Liderança? Some have, some don’t! - Camilo Lourenço

Liderança? Some have, some don’t! - Camilo Lourenço

É frequente elogiarmos o CEO A, ou o “chairman” B pela forma brilhante como conduzem as organizações que dirigem. E acabamos quase sempre a falar das mesmas pessoas: Jack Welch, Bill Gates, Steve Jobs, Richard Branson, Emilio Botin… ou, entre nós, dirigentes como Zeinal Bava, Belmiro de Azevedo, Soares dos Santos ou António Mexia.

Eles são, sem dúvida, exemplos inspiradores, com quem podemos aprender muita coisa. E havemos de voltar a eles (à questão da Liderança nas empresas), em futuros artigos. Porque a Informação vive de actualidade. E a actualidade desta semana está indelevelmente ligada a uma área onde encontramos exemplos de Liderança que não são, regularmente, objecto de estudo académico: o Desporto. Sim, o Desporto. Particularmente o Desporto colectivo, aquele que envolve equipas. O futebol é disso um belíssimo exemplo. Porque é preciso ser um bom Maestro para garantir que a orquestra de 11 jogadores aponta para o mesmo objectivo: ganhar (no sentido de “deliver”).

Vejam-se dois exemplos que esta semana ilustraram perfeitamente o que pode acontecer quando falta a liderança. O primeiro foi o jogo do Real Madrid em Dortmund. A ausência de Cristiano Ronaldo na equipa principal transformou, pela negativa, os madrilenos. Nunca, nos tempos mais recentes, o Real acumulou tantos erros num único jogo: a defesa cometeu erros infantis; o meio campo não fez a ligação entre a defesa e o ataque; este, por sua vez, não acertou uma (penaltis não concretizados, jogadas, de golo feito, desperdiçadas)… Faltava garra, faltava a força que tradicionalmente empurra a equipa para a frente. E percebeu-se que a liderança que vinha do banco, do treinador, ficou sem um braço armado no campo. Percebeu-se que sem Ronaldo o Real se transforma numa nau à deriva.

O segundo exemplo veio de Stamford Bridge, em Londres. De um lado uma equipa de milhões (mais de cem), conduzida por um maestro que tem muito para aprender: o PSG; do outro uma equipa mais modesta, onde nem todas as contratações reflectem a visão de Mourinho. De um lado uma equipa conservadora, a dos milhões, do outro uma equipa que procura o “delivery” (ganhar) até ao fim do jogo. O resultado foi o que se viu…

O que é interessante no caso do Chelsea é perceber como o Maestro consegue transformar, de jogo para jogo, o estado de espírito dos actores: o jogo com o PSG parecia jogado por outra equipa que não aquela que perdera dois jogos da Premiership nas semanas anteriores. Nada mau para um Maestro de quem outro “maestro” (Johann Cruyf), dias antes, dissera ter uma má relação com os jogadores… Os mesmos que deram a pele em campo para inverter o curso da História, a três minutos do fim de uma batalha. Liderança é isto: some have, some don’t.

 


Camilo-Lourenco-CronicasCamilo Lourenço é licenciado em Direito Económico pela Universidade de Lisboa. Passou ainda pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque e University of Michigan, onde fez uma especialização em jornalismo financeiro. Passou também pela Universidade Católica Portuguesa. Entre a sua experiência profissional encontramos redator principal do “Semanário Económico” (desde 1988); coordenador da secção Nacional do “Diário Económico” (de que foi um dos fundadores) desde 1990. Diretor adjunto da revista “Valor”, que ajudou a fundar (1992). Diretor da mesma revista (1993), onde se manteve até 1995. Editor de Economia da Rádio Comercial, de 1992 a 1997. Diretor editorial das revistas masculinas da Editora Abril/Controjornal: “Exame” (revista que também dirigiu); “Executive Digest”, entre outras. Comentador de assuntos económicos da Rádio Capital, de 2000 a 2005. Diretor da revista “Maisvalia” (de 2003 a 2005). Comentador da RTP e RTP Informação, onde passou também a apresentar o programa “A Cor do Dinheiro” (desde 2007). Colunista do “Jornal de Negócios (desde 2007); comentador de assuntos económicos da Media Capital Rádios (desde 2010). Numa das rádios do grupo, a M80, apresenta dois programas: “Moneybox” e “A Cor do Dinheiro”. Comentador de assuntos económicos da televisão generalista TVI, onde apresenta “Contas na TV”. A par destas funções, Camilo Lourenço é docente universitário. Lecionou na Universidade de Lisboa, na Universidade Lusíada e no Instituto Superior de Comunicação Empresarial. Por outro lado leciona pós-graduações e MBA. Em 2010, por solicitação de várias entidades (portuguesas e multinacionais), começou a fazer palestras de formação, dirigidas aos quadros médios e superiores, em áreas como Liderança, Marketing e Gestão. Em 2007 estreou-se na escrita, sendo o seu livro mais recente “Saiam da Frente!”, sobre os protagonistas das três bancarrotas sofridas por Portugal que continuam no poder.