Silicon Valley Talk

Silicon Valley Talk

Tenho a honra de arrancar com uma nova coluna no Portal da Liderança, escrita por profissionais sediados em Silicon Valley, nos EUA.

Torben Rankine

Antes, algum contexto sobre Silicon Valley e a Califórnia em geral. No primeiro trimestre de 2015 os investidores de risco injetaram cerca de 52% dos 11.3 biliões de dólares investidos nos EUA em empresas de tecnologia com sede na Califórnia (de acordo com a CB Insights, que acompanha apenas os investimentos de risco). A Bay Area, composta por São Francisco e zonas envolventes, incluindo Silicon Valley, lidera de longe em termos de financiamento de risco; a regra geral é que um terço do capital de risco do mundo tem origem nesta área, outro terço nos EUA e o último terço no resto do globo. 

Dado que este é o primeiro artigo nesta rubrica, talvez seja apropriado concentrarmo-nos na linguagem que usamos diariamente. Alguns de vocês já devem ter visto a série da HBO “Silicon Valley”, que dá uma ideia do ambiente e jargão utilizados na zona. Este é um ecossistema único que tem vindo a ser desenvolvido e amadureceu ao longo dos últimos 80 anos. 

No que diz respeito a buzzwords locais, as que se seguem são as minhas favoritas:

1. Unicorn – Startup cujo valor ultrapassou o 1 bilião de dólares.

2. Pivot – Refere-se a uma mudança de estratégia, normalmente quando uma estratégia está estagnada ou não funciona, as startups mudam o rumo estratégico. Isso é pivoting.

3. Disrupt/disruptive innovation – Inovação que ajuda a criar um novo mercado, e, eventualmente, quebra/interrompe um mercado e rede de valor existentes (ao longo de alguns anos ou décadas), deslocando uma tecnologia prévia.

4. Pre-revenue – Uma empresa/startup pre-revenue que não tem registos financeiros que possam ser extrapolados.

5. Bootstrap – Quando um empreendedor cria uma empresa com pouco capital. Diz-se que alguém está a fazer boot strapping quando tenta erguer uma empresa com finanças pessoais ou com as receitas operacionais dessa nova empresa.

6. Stealth mode – Quando uma startup está numa fase de sigilo, não revelando o que realmente faz, na tentativa de afastar a potencial concorrência.

7. Acquihire – Aquisição de uma startup devido ao talento dos recursos humanos que tem à sua disposição.

8. Freemium – Estratégia utilizada por startups para ganhar dinheiro empurrando o número máximo possível de pessoas para a parte superior do funil na expectativa de que algumas se convertam em utilizadores pagos.

9. Scalable – Capacidade de fazer crescer um negócio para além da fase de validação.

10. Pitch – Consiste em apresentações curtas de 1 a 10 minutos (na maioria 3 minutos) por parte dos empreendedores aos investidores, seguindo uma sequência estruturada que ou acaba com o interesse ou leva o empreendedor para o próximo nível do relacionamento. Nem vale a pena aparecer neste tipo de eventos se não tiver preparado o pitch.

E no campo do Twitter há quatro siglas a ter em mente:

FOMO (Fear of missing out) – Leva as pessoas a ajudarem e a não descartarem as ideias mais loucas. Imagine ter perdido a oportunidade de investir no Google ou no Facebook. Isso aconteceu, veja a Bessemer Venture Capital Anti-Portfolio. (https://www.bvp.com/portfolio/antiportfolio)

MVP (Minimum Viable Product) – Produto com o maior retorno sobre o investimento versus o risco. O termo foi cunhado e definido por Frank Robinson, e tornado popular por Steve Blank e Eric Ries.

SoLoMo – Refere-se aos três aspetos que resolvem os problemas de qualquer negócio online: social, local, móvel.

IoE (Internet of Everything) – A internet de todas as coisas é apresentada como o futuro, um fenómeno maior que a própria internet. Grandes players como a Cisco e a Google estão a apostar forte nesta área, que acabará por conectar todos os objetos do cotidiano.

Assim, se está a planear deslocar-se à Bay Area lembre-se destas palavras-chave. Quando em Roma, faça como os romanos.  


01-09-2015

 

torben copyTorben Rankine é diretor da West Coast Sales e country manager da Leadership Business Consulting nos EUA.