Faça stop às multitarefas – pelo seu cérebro

Faça stop às multitarefas – pelo seu cérebro

Ao desempenhar várias tarefas em simultâneo estamos a esgotar o nosso cérebro, de acordo com neurocientistas.

A sua rotina matinal consiste em verificar e-mails, ir ao Facebook, beber o café de um trago, e, já nos transportes, pesquisar uma última ideia no Google, dar uma olhada nas notificações, para depois, se der, mais um café, e verificar o e-mail do trabalho? A miríade de atividades acumuladas logo pela manhã, e o alternar constante entre elas, está provavelmente a cansá-lo em demasia.

Quando tentamos as multitarefas (ou multi-tasking), não fazemos mais do que uma atividade de uma só vez, antes alternamos de forma rápida entre elas. E esta mudança é desgastante, porque usa a glicose (essencial na oxigenação cerebral), acabando por esgotar o mesmo combustível de que precisamos para nos concentrarmos numa tarefa.

Pausas para limpeza mental
Daniel Levitin, professor de neurociência comportamental na Universidade McGill, EUA, explica que “essa mudança comporta um custo biológico que acaba por nos fazer sentir cansados muito mais rapidamente do que se mantivermos a atenção centrada numa coisa”. Como resultado, “as pessoas comem mais, ingerem mais cafeína. Muitas vezes o que realmente precisam naquele momento não é a cafeína, mas apenas de uma pausa. Se não está a fazer pausas regulares a cada duas horas, o seu cérebro não vai beneficiar dos efeitos daquele café extra”.

Estudos mostram que as pessoas que fazem pausas de 15 minutos a cada duas horas acabam por ser mais produtivas, prossegue Daniel Levitin. Mas estas pausas devem permitir a divagação mental, quer esteja a andar, a olhar pela janela, a ouvir música ou a ler. “Todos chegam lá de forma diferente. Mas ir para o Facebook não é uma delas”, afiança. Isto porque as redes sociais apenas levam a um tipo de atenção mais fraturada, à medida que se muda de um lado para o outro.

Gloria Mark, professora no departamento de informática da Universidade da Califórnia, Irvine, diz que quando as pessoas são interrompidas, por norma demoram 23 minutos e 15 segundos a voltar ao trabalho, e a maioria faz mais duas tarefas antes de voltar ao projeto inicial. Esta mudança leva a um acumular de stress, diz a investigadora, e por isso não é de admirar que as pessoas com altos índices de neuroticismo, impulsividade e que são suscetíveis ao stress tenham maior tendência a mudar mais entre tarefas que as restantes.  

Dividir o tempo em parcelas
Hal Pashler, professor de psicologia na Universidade da Califórnia, San Diego, ressalta que nem todas as tentativas de realizar multitarefas são igualmente esgotantes. Se executa algo em piloto automático, como pôr a roupa a lavar, então faz sentido ler um livro ao mesmo tempo (se conseguir…). Mas a tentativa de concretizar duas tarefas difíceis de uma só vez leva a uma quebra na produtividade. “Não pode fazer duas tarefas exigentes, mesmo simples, em paralelo”, frisa o docente.

Apesar das desvantagens das multitarefas, fazemos malabarismos com uma lista cada vez mais frenética de atividades, em que as notificações online implicam mais distrações. Gloria Mark afirma que estamos a ser condicionados a verificar com maior frequência as redes sociais e o e-mail. “Sempre que vai verificar o e-mail, de vez em quando recebe uma notificação, de que recebeu mais e-mail. Isto acontece de forma aleatória. Na psicologia é apelidado de reforço irregular, e é o suficiente para reforçar" o comportamento aleatório. E este pode ser muito difícil de combater. A pesquisa da professora conclui que, depois de serem frequentemente interrompidas, as pessoas desenvolvem muitas vezes a capacidade de prestar atenção por um curto espaço de tempo, e começam a auto-interromper-se.

A solução é desistir das multitarefas e reservar porções de tempo dedicadas a cada atividade em separado – como verificar o e-mail de manhã e de novo ao meio-dia, ou reservar 10 minutos por tarde para o Twitter.

Gloria Mark acredita que a tecnologia pode ajudar a proteger contra as distrações que ela própria cria, como interfaces de software que forçam os utilizadores a fazer pausas a cada duas horas. E quando se trata de projetos de longo prazo, Daniel Levitin refere que devemos passar cerca de 25 minutos a duas horas a trabalhar no projeto de cada vez. Se tentarmos as multitarefas e dedicarmos menos de 25 minutos a uma tarefa desafiante, então “estamos apenas a aquecer antes de desistir”.

Fonte: Quartz 

28-07-2017


Portal da Liderança