Como desenvolver a sua visão para o futuro?

Como desenvolver a sua visão para o futuro?

Ralph Lauren referiu em tempos que “Um líder tem a visão e a convicção de que um sonho pode ser alcançado. Ele inspira a força e a energia para fazê-lo”.

Ora Ralph Lauren teve tudo isso e, contando apenas com dois anos de gestão, uma experiência militar no exército americano e algum tempo como vendedor da Brooks Brothers, criou uma marca internacionalmente conhecida e considerada na área da moda com receitas comerciais de 3,2 billiões dólares no ano fiscal de 2012, tendo começado por uma loja de gravatas onde também vendia a sua própria linha de laços sob a marca Polo.

Mas será a visão de futuro assim tão determinante num líder? E como criá-la?

A visão do futuro é fundamental num líder, devendo este ser “capaz de desenvolver uma imagem única e ideal do futuro para servir um bem comum, [numa] visão partilhada [em que] os líderes têm de se certificar de que o que veem também é algo que os outros podem ver”, como nos dizem James Kouzes e Barry Posner.

Um líder deve estar atento a tudo o que o rodeia, procurar padrões, ver o que os outros não veem, ser criativo, enérgico e apaixonado, avançando com confiança para a implementação da sua visão positiva sobre o futuro. Estes líderes diferenciam-se entre os demais. Neste sentido podemos destacar líderes como Steve Jobs (Apple e Pixar), Ivan Seidenberg (Verizon Communications Inc.) e Andrew Grove (Intel Corporation), entre outros.

Os afazeres de um líder são muitos, mas é importante que dedique tempo a:

  • Pensar no passado, de modo a encontrar o tema recorrente da sua vida.
  • Pensar no presente, vendo o panorama geral, as tendências, prestando atenção às pequenas coisas que acontecem à sua volta, de modo a reconhecer os padrões que lhe apontarão o futuro.
  • Pensar no futuro, não só para a sua organização mas também para onde vive, sendo tão proactivo quanto o seu poder e o seu nível de responsabilidade, de modo a que nesse futuro seja melhor do que é agora.
  • Pensar no que o apaixona e que lhe capta a atenção, pois só estando realmente envolvido é que terá a energia, o empenho e o dinamismo necessários para envolver e motivar todos os implicados, de modo a que estes se transcendam e nutram um sentimento de pertença para com a empresa. 

Mas como é que conseguimos envolver, motivar e apaixonar todos os envolvidos?

  • Oiça o que é importante para eles e questione-os sobre as suas visões do futuro da empresa

Muito do que lhe dirão refletirá o que os clientes e consumidores lhes transmitiram sobre o que realmente pretendem. Ao ouvi-los irá ficar a conhecê-los e ao seguir os seus conselhos irá dar voz aos seus sentimentos, criando uma visão que é familiar a cada um dele. Deste modo ser-lhe-á mais fácil transmitir a visão que delineou e garantir a identificação e o envolvimento de todos.

Como diz Nancy L. Zimpher, a primeira mulher a ser reitora da State University of New York, “as organizações são mais eficientes quando há uma visão do futuro clara e ambiciosa”, sendo que sempre que assumiu um cargo de liderança fez questão de falar com todos os departamentos e envolvidos, fossem quantos fossem e independentemente da sua localização, ouvir o que estes pensavam e esperavam e de partilhar com eles a sua visão e ideias para o futuro.  

  • Envolva o que é importante e valorizado por eles

Ao ter ouvido atentamente os envolvidos, irá ficar com a clara perceção do que estes valorizam no trabalho e descobrirá que não é muito diferente de pessoa para pessoa. Segundo Kouzes e Posner, resumem-se a cinco hipótese: ser testado; fazer parte de uma experiência social; fazer algo bem; fazer algo de bom; ter a oportunidade de mudar as coisas.

Quando questionados, os colaboradores referem o interesse do trabalho que desenvolvem e a qualidade da liderança como sendo os aspetos que mais os motivam, procurando sentido e identificação com o trabalho que desenvolvem.

  • Crie uma visão digna de empenho, que faça a diferença e gere um sentimento de pertença, através de uma liderança transformadora.

Ao levar as pessoas a identificarem-se com o trabalho que desenvolvem, ao dar-lhe sentido, estará a garantir que estes contribuirão com o seu empenho e dedicação, fomentando a interajuda e a auto-motivação em virtude de se sentirem parte do todo e que o seu trabalho é importante e faz a diferença. 

Mas o que deseja MESMO fazer?

James Kouzes e Barry Posner no seu "Desafio de Liderança", tentaram dar uma ajuda e propõem-nos que sigamos os seguintes passos:

1. Escrever no topo de uma folha em branco “O que eu quero conseguir” e por baixo todas as coisas que queremos conseguir com o nosso trabalho, sendo que para cada entrada devemos perguntar-nos “para que quero isto?” consecutivamente a cada uma das nossas respostas até ficarmos sem razões. Com esta etapa descobrimos os valores mais altos que constituem os fins que idealizámos e pelos quais lutamos.

2. Para clarificarmos a nossa visão poderemos adicionalmente responder às seguintes questões:

  • Como é que gostava de mudar o meu mundo e o da minha organização?
  • Como quero ser lembrado?
  • Se pudesse inventar o futuro, que futuro ia criar para mim e para a minha organização?
  • Qual é a missão de vida que me faz ficar obcecado?
  • Qual é o meu sonho em relação ao meu trabalho?
  • Qual é a minha principal capacidade ou talento?
  • Qual a minha maior paixão?
  • Que trabalho me absorve, envolve e preenche?
  • O que vai acontecer daqui a dez anos se continuar absorvido, envolvido e preso a esse trabalho?
  • Como é a minha organização ideal?
  • Quais são os meus objetivos pessoais? O que é que eu quero provar?

3. Agora pegue em toda a informação e escreva qual a sua imagem ideal e única do futuro para si e para a sua organização.

É de extrema importância que o líder dedique tempo a desenvolver esta visão do futuro, a antecipar o passo seguinte, que caminho seguirão antecipando o mercado, o que desenvolverão após a conclusão dos projetos que têm em curso, partindo sempre de uma visão que partilha com os que envolverão o processo, pares, gestores e seus subordinados, consumidores e fornecedores.

 


fatinha-portal-artigo1Fátima Rodrigues é editora de conteúdos na Leadership Business Consulting e gestora do Portal da Liderança.