Por que todos erram na estratégia?

Por que todos erram na estratégia?

A estratégia, fundamental à boa liderança, foi alvo de estudo pelo líder histórico da Procter & Gamble (P&G), A.G. Lafley, no seu livro mais recente, Playing To Win.

A.G. Lafley, foi um dos executivos mais bem-sucedidos nos 176 anos de história da P&G, tendo regressado ao cargo recentemente num momento em que a organização luta por retomar o crescimento nos EUA e a nível mundial.

Sob o comando de Lafley, o valor da empresa aumentou mais de 100 bilhões de dólares e duplicou a sua lista de marcas bilionárias.

Em “Playing To Win”, escrito em parceria com Roger Martin, reitor da Rotman School Of Management, Lafley esmiuça o quadro estratégico que utilizou quando esteve no topo (2002/2009), o qual diz que pode ser aplicado em qualquer empresa, independentemente do seu tamanho.

Uma vez que existem diversos livros, artigos e cursos sobre estratégia, porque é que se continua a falhar nesta área? 

A Business Insider falou com Lafley que referiu quais as 3 principais razões que pensa estarem na base desta dificuldade em acertar com a estratégia:

  • Empresas e pessoas não gostam de fazer escolhas.

"Na minha visão e na do Roger Martin, a essência da estratégia é fazer 5 escolhas integradas, embora às vezes seja difícil, portanto 5 escolhas para vencer. E muitos de nós, muitos seres humanos não gostam de fazer escolhas, não é verdade? Escolher pode ser difícil quando queremos manter as nossas opções em aberto. Escolher envolve tomar riscos, não só a nível da empresa mas também a nível pessoal. Acho que existe uma certa resistência humana em fazer escolhas e escolher é o cerne da estratégia."

  • As pessoas não gostam de pensar em estratégia e focam-se na execução.

"O segundo elemento, é que algumas pessoas, se calhar demasiadas pessoas, empresas com ou sem fins lucrativos, pequenas, médias ou grandes, não gostam simplesmente de pensar em estratégia. Pensam que sabem qual é o seu produto e serviço e pensam que está tudo ligado à execução. “Se executar melhor que aquele, irei ganhar”. O problema é que a execução sem o direcionamento da estratégia, sem as escolhas de uma estratégia, está espalhada por todo o lado. Pode ganhar ocasionalmente, mas provavelmente não irá ganhar consistentemente, confiavelmente ou sustentadamente."

  • As empresas ficam a meio do caminho e não desenvolvem uma estratégia completa.

"Esta é provavelmente a mais comum entre as empresas do Fortune 500. Fazem parte do trabalho da estratégia, mas não fazem tudo. O que é que quero dizer com isto? Que têm uma visão ou uma missão, podendo até fazer uma análise do mercado, da empresa e da concorrência, podendo até fazer um plano anual e ter um orçamento. Isso são elementos de uma estratégia, ou melhor dizendo, são o output de uma estratégia, mas não são uma estratégia."

Então qual será a solução? 

Segundo Lafley, tudo se resume a fazer as escolhas difíceis e especificas e a colocar todo o peso do negócio para trás.

"A estratégia consiste em 5 escolhas" refere Lafley:

  1. O que é ganhar;
  2. Onde vou jogar para ganhar;
  3. Como vou ganhar no lugar onde jogo;
  4. Onde estão as minhas principais competências que me irão permitir ganhar;

Que sistemas de gestão e medidas é que me ajudarão a executar as minhas estratégias"As empresas têm de definir, em termos estratégicos, um futuro ideal; de limitar o seu campo, em vez de tentarem agradar a todos; de decidir qual a estratégia mais adequada para o mercado a que se destina; de descobrir quais os seus pontos fortes e utilizarem-nos; e de determinar como avaliar e ajudar as pessoas da empresa a realizar essa estratégia.

Claro que isto não pode ser feito apenas por uma pessoa, especialmente caso se trate de uma grande organização. É necessário que faça parte da cultura e da forma de pensar da empresa.

"O que queríamos mesmo atingir na P&G era ajudar os nossos gerentes e líderes a tornarem-se melhores pensadores, melhores executantes, melhores estrategas e melhores líderes" refere Lafley. "A última coisa que queria fazer era sentar-me no meu escritório e tentar fazer escolhas estratégicas para 25 a 30 indústrias diferentes, em 90 países diferentes. Isso não fazia sentido, não era qualificado para isso e não era capaz de o fazer. Portanto, o que eu queria fazer era ajudar os diretores e os líderes que eram responsáveis por esses negócios, por essas zonas geográficas e por essas marcas, a tomarem melhores decisões estratégicas."

A estratégia não funciona a menos que todos estejam cientes dela, trabalhem juntos e estejam dispostos a tomar decisões difíceis que ajudem essa mesma estratégia. 

Fonte: Business Insider

 


A G lafleyAlan G. (AG) Lafley, considerado o impulsionador da inovação enquanto Presidente do Conselho de Administração e CEO da Procter & Gamble entre 2000 e 2009, sendo diretor desta desde 2002, voltou a assumir a sua liderança em 2013. Lafley graduou-se no Hamilton College e fez um MBA na Universidade de Harvard, após o qual entrou para a Procter & Gamble. AG Lafley oi nomeado vice-presidente do grupo em 1992, vice-presidente executivo em 1995 e, em 1999, presidente da área de beleza e da América do Norte. Serviu como diretor executivo entre 2000 e 2009 e como presidente do conselho de administração desde 2002 até à sua aposentação em 2009. Atualmente é partner da Clayton, Dubilier e Rice, uma empresa de investimento de capital privado, e presidente do conselho de administração da Faculdade de Hamilton. Lafley foi ainda diretor da Dell Inc. nos últimos cinco anos. Este reassumiu recentemente a liderança da Procter & Gamble.