Cristiano Ronaldo: o Homem, o Jogador e o Líder - Carlos Oliveira

Cristiano Ronaldo: o Homem, o Jogador e o Líder - Carlos Oliveira

A caminhada de Cristiano Ronaldo de jovem franzino e humilde de uma aldeia remota na Madeira, para atleta e jogador extraordinário reconhecido em todo o mundo e para líder cada vez mais admirado pelos seus companheiros e visto como exemplo por jovens, jogadores, cidadãos, comunicação social e pessoas influentes, mostra como se desenvolve o caminho para a liderança.

Embora diferente da liderança empresarial, o futebol é por vezes um bom exemplo, distanciado da subjetividade das nossas próprias realidades, para aprendermos sobre várias matérias de gestão e de liderança. A evolução de Cristiano Ronaldo é um desses exemplos.

A liderança em campo junto dos colegas de equipa e as recentes entrevistas e posições públicas de Cristiano Ronaldo mostram que, para além de ser um jogador extraordinário, Ronaldo é hoje um líder ponderado, capaz de jogar e vencer noutros tabuleiros para além do futebol. 

Como é que um jovem pobre e franzino de uma zona remota da Madeira conseguiu chegar tão longe? Ronaldo é o exemplo de como os líderes nascem, fazem-se e acontecem (ver artigo). Junto, para reflexão, apenas quatro (4) observações muito sucintas, devido à limitação de espaço disponível.

1. A adversidade, e a resiliência e a disciplina associadas para a superar, é um elemento fundamental de construção de grandes líderes. A superação de momentos difíceis na pobreza da Madeira, na solidão em Lisboa enquanto jovem adolescente nas escolas do Sporting, na adaptação a palcos competitivos cada vez mais exigentes, foram determinantes para construir e/ou reforçar um caráter de enorme determinação, resiliência e foco de propósito. A formação de líderes e de comportamentos de sucesso não passa pelo facilitismo e pela gratificação imediata, mas sim pelo autocontrolo, pela superação de situações difíceis e pela conquista e sentido de mérito associado ao esforço, como aliás mostra o “teste dos marshmellows” com as crianças antes dos 10 anos. É quando os desafios empresariais se tornam mesmo adversos e complexos que temos a oportunidade de crescer mais. A oportunidade e a prova de um líder emerge com a superação da adversidade empresarial e não quando tudo corre bem.

2. A competência na atividade é fundamental para se tornar líder, mas não chega. É preciso definir objetivos ambiciosos e trabalhar para lá chegar. O jovem Ronaldo, franzino, pobre e remoto, definiu como seu objetivo “ser o melhor do mundo”, nada menos do que isso. O que o levou a atuar e a tomar as ações necessárias, mesmo quando dolorosas, para mudar a sua condição. Já Steve Jobs dizia “Those who are crazy enough to think that they can change the World, are the ones who do it”. Pouco risco, pouco recompensa. Ter medo de falhar desclassifica qualquer um. Tentar, falhar e voltar a tentar, até se vencer, é parte do caminho.

Cristiano Ronaldo3. Um líder não se constrói sozinho. Ninguém chega ao topo sozinho. Ronaldo contou com inúmeros apoios sem os quais ficaria muito longe do que já atingiu, desde a formação de base recebida de mentores na academia do Sporting, o apoio publicamente reconhecido de Sir Alex Ferguson, de uma multitude de agentes e de assessores, da família, de colegas, entre outros. De igual forma, numa empresa, ter a humildade de obter o apoio de terceiros e de aprender com os outros, reconhecer erros e corrigir, trabalhar em equipa e criar uma equipa de suporte, é uma peça fundamental para se crescer como líder.

4. Todos Beneficiam do Apoio a Um Líder. Ronaldo traz imenso ganho a todos os que lhe estão associados, sejam agentes, assessores ou parceiros, aos colegas que com ele trabalham e ganham troféus em conjunto, mas também à sociedade em geral, ao seu país e aos seus compatriotas. Da mesma forma, nas empresas, assim como noutras áreas, a identificação de pessoas com potencial e o nosso apoio para que consigam chegar mais longe, para que corrijam as suas limitações e recuperem dos seus erros (quem não se lembra dos “amuos à Ronaldo” dentro de campo, que por vezes ainda se manifestam, embora de forma mitigada) acabam por beneficiar a todos. Em contraste, a inveja, a constante perseguição de líderes ou de quem se sobressai, cria um cenário de terra queimada onde dificilmente algo de bom consegue emergir, condenando todos a uma vida medíocre.

 


CMO-PLCarlos Miguel Valleré Oliveira é CEO da Leadership Business Consulting, empresa internacional de consultoria de gestão presente em 8 países, África do Sul, Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos da América, Espanha, Moçambique e Portugal. Assina quinzenalmente a rubrica "Ponto de Vista" no Portal da Liderança. Mais informações aqui.