Paolo Cerruti: Na Indústria 4.0 o valor fornecido é muito mais alto que o custo

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Paolo Cerruti: Na Indústria 4.0 o valor fornecido é muito mais alto que o custo

Paolo Cerruti – que até ao início de 2016 era vice-presidente da cadeia de fornecimento global da americana Tesla, bem como vice-presidente do planeamento de operações da companhia liderada por Elon Musk – afirma que, numa primeira fase da adoção da Indústria 4.0, os custos “podem ser um elemento dissuasivo”; mas adianta que as empresas têm de “avaliar a cadeia no todo e os custos totais”, e vão “acabar por perceber que o valor que estão a fornecer é muito mais alto que o custo”.

O agora chief operating officer na sueca NorthVolt (concorrente da Tesla) considera ainda que o grande desafio enfrentado pelas organizações na Indústria 4.0 está nas mudanças culturais que têm de proceder a nível interno. O executivo indica qual é “a” competência necessária para ter sucesso na Quarta Revolução Industrial. Veja a entrevista na íntegra:

Quais são os principais desafios da Indústria 4.0?



São muitos, mas o principal tem a ver com as mudanças culturais – é muito fácil continuar a fazer o que sempre fez até agora, e não mudar, pelo que esta é uma grande alteração na indústria. O segundo tem a ver com as competências: tem de se ter um novo conjunto de capacidades; bem como ter nas operações pessoas que não seriam as de esperar nesta área. E o custo também pode ser um elemento dissuasivo, no início; mas tem de avaliar a cadeia no todo e os custos totais, e vai acabar por perceber que o valor que está a fornecer é muito mais alto que o custo. 


Quais são então as principais competências de que precisamos para singrar?
Penso que há uma mudança muito profunda em termos de competências: podemos mencionar a integração de um conjunto de competências em TI (tecnologias da informação), em termos de conectividade… mas se tivesse de escolher uma, destacaria a de cientista de dados. Porque pode reunir a quantidade de dados que quiser, mas se não tiver o insight/conhecimento e a capacidade de analisar esses mesmos dados… são basicamente inúteis. 

Qual o impacto da Indústria 4.0 nos diferentes setores?



Independentemente da indústria, o que realmente se quer é impulsionar a eficiência operacional de forma transversal. Isto significa melhorar a rastreabilidade nos produtos e na cadeia; significa reduzir o capital de trabalho em todos os aspetos – se se tiver uma maior visão/perspetiva de toda a cadeia de fornecimento; e, eventualmente, também uma maior redução nos tempos realizados. Tudo isto se traduz em melhorias e maior eficiência em termos de custos – que pode decidir devolver aos clientes, ou manter na própria empresa. 


De que forma(s) a Indústria 4.0 faz já parte do nosso dia a dia?

Está em todo o lado, sem nos apercebermos de que está presente. Temos um exemplo do nosso quotidiano: quando há a recolha de um produto, e se é capaz de detetar exatamente qual o lote que está corrompido, ou que falha afetou determinado produto – é o resultado de uma cadeia de fornecimento extremamente complexa e sofisticada que está a rastrear todos os produtos, desde o princípio ao fim. 

03-10-2016


Armanda Alexandre, Nuno Duarte/Portal da Liderança


Paolo Cerruti é chief operating officer na fabricante sueca de baterias NorthVolt. Entre abril de 2015 e fevereiro de 2016 ocupou o cargo de vice-presidente da cadeia de fornecimento global da americana Tesla Motors, exercendo em simultâneo funções de vice-presidente do planeamento de operações da companhia liderada por Elon Musk. De 2012 a 2015 dirigiu a área de compras, tecnologias core e foi diretor da cadeia de fornecedores da fabricante de carros elétricos. Ainda nessa altura, assumiu, a pedido do CEO e pelo período de três meses, a cadeira de vice-presidente de qualidade. 
Além do percurso percorrido até agora no mercado de trabalho americano, o executivo tem experiência de gestão de equipas internacionais na Europa e na Ásia. Entre 2005 e 2008 a sua base foi a cidade de Tóquio, no Japão, onde desempenhou funções de platform engineering design manager & alliance platform strategy manager na Nissan Motor. Seguiu-se a Índia, e a Renault, para onde entrou como engineering program development director; passado pouco mais de um ano transitou para a Renault Nissan em França, tendo exercido por mais de dois anos o cargo de diretor de compras globais. Em 2012 deixava o continente europeu pelo americano, onde se encontra até hoje.
Com um mestrado em Engenharia Aeroespacial pelo Politecnico di Torino (Itália) e outro em Engenharia Geral e Ciência pela École Centrale Paris (França), Paolo Cerruti frequentou ainda um curso para executivos na Carnegie Mellon University - Tepper School of Business (EUA).