África do Sul – um mercado negligenciado

África do Sul – um mercado negligenciado

O mercado sul-africano é um passo natural para as empresas que investiram em Angola e em Moçambique – está ali ao lado, é uma economia muito maior, tem menos risco cambial, um ambiente de negócios mais estável e uma segurança contratual superior.

Carlos Oliveira

Chegou a altura de as empresas portuguesas – que precisam de continuar a aumentar as exportações – e de o poder político darem mais atenção ao mercado da África do Sul. Especialmente depois das quebras nos mercados de Angola e de Moçambique. Portugal ocupa apenas o 56.º lugar do ranking de clientes da África do Sul, com uma quota de mercado de 0,13%. No entanto, o mercado sul-africano tem bastantes atrativos.

Em primeiro lugar, o mercado da África do Sul tem uma dimensão considerável, com um PIB (produto interno bruto) superior ao de Portugal, sendo a maior economia do continente africano (descontando o petróleo da Nigéria), com mais de 50 milhões de habitantes. É um mercado com vários segmentos, do mais simples ao mais sofisticado, permitindo assim oportunidades para vários tipos de ofertas competitivas.


Adicionalmente,
a África do Sul é uma porta de entrada para outros mercados no continente africano. Isso é evidente já em várias empresas portuguesas que se instalaram no país nos últimos anos com vista a uma maior presença em África.

Em terceiro lugar, é uma economia madura, o que permite às empresas portuguesas encaixar facilmente em cadeias de valor desenvolvidas sem terem de fazer grandes investimentos de suporte à sua atividade core. Tem a maior classe média da África subsaariana; 20% da população tem rendimento médio e 15% tem rendimento médio elevado, comparando bem com a média africana de 6 e 3%, e com a Nigéria, país mais próximo, com 12 e 5%. Muito à frente do Quénia e do Gana. A bolsa de Joanesburgo é a 19.ª maior do mundo, e o rand a moeda mais transacionada dos países emergentes. O setor do retalho é o maior de África e o 24.º mundial.

Em quarto lugar, a economia está a ser alimentada pelas políticas económicas do Governo, de grande investimento em infraestruturas, de redução dos níveis de pobreza e de aumento da classe média negra, o que abre oportunidades a empresas ágeis, como as portuguesas, para participarem neste processo.


Em quinto lugar, existe na África do Sul uma forte comunidade empresarial lusa, presente em diversos setores, que pode servir de parceira a muitas empresas portuguesas.


Em sexto lugar, o nível de inovação e a dimensão das empresas portuguesas encaixa bem com as atuais necessidades da economia sul-africana. Adicionalmente, a África do Sul é um passo natural para as empresas que investiram em Angola e em Moçambique – está ali ao lado, é uma economia muito maior, tem menos risco cambial, um ambiente de negócios mais estável e uma segurança contratual superior.

Moçambique, um mercado de menor dimensão, tem recebido dezenas de missões comerciais por ano. A África do Sul? – Uma por ano. Mas a situação está a mudar, à medida que as empresas portuguesas descobrem o potencial deste mercado.


Neste sentido, a CCILSA – Câmara de Comércio e Indústria Luso Sul-Africana, vai realizar uma missão comercial à África do Sul nos dias 4 a 8 de julho, em parceria com a AIP - Associação Industrial Portuguesa, que envolve contactos com empresários locais, vários eventos de networking e visitas a entidades relevantes em Joanesburgo, Pretória, Durban e Cabo (encontra mais informação sobre a missão no site da CCILSA). 

09-05-2016 

CMO-PLCarlos Miguel Valleré Oliveira é CEO da Leadership Business Consulting, empresa internacional de consultoria de gestão presente em oito países: África do Sul, Angola, Brasil, Cabo Verde, EUA, Espanha, Moçambique e Portugal. O também presidente da CCILSA – Câmara de Comércio e Indústria Luso Sul-Africana assina quinzenalmente a rubrica "Ponto de Vista" no Portal da Liderança sobre os temas da liderança-gestão, economia-sociedade e inovação-empreendedorismo. Mais informação aqui.