Como manter os seus melhores executivos?

Como manter os seus melhores executivos?

Está determinado a manter os seus executivos mais talentosos? Eis um conselho contra-intuitivo do The Wall Street Journal (WSJ): “A melhor maneira para estes não saírem é prepará-los para sair”.

Em tempos económicos difíceis como os de hoje, a retenção já não é uma prioridade para muitas empresas, visto estarem a focar-se em assuntos do negócio mais imediatos. No entanto, as empresas que ignorarem esse assunto durante o tempo de crise, podem ter uma surpresa desagradável quando as coisas começarem a melhorar.

De acordo com a história, relembra o WSJ, “existe um aumento significativo do número de executivos que deixam as empresas quando as condições de mercado melhoram e existirem mais oportunidades de trabalho. 

É por isso que é crucial que as empresas pensem seriamente na retenção. Isto significa dar aoa executivos a oportunidade para terem mais responsabilidade, para aumentarem as suas competências e para cultivarem os seus relacionamentos com os colegas. Isto é o que executivos pretendem em muitos dos empregos”.

“Claro que os executivos querem estas oportunidades porque os conhecimentos, experiências e relacionamentos que ganham, os tornam mais valiosos no mercado de trabalho”, refere o WSJ. Existe sempre o risco de uma empresa investir no desenvolvimento dos talentos dos seus executivos e depois estes levarem-nos para outro lugar.

No entanto, a investigação do WSJ mostra que os executivos pretendem ficar mais tempo com as empresas que lhes dão mais oportunidades para aumentar a sua empregabilidade, ou seja uma empresa irá reter mais talento ao ajudar os executivos a crescerem e não ao negar-lhes essas oportunidades. E como bónus, esses executivos serão ainda mais valiosos para a própria empresa.

Segundo WSJ, “poucas empresas compreendem isto. Encontramos grandes discrepâncias entre o que os executivos querem em termos do desenvolvimento profissional e o que estão a oferecer”.

Eis como as empresas podem enfrentar essa lacuna ao dar os três tipos de oportunidades que os executivos querem pretendem, segundo o WSJ.  

  • Novas responsabilidades

“Os executivos questionados classificaram com um nível mais elevado as oportunidades de trabalhar em tarefas mais desafiantes e de ter mais responsabilidade, em comparação com outros fatores de satisfação de carreira. Dar estas oportunidades não só ajuda a reter os executivos, como também auxilia a empresa a identificar e a cultivar uma nova geração de líderes. Isto é especialmente verdade em tempos de adversidade, como uma crise económica ou uma mudança dentro da empresa, quando os executivos têm mais a oportunidades para deixar a sua marca do que quando esta está a prosperar.”

UPS“A United Parcel Service Inc. cria continuamente, oportunidades para os colaboradores desempenharem tarefas mais desafiantes e de maior responsabilidade. O vice-presidente de recursos humanos, John Saunders refere que “Não o visionamos como “Contratamos-te para este emprego específico”; visionamo-lo sim como ‘Isto vai ser um processo de 30 anos.”

“A UPS tem reuniões formais com os colaboradores para discutir oportunidades de formação, missões especiais para resolver certos problemas e opções de crescimento. Segundo Peggy Gardner, diretora de comunicações com clientes, discutem, por exemplo, “o tipo de tarefas que os ajudarão a preparar-se para a próxima promoção”. “Falamos das suas capacidades, dos seus objetivos de carreira e do que querem fazer a seguir”, diz Peggy. “Descobrimos o que podemos fazer para que atinjam esses objetivos.”

  • Aumentar as competências

“Adicionalmente a desenvolverem os seus talentos de liderança, os executivos pretendem aumentar o seu valor ao adquirir os conhecimentos das operações fora da sua área de perícia e ao melhorar as suas competências gerais de negócio.

MarriottConsidere o exemplo do grande hotel Marriott International Inc. Numa indústria onde a rotatividade é elevada, o Marriott é especialmente competente em reter os seus talentos de gestão. Uma das razões é um programa que expõe talentosos gestores a problemas e situações de negócios que os prepararem para conseguirem promoções para diretor geral.

Por exemplo, uma executiva de marketing com pouca experiência nas operações de um hotel completou uma formação em divisão de operações. Para a ajudar a ficar rapidamente a par, foi-lhe atribuído um mentor sénior e um mentor colega. E não foi a única a beneficiar desta experiencia. Durante a sua formação, partilhou alguns dos seus conhecimentos de marketing com os seus colegas de operações, ao sugerir formas para atrair mais clientes. 

As empresas podem também lucrar ao oferecer formação aos executivos em áreas de conhecimento mais amplas, como trabalharem bem com os outros, compreenderem e defenderem padrões éticos e como comunicarem eficazmente.”

  • Cultivar relacionamentos

O networking é importante para os executivos por diversas razões. Este estabelece relações que podem ser úteis ao procurar uma nova posição, aumenta a visibilidade e permite aprender com os colegas.  

O networking pode ajudar também a empresa, não só a melhorar a retenção como a aumentar a compreensão e a colaboração entre diversas unidades do negócio.

SocialNetworksConsidere o banco de investimentos retratado no livro "Driving Results Through Social Networks," de Rob Cross e Robert J. Thomas. Os autores descobriram que as redes sociais de vice-presidentes seniores eram diferentes das de vice-presidentes juniores. Os vice-presidentes seniores tinham contatos mais diversos (pessoas de unidades de negócio diferentes, com diferentes áreas de perícia e em diferentes grupos). Os vice-presidentes juniores aspiravam a criar esse tipo de rede e era do interesse do banco ajudá-los a consegui-lo.  

O banco identificou os funcionários com melhores desempenhos e promoveu diversos eventos ao longo do ano, para que estes colaboradores criassem redes de contactos mais produtivas. Depois de um ano, o nível de retenção deste grupo era mais elevado do que o nível de retenção do banco de investimentos como um todo.”

“As empresas que aplicarem estas lições estarão numa melhor posição não só para reter os seus executivos mais preciosos, como também para atrair novos talentos à medida que a economia melhora”, refere o WSJ.


Fonte: The Wall Street Journal