San Francisco encontrámo-nos com Jonathan Littmane a sua esposa, Susanna Camp. Ele fez uma palestra sobre inovação e design thinking e partilhou connosco a sua experiência profissional de mais de 30 anos. Colocámos em prática a sua metodologia para criar um novo produto ou serviço para o mercado de São Francisco. Adivinhem que grupo venceu a competição? 😊
Durante a sessão Jonathan fez um resumo do seu livro, “The Ten Faces of Innovation”. Se ainda não leu, por favor, leia.

A última sessão do dia foi no WeWork, outro local conhecido de cowork na Bay Area. Visitámos as instalações e tivemos uma sessão sobre a AICEP Portugal Global, uma entidade pública independente do Governo português, com o objetivo de atrair investimento estrangeiro para Portugal e apoiar a internacionalização das empresas lusas na economia global.

Mas a parte mais interessante foi a sessão de pitch, onde pudemos colocar em prática o que aprendemos durante o seminário e testar os nossos pitches. Cada um de nós fez um discurso/pitch, seguido de feedback do grupo. Foi definitivamente uma ótima experiência de aprendizagem. 

E foi isto. Quatro dias de visitas e de palestras! 

No quinto e último dia tivemos uma sessão matinal para concluir e discutir o que aprendemos durante a semana. Tivemos também um discurso sobre como ser um líder inovador e como implementar inovação nas nossas empresas. Mas este é um tópico para outro artigo. 

Espero que tenham gostado destes quatro artigos e que tenha acrescentado valor!

04-10-2018


Portal da Liderança


Gabriel Martins Small

Gabriel Giehl Martins é senior manager na brasileira Rede D’Or São Luiz (a maior empresa de gestão hospitalar da América Latina). Formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil), tem mais de dez anos de experiência em projectos de estratégia e gestão com atuação em segmentos como o da saúde, logística, educação, serviços, tecnologia ou oil & gas.

Eleito Best Student Leader em 2017 após ter concluído o MBA pelo The Lisbon MBA (Universidade Nova e Universidade Católica em Lisboa, e MIT Sloan nos EUA), encontra-se na fase final da sua tese de mestrado em Business (também pelo The Lisbon MBA).

Apaixonado por conhecer novas culturas através de viagens, da culinária e da leitura, também se diverte a assistir ou a jogar um bom futebol.