Podemos ter um estilo de liderança à Obama? – Yes, we can

Podemos ter um estilo de liderança à Obama? – Yes, we can
Barack Obama deixa a presidência dos EUA daqui a um ano, não sem ter deixado o seu cunho enquanto “líder do mundo livre”. O atual inquilino da Casa Branca descobriu como enfrentar a controvérsia e obter resultados.
 

Lisa Calhoun

Do ponto de vista da liderança, o presidente americano é bom a gerir e a levar a sua avante. Afinal, este é o teste dos líderes: conseguirem que as coisas sejam feitas. A polémica e tão contestada reforma do sistema de saúde foi aprovada pelo Supremo Tribunal dos EUA. O casamento homossexual é legal em todos os Estados. O país está menos dependente do petróleo estrangeiro face à altura em que Barack Obama entrou na Casa Branca. Saúde, preço do petróleo, casamento gay? Estes são alguns dos temas mais controversos em debate nos últimos tempos na sociedade americana. Enquanto líder, como é que Obama enfrenta tanta contestação sem sacrificar resultados?

1. Riscos pessoais
A reputação de Barack Obama como um mestre da oratória é obliterada pelo que o presidente está disposto a fazer enquanto… cantor mediano. Ele discursou em Tucson depois do tiroteio na Escola Primária de Sandy Hook; discursou no funeral do senador Daniel Inouye; discursou na homenagem prestada no funeral de Nelson Mandela… As pessoas podem não se lembrar do que o chefe de Estado dos EUA disse em qualquer um destes eventos. Mas todos se lembram de quando ele terminou um elogio fúnebre – a Clementa Pinckney, assassinada em junho último num tiroteio que tirou a vida a mais oito pessoas – a cantar “Amazing Grace”. Obama mostrou-nos que é capaz de ser ele mesmo. Ao cantar, assumiu um risco pessoal com o intuito de criar uma mensagem memorável.
Correr riscos pessoais em público mostra o quanto se preocupa com a sua mensagem enquanto líder.

2. Repita: “nós”
Quer se refira à morte de Osama bin Laden ou, mais recentemente, à morte de Clementa Pinckney, a linguagem de mudança do presidente dos EUA utiliza o termo “nós”. Não se trata apenas de política. Ao usar a primeira pessoa do plural, em vez de “eu”, convida a que nos identifiquemos com ele.
Agora pense na sua liderança. Às vezes pode ser difícil para os seus seguidores identificarem-se consigo, certo? Ao enquadrar a sua posição em termos de “nós”, invoca o poder da partilha de identidade com a sua equipa.

3. Acreditar
A campanha eleitoral de Obama para o atual mandato usou o slogan “mudança em que podemos acreditar”. A crença na mudança é uma qualidade fundamental da sua liderança. Não importa qual o tema controverso que aborde, o mais provável é parecer credível para muitas das pessoas às quais está a pedir que o apoiem. Por exemplo, perguntei a um dos estagiários na minha empresa de relações públicas se considera Obama um bom líder, e a resposta foi “sim”. Quando lhe perguntei a razão: “porque dá para ver que ele acredita realmente no que diz”.
A qualidade de acreditar apaixonadamente na mudança que o líder procura atingir – seja política, social ou nos negócios – tem poder mesmo quando muitos não estão de acordo.

4. Comunicar mais que a concorrência
Em 2008 Barack Obama foi considerado marketeer do ano pela revista Advertising Age. O seu programa político estava acessível online, e era atualizado por e-mail e SMS à medida que ia evoluindo. E tinha uma ferramenta de chamadas telefónicas online que ajudou milhões de apoiantes a fazerem telefonemas em prol da sua campanha via computadores pessoais. Hoje Obama continua a falar em vários suportes, incluindo vídeo, canais de notícias, talk shows… o que se lembrar, ele está a fazer. Este incrível compromisso de presença nos media, a que se pode chamar de excesso de comunicação, é marca registada de Barack Obama.
Enquanto líder, e para transmitir a sua mensagem, apenas envia e-mails, ou só se encontra com as pessoas? É importante que conheça a sua preferência em termos de estilo de comunicação. Obama demonstra que conhecer também os estilos da sua audiência pode até ser mais importante.

5. Transformar finais em começos
Quando se é um líder com uma grande lista de afazeres, como se mantém o impulso? O chefe de Estado dos EUA disse recentemente, fazendo referência à aprovação da Lei de Cuidados de Saúde Acessíveis (mais conhecida por “Obamacare”), que “foi um bom dia para a América. Vamos voltar ao trabalho”. Ele repetiu esta frase – “vamos voltar ao trabalho” – centenas de vezes nos dois mandatos da sua presidência. A liderança à Obama comemora os desfechos com os começos. Em vez de descansar sobre os louros de uma qualquer vitória, ou de se lamentar sobre os momentos em que não levou a sua avante, Obama usa as circunstâncias para estabelecer a próxima fase da sua agenda.
Em termos de negócios, teve um estrondoso sucesso este trimestre? Fantástico! Mas não se esqueça de usar o sucesso destes três meses para traçar a quota do próximo trimestre. O estilo de liderança de Obama, de usar o momento como um trampolim para a sua mensagem, dá ainda mais “gás” à sua agenda de longo prazo; numa altura em que o seu mandato se encaminha para o fim, ele realizou uma série de itens na sua lista de afazeres. À maneira clássica de Obama, como o próprio disse recentemente, ainda tem uma longa lista de objetivos que quer atingir.

04-11-2015

Fonte: Forbes.com       


LisaCalhounLisa Calhoun, partner na Valor Ventures, é autora de “How You Rule the World” e é responsável pela revista online FemaleEntrepreneurs. Fundou a Write2Market, empresa de relações públicas em tecnologia, que está no top 10 das agências direcionadas para start ups nos EUA.