Time for a vacation check-up: A necessária reflexão estratégica - Camilo Lourenço

Time for a vacation check-up: A necessária reflexão estratégica - Camilo Lourenço

Hoje o assunto vai ser um pouco diferente do habitual: com a chegada das férias as nossas preocupações mudam. E as opções também. Mas há duas formas distintas de encarar as férias, consoante a personalidade de cada um: você é dos que desliga de tudo quando chegam as férias? Ou é dos que olham para as férias como um mal necessário e lida mal com a ausência da pressão diária do trabalho?

Ambas as opções podem fazer sentido na sua vida. Há pessoas que, mesmo grudadas ao PC e à Internet conseguem descansar apenas porque mudam de rotina. E há aquelas que só descansam desligando-se de tudo o que se relaciona com trabalho.

O artigo de hoje destina-se aos primeiros. Porque, se não há mal em manterem-se ligados ao “mundo”, há duas coisas que não devem deixar de fazer: 

1 – Perceber que, mesmo optando por estar ligado ao “mundo”, precisa de mudar alguma coisa na sua rotina. Não faz sentido, por exemplo, ficar no hotel agarrado ao PC, mandando o resto da família para a praia. Ou passar o jantar “checando” o smartphone, para responder às mensagens que vai recebendo. A menos que queira passar maus exemplos aos filhos… ou arranjar um conflito conjugal. 

2 -  Aproveitar as férias para um “check-up” ao que fez nos 12 meses anteriores. Para perceber o que correu bem e o que tem de fazer para corrigir o que correu mal. É uma reflexão estratégica. Não tente fazer essa reflexão toda num dia: reserve meia hora diária para ir examinando os diversos aspectos da sua vida profissional nos doze meses anteriores e guarde os últimos três dias para traçar um plano para o ano seguinte. 

De seguida encontrará um conjunto de dez simples perguntas que lhe permitirão fazer esse “check-up”. Este questionário não é, obviamente, exaustivo. Você poderá juntar-lhe as questões que quiser. Mas não exagere: bastam dez ou 15 perguntas para ter as respostas de que precisa.

  1. Quais os desafios que a empresa/organização que lidera enfrentava há um ano e quais os que enfrenta agora? São os mesmos?
  2. Quais as decisões mais importantes que tomou nos últimos doze meses?
  3. Essas decisões produziram os efeitos desejados?
  4. Em caso de falha, por que isso aconteceu? Envolveu as pessoas certas nas decisões? Os processos foram os mais correctos?
  5. A empresa/organização criou valor nos últimos 12 meses?
  6. Como pensa mudar o que não correu bem no ano anterior?
  7. Como se portou a sua concorrência e como é que você se compara com ela?
  8. Onde quer que esteja a empresa daqui por um ano?
  9. Tem um plano para lá chegar?
  10. Como vai “vender” esse plano aos accionistas e à sua equipa

Não se esqueça que, como Líder, você precisa de fazer um constante “refresh” da empresa e dos seus objectivos. O mesmo é dizer que precisa de manter os colaboradores motivados. Ora, se voltar de férias e eles perceberem que não há nada de novo para o ano seguinte, o desejo de mudança será substituído pela complacência. E a complacência é a melhor maneira de destruir valor numa empresa. Agora boa sorte!

 


Camilo-Lourenco-CronicasCamilo Lourenço é licenciado em Direito Económico pela Universidade de Lisboa. Passou ainda pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque e University of Michigan, onde fez uma especialização em jornalismo financeiro. Passou também pela Universidade Católica Portuguesa. Entre a sua experiência profissional encontramos redator principal do “Semanário Económico” (desde 1988); coordenador da secção Nacional do “Diário Económico” (de que foi um dos fundadores) desde 1990. Diretor adjunto da revista “Valor”, que ajudou a fundar (1992). Diretor da mesma revista (1993), onde se manteve até 1995. Editor de Economia da Rádio Comercial, de 1992 a 1997. Diretor editorial das revistas masculinas da Editora Abril/Controjornal: “Exame” (revista que também dirigiu); “Executive Digest”, entre outras. Comentador de assuntos económicos da Rádio Capital, de 2000 a 2005. Diretor da revista “Maisvalia” (de 2003 a 2005). Comentador da RTP e RTP Informação, onde passou também a apresentar o programa “A Cor do Dinheiro” (desde 2007). Colunista do “Jornal de Negócios (desde 2007); comentador de assuntos económicos da Media Capital Rádios (desde 2010). Numa das rádios do grupo, a M80, apresenta dois programas: “Moneybox” e “A Cor do Dinheiro”. Comentador de assuntos económicos da televisão generalista TVI, onde apresenta “Contas na TV”. A par destas funções, Camilo Lourenço é docente universitário. Lecionou na Universidade de Lisboa, na Universidade Lusíada e no Instituto Superior de Comunicação Empresarial. Por outro lado leciona pós-graduações e MBA. Em 2010, por solicitação de várias entidades (portuguesas e multinacionais), começou a fazer palestras de formação, dirigidas aos quadros médios e superiores, em áreas como Liderança, Marketing e Gestão. Em 2007 estreou-se na escrita, sendo o seu livro mais recente “Saiam da Frente!”, sobre os protagonistas das três bancarrotas sofridas por Portugal que continuam no poder.