Leadership battles - Seguro vs. Costa, “Batalha” no PS - Camilo Lourenço

Leadership battles - Seguro vs. Costa, “Batalha” no PS - Camilo Lourenço

A Liderança é um assunto que é melhor compreendido quando trabalhamos com exemplos. É claro que é importante teorizar sobre o assunto. É claro que é importante ouvir o que os especialistas têm a dizer sobre a matéria. Mas a experiência é fundamental para perceber como as coisas funcionam nas empresas e organizações. É por isso que quando ocorrem fenómenos de sucessão as lutas pelo Poder são ricas em ensinamentos.

Portugal vive um desses momentos. No PS. De um lado está António José Seguro, que lidera o partido desde a saída de José Sócrates, em 2011. Do outro temos António Costa, que lhe disputa o trono.

Seguro tem trabalho para mostrar: venceu as Regionais dos Açores, as Autárquicas e as Europeias; Costa tem uma vitória: a Câmara de Lisboa. Em termos de importância os três desafios não são comparáveis. Mas como muitas vezes sucede nestas disputas, as vitórias passadas não são garantia de vitórias futuras. Sobretudo quando quem ocupa o topo da organização (Seguro) transmite a sensação de que não controla, verdadeiramente, a organização. Veja-se a “federação de interesses” que no PS tenta influenciar as decisões do líder: a ala socrática, afecta ao ex-primeiro ministro, e os “históricos”. O que sucedeu no Verão de 2013 quando Soares e Alegre terão tido um papel fundamental na decisão de Seguro em recusar o pacto proposto por Cavaco Silva é um bom exemplo. A agitação na ala socrática sempre que Seguro se aproxima de um pacto de regime com PSD e CDS é outro...

São estas cedências de Seguro a duas alas do partido que lhe têm minado a Liderança. Porque passam a ideia de que tem receio de enfrentar os interesses instalados.

António Costa está no outro extremo. Não hesita em defender as suas convicções: recusa o Tratado orçamental, elogia pública e convictamente um ex-primeiro ministro que ficou ligado à 3ª pré-bancarrota, e puxa o PS deliberadamente para a Esquerda…

Seguro parece ter do seu lado o aparelho do partido. E isso, em condições normais, seria suficiente para garantir a vitória. Mas estes apoios, como a História das organizações mostra, é muitas vezes volúvel. Costa tem carisma, boa imprensa (nada despiciendo nestas lutas) e um discurso claro.

É impossível dizer quem vai ganhar. Nem é esse o objectivo deste artigo. Mas há um pormenor em que vale a pena pensar: Seguro soube sempre que havia alguma fragilidade na sua Liderança. Fragilidade que as três vitórias passadas nunca resolveram. Razão pela qual devia ter optado por uma estratégia diferente logo no dia das eleições: jogar por antecipação. Logo depois de conhecido o resultado das Europeias devia ter anunciado que ia propor "primárias" (o que obrigava a ter antecipado o problema). Ou, se não quisesse ir tão longe, logo que Costa anunciou que lhe queria disputar o lugar devia ter dito que ia a jogo. Ao jogar na defensiva passou a ideia de que tinha receio da guerra. E isso, às vezes, é fatal…

 


Camilo-Lourenco-CronicasCamilo Lourenço é licenciado em Direito Económico pela Universidade de Lisboa. Passou ainda pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque e University of Michigan, onde fez uma especialização em jornalismo financeiro. Passou também pela Universidade Católica Portuguesa. Entre a sua experiência profissional encontramos redator principal do “Semanário Económico” (desde 1988); coordenador da secção Nacional do “Diário Económico” (de que foi um dos fundadores) desde 1990. Diretor adjunto da revista “Valor”, que ajudou a fundar (1992). Diretor da mesma revista (1993), onde se manteve até 1995. Editor de Economia da Rádio Comercial, de 1992 a 1997. Diretor editorial das revistas masculinas da Editora Abril/Controjornal: “Exame” (revista que também dirigiu); “Executive Digest”, entre outras. Comentador de assuntos económicos da Rádio Capital, de 2000 a 2005. Diretor da revista “Maisvalia” (de 2003 a 2005). Comentador da RTP e RTP Informação, onde passou também a apresentar o programa “A Cor do Dinheiro” (desde 2007). Colunista do “Jornal de Negócios (desde 2007); comentador de assuntos económicos da Media Capital Rádios (desde 2010). Numa das rádios do grupo, a M80, apresenta dois programas: “Moneybox” e “A Cor do Dinheiro”. Comentador de assuntos económicos da televisão generalista TVI, onde apresenta “Contas na TV”. A par destas funções, Camilo Lourenço é docente universitário. Lecionou na Universidade de Lisboa, na Universidade Lusíada e no Instituto Superior de Comunicação Empresarial. Por outro lado leciona pós-graduações e MBA. Em 2010, por solicitação de várias entidades (portuguesas e multinacionais), começou a fazer palestras de formação, dirigidas aos quadros médios e superiores, em áreas como Liderança, Marketing e Gestão. Em 2007 estreou-se na escrita, sendo o seu livro mais recente “Saiam da Frente!”, sobre os protagonistas das três bancarrotas sofridas por Portugal que continuam no poder.